segunda-feira, 7 de março de 2016

Ó como as tomadas de posse são ridículas!


Todas as tomadas de posse são ridículas mas não são ridículas como as cartas de amor.
As cartas de amor são,porque expectáveis, comuns e de redondos vocábulos, mas podem ser úteis e são um gesto informal de submissão e de humildade perante alguém a quem se deseja dar prova escrita de abertura a um compromisso romântico.
As tomadas de posse são momentos onde a palavra inócua pretende ditar o subjetivo, onde o protocolo exige o fato da autoridade e da vaidade, onde a assinatura é um mero gesto fotográfico a assinalar um compromisso vão sobre um cargo, dito pesado,mas que apenas alivia o seu sujeito.

Todas as cartas de amor que já escrevi, e que nunca releria, já devem ser cinza e de certeza que nunca nunca foram agrafadas. Pelo contrário, há-de constar num livro de atas da assembleia da minha freguesia de nascença, a assinatura trémula do dia em que tomei posse de mandato como seu membro, ata essa que nunca relerei porque marca um ato absolutamente muito mais ridículo do que aquela madrugada em que escrevi a primeira declaração de amor, que por mero ou feliz acaso ou sorte, não foi correspondido.

A tomada de posse desta quarta será ridícula, por valor próprio, histórico e mediático. Lá acertará o passo para a mesa, o empossado, pegará na caneta e assinará numa caligrafia segura e sobre juramento o seu compromisso de cumprir e fazer cumprir a constituição, centenas de flashs iluminarão o seu ego, e discursará em termos vagos, coisas vagas que não acordarão o menino Jesus.

Na televisões comentadores tirarão a carne dos ossos da declaração, momento histórico ó, será declarado um novo ciclo, cavaco é para esquecer, marcelo promete, a cor da gravata, o retrato, a pose, o futuro...
Ridículo, sem paixão, pretenso, inócuo, folclore de palácio, apenas mais um, ironicamente melhor que o antecessor, culto, simpático, popular e tudo como dantes no quartel de abrantes. Marcelismo?!
Tudo tão ridículo,

2 comentários:

José Lopes disse...

Sai a múmia entra o papagaio...
Cumps

Rogerio G. V. Pereira disse...

Aposto que a caneta
de aparo dourado
terá sido seu padrinho
que lha terá ofertado

E isso
não será ridículo
mas, tão só e apenas,
cínico
(tal como o seu circunstancial sorriso)