quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O ÚLTIMO OUTONO DOS VIVOS


“Este ano, de mil novecentos e oitenta e oito, o verão entrou atrevido Outubro adentro e eu, quase ia pondo janela fora as minhas folhas por ter perdido o estado de poesia – dependo muito do tempo!...”
Nos tempos em que eu era o homem que escrevia linhas destas tinha o hábito de todos os anos escrever sobre o Outono.

agora todo o ano é outono
é sempre outono
o meu país está todo outono
eu estou todo outono
tudo à minha volta é outono

só os cães de fila dos canis da tv me anunciam uma nova estação:
um longo e rigoroso inverno ao qual só os poderosos sobreviverão!
obrigado!

no verão, com os incêndios, vivi descansado de ver inundado o meu celeiro.
no inverno, com as cheias, aliviarei de ver em chamas as minhas oliveiras.
- são assim os meus dias… é este o meu tempo!
é meu, o outono
não vou na caravana seus parolos! caminho a pé!
não vos ligo nada!
amanhã vou por três meduras de azeitona no lagar.
queria dizer-vos também que continuo a servir-me do azeite numa almotolia …

3 comentários:

João Miguel Salgueiro Gameiro disse...

Que belissima postagem, excelente texto.

O Puma disse...

Saudade dos belos relâmpagos

Abraço amigo

Rogerio G. V. Pereira disse...

Abril em Outono
de novo?
Porque não?

Em Abril
não ardem nem se inundam celeiros

caminhemos!