domingo, 23 de abril de 2017

A senhora apareceu-me

A senhora apareceu-me!... Aparição, visão, sonho ou fantasia?
Dormia eu a sesta à sombra duma azinheira (numa manta de retalhos, pois claro!) quando uma senhora brilhante, não tanto como o sol, chegou à minha beira.

Não me disse para a louvar por ser celeste,
Não me sugeriu que sofresse para lhe agradar,
Não me exigiu que lhe agradecesse a força do meu trabalho,
Não me pediu que lhe suplicasse a felicidade,
Não me rogou que lhe repetisse como um papagaio preces e avés,
Não me segredou guerras futuras se não a venerasse,
Não me culpou pelos meus prazeres carnais,
Não disse nada.
Não vinha de calças, nem de saia comprida, nem de mini-saia.
Nua e serena, aproximou-se. 
Só uma senhora assim para me pôr de joelhos.
Pôs-se de joelhos também.
Enrolámo-nos na manta de retalhos. Paz, amor e sorte.
Azar, era dia 13, um melro largou-se no meu rosto. 
Acordei.
Da santa ou companheira, nem sinais.
Dei um salto.
Falei alto
À sombra duma azinheira:
25 de abril sempre! Fascismo nunca mais!



3 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Este não espera pela semana prometida!

E vai logo!

Manuel Veiga disse...

que raio de pássaro!
e não poderia ter demorado mais um pouco?
enfim, mais uma cena inacabada!

Saúde, Majestade!

Janita disse...

E que bela 'senhora' a Mãe Natureza pariu.

Gosto da sua veia poética e das suas belas bacoradas...:)

Pois...foi durante uma Conversa que não Avinagrou,
que o li, gostei e aqui vim.

Voltarei.