quinta-feira, 30 de novembro de 2017

ai eu coitado

Ai eu coitado como vivo em gram cuidado,
a represa seca,
o gado sem pasto.
Ai eu cuidado como vivo em grã coutado
a riqueza sem rasto,
os cornos sem testa.
Ai Meca, ai Jerusalém, ai Fátima,
ai manifesta vontade de ser rua.
Deus me cuide, coitado.
A virilidade de Costa de rabo na Europa,
a virilha de Marcelo nas campas do Dão.
- Nada será como dantes, diz este.
- Tudo será como eles quiserem, diz o outro.
Ai fogo, ai chuva, ai ruas,
ai as vontades da feira do mês,
vendeu-se agosto? compra-se dezembro!
vendeu-se abril? compra-se maio!
Para porquês de novembro, respostas nuas.
Está um tempo seco e frio como o orçamento.
Cuidem de mim, cuidado comigo, ai eu coitado,
sem pingo para a pinga,
rouco para o fado,
levaram-me a voz e o rendimento.
Rendo pouco.
Ai eu estou louco, ai eu estou muito mal, 
arderam os pinheiros que seriam árvores de Natal, 
foi restringida a rega dos campos de golfe.
Ai eu com mágoa vou viver para Lisboa,
Onde tudo acontece e não há fogo e há água.
Coitado de mim que estou louco.
Cuidado comigo que sou coitado.
Sou frágil e mordo.
Sou porco.

2 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

ai tu coitado?

Cala-te bácoro
se à mingua, por falta de montado
se amanhã serás escasso
hoje no Pingo Doce estás em saldo

depois, logo se vê

Manuel Veiga disse...

Majestade, rende pouco?
aí é que o porco (não apenas a porca) torce o rabo!
mas vossência nem com o rabo torcido se rende!

gostei deste cantar de amigo!

abraço