domingo, 4 de março de 2018

Masturbação mútua

Neste blogue não há assunto tabu. Por isso hoje vamos falar de sexo. Não é assunto em que eu me sinta muito à vontade porque só tenho um sexo mas farei uma abordagem com um toque de sexólogo da revista Maria e com ares de doutor Vaz de tudo.


Bem, a masturbação mútua acontece quando:
- O presidente da junta convida o presidente da câmara. Não se gramam porque são de partidos diferentes mas, na hora do discurso, ambos elogiam mutuamente os seus feitos e o público consuma o orgasmo batendo palmas.
- O presidente da associação do rancho folclórico recebe do secretário de estado do turismo a grande medalha da ordem das medalhas. O secretário costuma ridicularizar a cultura atraiçoada e o desinteresse turístico de tanto corridinho do Algarve ou vira do Minho, o rancheiro mor costuma desancar na petulância burguesa dos governantes da nação mas, na hora, ambos se enaltecem entre si.
- O autor da tese de mestrado cita uns, que por sua vez o citam a ele e, no final da biblioteca, temos um amontoado de páginas de teses que se resumem a citações mútuas de quem não tem mais nada para dizer a não ser a mesma coisa.
- O Herman convida ao seu programa o seu amigo Goucha e o amigo Goucha convida ao seu programa o seu amigo Herman.
- O Miguel dos safaris e dos tavares, o fidalgo, o filho de alguém, elogia o ministro que fez o que ele disse e o ministro justificou o que fez pela opinião do comentador, legítimo representante dos telespetadores que o adoram.
- Só o senhor Costa é que elogiou o senhor Passos e o senhor Passos não elogiou  o senhor Costa. Mas não esperem pela demora, o homem não se ficará pela onania, debaixo dos lençóis da universidade onde vai cultivar o alfobre dos seus rendimentos de ex, há-de vir a ser reitor-doutor e vir a coroar doutor honoris causa o futuro ex Costa e as televisões cobrirão o ato.

Neste país, os chamados atos públicos, redundam em prazeres de masturbação mútua! É por isso que não passam de atos de prazer! É por isso que deles não pode resultar procriação de alguma coisa!
Neste país não interessa o parceiro, podemos não gostar dele, podemos até passar a vida a dizer que nunca nos deitaríamos com ele mas, na hora, não resistimos às carícias e à excitação que nos causam, cada um a seu belo prazer. E assim vamos festejando o amor fingido, o amor que não dá frutos.

Se alguém me vier a elogiar um dia, não se espere de mim retribuição. Por bem ou por mal, por amor, amizade, desprezo ou prazer, o bajulador há-de ser - ai que me falta o verbo! -  e dessa cobrição alguma luz há-de vir à praça: aborto, rebento, braço, besta, criança, desgraça, flor ou revolução! 


Afinal até nem é difícil falar de sexo nem de masturbação mútua.

6 comentários:

Alberto Cardoso disse...

Que belo texto, Majestade. Só uma mente superior podia analisar a problemática da masturbação com esta profundidade. Para mais masturbação mútua e recíproca, tema que poucos, muito poucos, se atrevem a abordar mas nunca com o discernimento e a profundidade deste seu extraordinário texto.
Fico a aguardar de Vossa Majestade mais textos tão sublimes (ou mais) como este para deleite dos seus inúmeros seguidores.
O seu humilde servo
Alberto Cardoso

Pata Negra disse...

Alberto, não espera que eu lhe retribua o elogio?

cid simoes disse...

Tese tesa e profunda; impressionante!

par(a)lamentar anónimo disse...

Ficou difícil dizer o que penso deste textículo... teria que o elogiar e, para tanto, com um outro textículo que o merecesse. Por isso, o melhor é não escrever nada e mandar o autor para o que fica no meio dos dois.
Isto sem ofensa para o dito, claro.

Rogerio G. V. Pereira disse...

O pior é que em muitas destas situações de masturbação mútua
surgem gravidezes inesperadas
Eles procriam-se assim...
digo eu que não sou especialista em patadas elevadas

Manuel Veiga disse...

como foi dito, por cima de mim (salvo seja), as masturbações por vezes engravidam...