sábado, 29 de dezembro de 2018

this is the end, my only friend

Não faço montagens - o da direita é o Marcelo
foto do ano novo

Isto é o fim da picada!
Marcelo fez questão de ir apertar a mão a Trump, mesmo sabendo que poderia correr o risco de ser confundido com o rei de Espanha! Não lhe valeu de nada mas trouxe - interesses de Estado? É interesse de Estado o reconhecimento duma América dirigida assim? 

Mas com Bolsonaro isto pia mais próximo e mais fino. Pior que Trump! - diziam uns. Mais perigoso que Trump! - diziam outros. E todos temos o direito de dizer dum e outro uma coisa qualquer! Temos até o direito de nos contradizermos com as opiniões que emitimos acerca de um ou de outro.



Quem não tem o direito de se contradizer com aquilo que prega, são os guardiões e os representantes da nossa democracia. Como pode a RTP nomear Bolsonaro como a personalidade do ano? Porque tem de ir Marcelo à tomada de posse do novo presidente do Brasil?
Em nome de que causa maior se pode legitimar a mediocridade sem medir os efeitos nefastos desse apoio - porque é de apoio que se trata - no florescimento de novos Trumps e Bolsonaros?

A RTP é a Globo? Não! Isso é a SIC!

Marcelo é um deles? Não! No entanto, não deixa de ser um daqueles a quem estas novas velhas visões da democracia não fazem muita impressão! Nasceu no meio deles e deles cresceu! 
Que bela fotografia de recordação Marcelo vai trazer para colocar na cristaleira lá da casa!
Putas que pariram trumps, bolsanaros, o de israel, o da hungria, o da turquia, o da ucrânia, o de espanha, o da polónia, o da japónia, o da anatólia, o francês, a inglesa e também... o portonhês!... 
Viva a revolução, o revirão, o reviralho e vão todos para o... brasil! 
Bolso, estou a bolsar, bolsonaro, metê-lo, marcelo... ai!

Dos 160 chefes de estado convidados por Bolsonaro, só 12 aceitaram o convite.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Movimento relativo


Vou desligar.
Parem de me dar notícias
Porque eu já sei que as coisas acontecem.
Parem de escrever bons livros
Porque o meu ritmo de leitura é lento.
Parem de fazer bons filmes
Porque tenho uns em atraso para ver.
Parem de inventar músicas
Porque eu tenho discos que nunca ouvi.
Parem com a tecnologia
Que eu já não dou conta dos botões.
Parem de me oferecer produtos
Que eu tenho a despensa cheia.
Parem de me anunciar espectáculos
Que eu já não tenho agenda.
Parem de fazer leis
Que eu faço questão de andar legal.
Parem de fazer estradas
Porque eu já não sei por onde hei-de ir.
Parem o comboio
Porque eu vou apear-me.
Parem a camioneta
Porque me apetece vomitar.

Ainda o sinal não estava verde
E já me estavam a apitar.
Parem! Stop! Dêem-me tempo! Dêem-me espaço!
Parem que eu não consigo acompanhar!
Oh! Estou a ficar para trás!
Parem de me encher a cabeça.
Deixem-me respirar.
Respirem.
Todos os livros, músicas e filmes estão compostos.
Chega de tecnologia.
A Terra está esgotada.
Já vi todos os números de circo.
Todas as leis estão feitas e todas as cidades construídas.
Será este o caminho?! Não são estradas a mais!?
Não vou para mais lado nenhum!
Não quero mais nada!
Vou viver aqui que aqui há terra!
Vou descansar.
E tu? Ficas comigo? Ou fico só?

domingo, 23 de dezembro de 2018

A minha terra natal


Tenho de viver este tempo a dar e receber as boas festas como o homem da portagem da ponte dá e recebe os bons dias.

O inverno ainda é verão. Verão que o natal é estação. Se não há comboios na estação, então eu não posso partir nem chegar.

(chalaças de Natal...)


Ora aí está o Natal, amigo do ambiente, das câmaras e famílias endividadas, dos pobres que nem factura de electricidade têm para pagar.
*Eh-lá luzes, anjinhos, meninos e trenós iluminados nas torres das igrejas, nas fachadas dos edifícios presidenciais, nos reclames dos espaços comerciais, nas varandas e chaminés!
*Eh-lá lojas de coisas que não valem nada, jantares de cabritos e cabras, discursos de beneméritas com cruzes e colares, de excessos de mesa com orações a recordar os que não têm!
*Eh-lá santa inocência de meninos grandes, de burros, de vacas e de árvores de plástico!
É tão bom lembrar-nos dos que não têm nada, nem que seja ao menos para sentirmos o orgulho de termos tudo! Não é?
Viva o planeta sobreaquecido com luzes a apagar e a acender! Viva a falência em abundância! Viva um menino que nasceu há dois mil anos! Viva o Pai Natal da coca-cola! Vivam os arredondamentos das beneméritas grandes superfícies! Viva o Natal!
Vivam os videntes, como eu, que advinham um bom Natal para uns e um mau Natal para outros, que já sabem que na missa do galo o padre vai dizer que o Natal deve ser todos os dias, que uns poetas de quadra vão repetir que Natal é sempre que um homem quiser, que o Costa vai prometer que vai haver um novo ano e o Marcelo vai beijar os pés de um menino de barro e perfumado.
Que seria deste povo sem o Natal que une os pequenos e os grandes, os magros e os gordos, os foliões e os deprimidos, os sós e os acompanhados, o leitão e os comprimidos, os infelizes e os felizardos, os doentes e os de boa saúde, os vivos, os saudosos e os que estão a morrer? Mas pronto, o que é importante é que no dia vinte seis cada um vá à sua vida, volte ao trabalho e encolha os ombros quando lhe perguntarem como é que foi o Natal!
Ai o meu Natal! Ai o meu Natal!... é só de mim que ando desnatalizado!...

(* o "eh-lá" foi plagiado duma ode qualquer do Fernando Pessoa e continuo a gostar de recorrer a títulos que não têm nada a ver)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

O Rei está vivo e bem (in)vestido

Minha Majestade deseja a todos os súbditos, fidalgos, servos, amos, amas, animais e até aos filhos da puta, Grandiosas Festas.


Não é uma gruta, é uma arena, sem virgem mãe, sem zé insonso, sem burro, sem menino: apenas e só a vaca sagrada, da sorte, leiteira, da vida, de carga, com força, com cornos, com rabo,com bafo, puta ou simplesmente, vaca!