quarta-feira, 30 de outubro de 2019

O último outono dos que vão morrer antes do verão




É  Outono...
tombam folhas, bêbados e soldados...
e o caruncho rompe impiedoso nos lábios do poema

funerais parados na beira da estrada
palavras doentes perecem no leito

um carro chegou com as primeiras chuvas
à quinta do Tio Costa do Vale das Promessas...
os sinos dobram os lençóis assinados
a um canto da alma
pela último período que a avó experimentou...
e o cão desapareceu...

nova estação... mau tempo
não haverá sol
porque haverá ausência
não haverá voz
porque o canto no silêncio é desrespeito
e se os mortos permanecem vivos na nossa memória
não haverá mortos nem vivos
haverá Outono

(depois, as varredeiras colhem as folhas secas
para as esquecer)

5 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Texto outonal
dirigido
aos sobreviventes

As folhas que já jazem mortas não te leram
talvez alguns bêbados e soldados o tenham feito
antes de terem tombado

Zambujal disse...

Gostei... e doeu!

Viva o dia do bolinho, abaixo o halloween,,, e as folhas secas.

Manuel Veiga disse...

mas ainda há folhas secas para a vassourada?
o que não faltam são bruxas ... sem emprego!

abraço, Majestade.

a片影片 disse...

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Mar Arável disse...

Há folhas persistentes
em todas as estações

Abraço