sábado, 23 de fevereiro de 2008

José Afonso

Faz 21 anos, no dia 23 de Fevereiro de 1987 cumpria o serviço militar na Escola Prática de Artilharia em Vendas Novas. O camarada Nunes ouvira no rádio do balneário a notícia daquela madrugada e acordou-me com ela no regresso ao quarto: - morreu o Zeca Afonso!
Nessa manhã tomei a linha do Setil para vir à terra tratar duns assuntos urgentes: na janela da automotora, a paisagem desse Além Tejo, ditou-me esta homenagem:

amigo canto e morte
maior que o pensamento
abril não morre

por mais que novos ventos se levantem
de rumo a falsas índias
levando incautos marinheiros deste cais
abril traz sempre voz

virão mais cinco e mais
cantando sim ao dizer não
virão como tu outros iguais
fazer de Maio cantiga
fazer de Abril canção

amigo canto e sempre
até

12 comentários:

MARIA disse...

Cala profundamente o seu gesto.
É daqueles gestos que lhe justificam verdadeiramente a Coroa...
É um lindo poema que o revela como ser humano realmente excepcional, tal qual o foi também Zeca Afonso.
E que falta ele nos faz nestes tempos conturbados que vivemos.
Obrigada por o partilhar aqui.
Um beijinho amigo
Maria

joshua disse...

Há homens como o Zeca que estão Além. Está actual como estará enquanto houver Vampiros.

Ana Luar disse...

Morre um amigo mas não morre o seu canto... muito menos o seu encanto.

Que o Zeca sinta este abraço geral de quem tanto o admira.

Meg disse...

Há 21 anos que partiu, mas não a sua memória.
Essa nunca morreu e está a fazer-se ouvir cada vez mais, de novo.
Se quando morreu já estava amargurado com o caminho que "isto" levava, imagina o que seria agora!
Por isso é necessário que haja vozes que avisem...
Bem hajas

Bom fim de semana e um abraço

Jorge Borges disse...

Companheiro,
Nunca é demais lembrar este grande resistente anti-fascista. Porque o fascismo existiu!
Um abraço solidário

Marreta disse...

Neste país triste e sem valores nem ideais, cada vez mais homens do calibre do grande Zeca fazem falta. Bela homenagem.
Saudações do Marreta.

SILÊNCIO CULPADO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
SILÊNCIO CULPADO disse...

Pata Negra
Emocionei-me ao ler este poema de homenagem a Zeca Afonso. Ele foi uma referência na minha geração e as suas músicas eram escutadas por mim com devoção, e em surdina, no antes 25 de Abril. Conheci-o, pessoalmente, em tertúlias e na Ilha de Tavira e apesar da grande diferença de idades eu sentia nele pulsar a força dum carácter que intervinha e não abdicava. Senti-me mais pobre quando deixei de ouvir a sua voz. E quando me sinto revoltada com o que vejo ainda trauteio muitas das suas canções.
Um abraço nostálgico

Pata Negra disse...

Maria, sempre me confortam os teus comentários - também podes dizer mal!...
Mas tenho um grande problema contigo: abrir o teu reino é sempre um problema, o meu PC é lesma mas dá-me impressão que deve de existir alguma limitação relacionada com os muitos gráficos que ilustram a tua acolhedora casa de Maria - sou só eu a queixar-me?!
No entretanto vamos convivendo e isso é o mais importante.
Um abraço de rei

MARIA disse...

Pronto, Majestade, "mal". Está dito.
Quanto à entrada no "reino de esther" é possível que esteja muito carregado pelos vídeos.
Não obstante ter sempre a porta aberta, prometo abrir uma janela panorâmica com vista exclusiva para aqui.
Um beijinho amigo
Maria

Oliva verde disse...

O Zeca merece que não o esqueçamos!
Pela força que nos deu em momentos complicados, pelas palavras que nos fizeram continuar a lutar, pelas canções que ainda hoje nos fazem não esquecer que não queremos voltar atrás!
Gostei muito das tuas palavras!

AJB - martelo disse...

uma voz maravilhosa no timbre e no conteúdo...