domingo, 2 de maio de 2010

Mãe

A mãe morreu!
A crueza do verbo:
morrer.
O sentimento que faz pequena a palavra:
Mãe!...

Metade de nós
Que vai à frente
Prá lá, pró não sei pra onde!
Finalmente adulto de corpo inteiro:
Órfão de mãe!

A mãe morreu!

E no entanto passados anos,
Os lábios procurando o mamilo
Ao passar pela mesinha do telefone:
- Já não posso telefonar à minha mãe!

Lembrar-me todos os dias
e hoje sobretudo,
Pelo o orgulho de nunca termos ligado patavina a este dia.

10 comentários:

zerui disse...

Crú, forte ...
... é...

antonio - o implume disse...

Um verdadeiro poeta!

O Guardião disse...

Um dia apenas, quando nos dedicou infinitamente mais do que isso.
Cumps

do Zambujal disse...

Bonito, amigo.
Disseste o que senti, o que sinto desde há três anos... porque ela ligava a este dia, eu, que parece que não ligava patavina ao dia, "tinha de" ligar... Agora ligo mesmo. Assim como tu disseste.

Olha, um abraço

Alberto Cardoso disse...

Majestade
Cá em casa também não festejávamos os "dias" que o consumismo nos queria (e insiste em) impor. O «Dia da Mãe» acontecia todos os dias. E o dia em que partiu foi dos mais trites que vivi. Há uma lacuna que nunca mais será preenchida! Falta-me a minha Mãe para eu partilhar os meus dias bons e os maus! Faz-me falta o seu amor! Faz-me falta acreditar que há outra Vida para além desta!
Alberto Cardoso

MARIA disse...

Percebo tão profundamente esse sentimento de orfandade, apesar de ainda ter viva a minha mãe.
Quantas vezes dou comigo a pensar : um dia não poderei telefonar-lhe e nem dizer-lhe o que não falo a ninguém, porque ninguém nos aceita completamente como ela, mesmo se nos censura alguma coisa.
Um dia sentirei maior tristeza por nunca lhe ter revelado totalmente a importância real do seu amor.
Mas quantas vezes pouco relevamos quem nos ama e apenas nos resta depois uma sensação de ligeiro desconforto, de vazio, de falta de um bem que tanto nos quis e nós nem fomos sequer capazes de nos limitarmos a aceitar.

Um beijinho amigo

Jorge P.G disse...

Nunca entendi o porquê de, a um sacana, se chamar "filho-da-mãe", palavrinha que não!

Um abraço.

opolidor disse...

Pata...
pois é, no fácil uso da ironia se descobre, afinal, tanta profundidade do sentimento...

abraço

Meg disse...

Pata Negra,

Assim não vale!
Fizeste-me chorar.
Lindo! Comovente!

Um beijo

Compadre Alentejano disse...

Este ano não me foi possível dar um beijo à mãe, no seu dia. Porquê? Faleceu em Outubro passado...
Abraço
Compadre Alentejano