terça-feira, 26 de junho de 2007

Partidos com S

Almeida Garrett perguntava-se no século XIX quantos pobres seriam necessários para fazer um rico. Em Portugal, no século XXI, a resposta é 10. De facto, para que a situação económica em Portugal seja hoje "boa" para uns poucos ("bastante boa" para 8%, "muito boa" para 2% e decerto "muitíssimo boa" para a meia dúzia do costume), é "má" ou "muito má" para 90% dos portugueses. Os números são do Eurobarómetro, agora divulgado em Bruxelas, onde Portugal surge na cauda da Europa quanto à satisfação dos cidadãos com a situação económica. A jangada de pedra portuguesa vai à deriva a caminho do Terceiro Mundo e a responsabilidade não é de ventos e marés, é da marinhagem neo-liberal que nos tem conduzido. Os últimos governos de Portugal (o seu a seu dono do PS, do PSD e do CDS, todos "sociais" ou "socialistas" de nome) são os recordistas europeus da produção de pobres cada vez mais pobres e ricos cada vez mais ricos. E a coisa não ficará por aqui. Em 2008, iremos ter os piores aumentos salariais entre os países da OCDE. Um aumento real de apenas 0,2%, enquanto no resto da UE os aumentos vão ser de 1,4%. E os desempregados serão 7,1%, contra 6,6% na UE. O problema da desigualdade em Portugal já não é económico ou financeiro, é moral.
link Manuel António Pina

4 comentários:

Metralhinha disse...

O mal não é haver ricos, ou mesmo muitos ricos. O problema é haver muitos pobres e cada vez mais pobres. Trata-se dum problema de repartição de riqueza de que é exemplo os aumentos verificados dos últimos anos na remuneração média dos gestores e nos dividendos distribuídos pelas empresas, crescimento esse percentualmente muito superior ao dos salários dos empregados dessas empresas. Resumindo: uns produzem, outros comem e, paradoxo deste capitalismo, não há investimento.

João Rato disse...

Concordo plenamente!
Um abraço

Watchdog disse...

... "Os políticos não governam, governam-se !"

João Rato disse...

e nós temos que nos governar com eles!

abraço