segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Avaliando a avaliação

Todos se lembram deste homem. Ninguém precisa de imaginação para identificar quem é que no governo está a agir assim.


Estamos numa era em que se determinou, por consenso, que tudo se tem de avaliar. Partindo deste consenso criaram-se teorias, métodos, estudos e mais estudos sobre o assunto. Muitas vezes a avaliação dum processo chega a tomar mais importância do que o próprio processo. Pode chegar-se até ao cúmulo do processo de avaliação absorver o próprio trabalho e passar a ser difícil distinguir o trabalho, em si, da sua avaliação.

Se o processo de avaliação se esgota em mecanismos de carácter quantitativo, muitas vezes gera-se o ridículo. A minha companheira passou-se e quer avaliar a nossa relação. Anota as vezes que a trato por amor, o número de beijos tipo A, tipo B e tipo C, os tempos e a duração dos coitos, o preço dos ramos de flores, o número de vezes que não durmo em casa, etc. etc. e, como se não bastasse, passa a vida a tirar fotografias a tudo quanto é "eu" e quanto é "meu" para fazer os seus registos. Está um clima insuportável cá em casa, acho que vou ter a nota mínima. Já não sou um homem, sou uma medida.

Os bancos foram das primeiras instituições a implementar um sistema de avaliação por objectivos. Ano após ano, gestores, funcionários, balcões, departamentos, foram conseguindo cada vez mais sucesso. Os resultados estão aí.

11 comentários:

joshua disse...

A canalha arranja processos airosos de tudo justificar, mesmo os absurdos mais absurdos. Estatelar-se-ão com estrondo.

Tiago R Cardoso disse...

gostei da comparação do senhor e do governo...

De facto tudo está a cair e eles dizem que está tudo bem e irredutíveis continuam com avaliações num sistema errado e confuso.

antonio - o implume disse...

Eu sou favorável às avaliações. Por exemplo, na minha empresa mudaram os objectivos a quatro mese do fim do ano... o que não foi grave porque também suspenderam o pagamento dos prémios. Sinto que caminhamos para os resultados históricos dos bancos.

salvoconduto disse...

Olha se isso se pega!

Já agora, não confundas banqueiros com bancários, se não eles dão-te cabo do blogue...

lili canecas disse...

Pata Negra.
Bem visto. Tal como a banca a educação caminha para o abismo.
Está a ser preciso um 25 de Abril a sério.

aDesenhar disse...

LOL
pata negra,
se tivesse de avaliar este post, atribuia um Excelente, para compensar a nota negativa das tarefas caseiras.
LOL

abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Pata Negra
Chora no meu ombro que eu não te avalio.
Com tanta avaliação uma pessoa deixa de ser pessoa porque perde a espontaneidade. Começa só a pensar no que dá pontos e no que tira pontos. Também não é amigo do amigo porque o amigo pode ser avalaliado com outra complacência. Uma pessoa avaliada tem medo dos bufos que vão chibar para lixarem os amigos com quem confraternizam.
Pata Negra as avaliações tiram a alma às pessoas e entregam-na, no teu caso à Milú, que aprendeu a fazer umas poções mágicas com a bruxa Patologica.
Ah, Pata Negra, chora no meu ombro que eu não te avalio.

Abraço não avaliador

O Guardião disse...

Quando se encontrar um avaliador insuspeito, um método infalível e o humano perfeito, eu estarei disposto a deixar-me avaliar, ainda que sob reserva.
Cumps

polidor disse...

e perceber a capacidade de avaliação do avaliador??

Zé Povinho disse...

Num país onde a cunha é norma, onde a nomeação por confiança política é regra, a avaliação nunca será isenta, por isso dificilmente será aceite, porque a arbitrariedade é um perigo real.
Abraço do Zé

Anónimo disse...

Estes novos sistemas de avaliações foram inventados por uns indivíduos que não são professores ou são indivíduos com traumas na escola ou são “engenheiros do ambiente independentes” ; não passam de uns otários, julgam que tudo se pode medir. (modernices ou “pane...). O que no fundo querem é ganhar dinheiro com a certificação das empresas e suas boas práticas, com normas tipo (ISO 2008 ou ISO CACA). A empresa ou organização depois tem uns “pseudo-formadores” que apresentam em PowerPoint umas frases universais e princípios aceites até na China e servem-se bolinhos nos intervalos; a empresa só é certificada quando passam o tal “chequezinho” …. O mar acaba por separar e trazer o lixo, só espero que ainda seja na minha geração.
Jorge (professor no Deserto)