segunda-feira, 9 de maio de 2011

37- O Caminho do Fim da Terra


Ouviu um carro parar na rua. Ouviu conversa de saudações. Seria Xésus Agrelo a cumprimentar a neta? Não seria de boa educação ir espreitar à janela. Bateram à porta.

- Eh lá! Já?! Queres ver que tenho de ir conhecer, beijar já a moçoila e atirar-lhe à vista o brilho sedutor dos meus lindos olhos?! - pensou, caminhando determinado em direcção à porta de entrada.

Puxou o trinco. Abriu. Surpresa!!!...
Os olhos embaciaram-se, engasgou, embranqueceu, apoiou-se na porta, tremeu e abanou todo ele, traído pelos pés que se enfiaram os sete, como um rabinho, entre as pernas.
Era Marie acompanhada por um homem. Outro?! Não, o “mari”!

Um a um, escorregaram das massas musculadas das pernas másculas e ocuparam o seu lugar em fila indiana para dar cumprimento aos devidos cumprimentos. Pé de Atleta à frente, em segundo Água Pé, a seguir o Descalço e o de Meia, Pé de Vento sem ordem e, por fim, Pé Ante Pé cauteloso e o Pé Chato a resmungar.
Um a um, Marie sentiu-os perante o olhar desconfiado do marido que sentiu demasiadas expressões para um cumprimento só.

Claro que era para entrar! Para comer, seria mais difícil – o frigorífico não estava muito satisfeito! Pernoitar?! É pá! Calma aí! Vamos pensar:
- Situação estranha! Situação complexa! Ela a cumprimentar sete! Os sete cumprimentando o marido! O marido a cumprimentar um! Que estranha visita esta! Que complexo encontro! Que situação embaraçosa! Que pretenderá Marie?! Uma cama com onze pés?!...

Os Pés ficaram sem jeito!
Marie disse que comprara peixe em Finisterra e que trataria do jantar! Sete Pés iria mostrar a praia a Pierre Patapouf e os vestígios do derrame do Prestige, seria uma oportunidade de se conhecerem. Enquanto isso, ela preparava as coisas e iria conversar um pouco com os Agrelos. Já agora – continuava Marie a comandar - que passassem pela mercearia e comprassem isto e aquilo e cogumelos do campo, se os houvesse! Isto porque prometera a Patapouf fazer-lhe prova do petisco que aprendera com os galegos e que só com cogumelos da Galiza se pode fazer! Seria o aperitivo ideal para o grande jantar que se advinhava. O facto de ser sabido que Sete Pés não apreciava, não importava!

- Que estranho jantar!... O casal de franceses com os cantos dos lábios a escorrer o azeite dos cogumelos! O terceiro, o séptulo, a pão com azeitonas. Ela falava para ele. Ele falando para o marido! O marido a falar para ele! Falavam os três, diga-se os nove, como se se tratasse de uma relação natural!…
Que raio de história Marie teria contado, da sua história do Caminho, ao seu marido? A verdadeira? Será que o velho é daqueles destesoados que gozam a ver a esposa chap-chap com outros? Será essa a proposta do fim do vinho?
__________________________________________________

Todas as segundas feiras.
Pode(s) ler toda a história em O Caminho do Fim da Terra.

10 comentários:

Alberto Cardoso disse...

Olá Majestade.
Ó diabo, com esta é que o Sete Pés não contava. E tem razão para estar de "pé atrás" quanto à evolução da situação. Qual dos 7 pés é que recuará?
Eu estava certo quando, na passada semana, previ que a história mal começara. Espero impaciente pelos próximos capítulos.
Alberto Cardoso

antonio - o implume disse...

Toda esta história tem sido uma proposta de fim do vinho, servida com a mestria de um escanção.

Zé Povinho disse...

Uma M à 3? O gajo deve estar mesmo à nora pois não é nenhum modernaço, coitado. Vamos ver como é que isto se desembrulha.
Abraço do Zé

O Puma disse...

A troika está a mexer nos cálices

Que se fundam

MARIA disse...

Majestade...
Surpreendente a posição da Marie, regressando até 7 Pés.
Há relações que não têm quaisquer pés para andar. Essa parece ter vários, mas úteis são apenas os que nos levam a bom porto.
O verdadeiro afecto é o que acerta o pé na impossibilidade. Contudo, nesse caso, pelo ânimo com que acorreu à possibilidade de conhecer a neta de Xésus Agrelo , parece-me que 7 Pés está um pouco como a canção " em cada esquina um amigo", no seu caso, para cada pé uma amiga :)
Mas também nos surpreendeu. Já contava a Marie como uma memória do caderninho de memórias afectivas que um dia há-de guardar dos percursos dos pés do seu 7 Pés.


Um beijinho amigo, Maria.

João Ludugero disse...

Visite meu blog.
Se gostar, me siga.
Felicidades!
Abraços,
João
www.ludugero.blogspot.com

opolidor disse...

Pata

como todos os pés sabem as mulheres são muito mais manhosas e às vezes atiram-nos os tomates ao charco...
abraço

samuel disse...

Golpe teatral inesperado! Que mais irá acontecer?! :-)

Abraço.

Cristina Torrão disse...

Patapouf?! Não era o nome do cãozinho das lições do ciclo preparatório? De qualquer maneira, bem escolhido.

Pois isto parece uma ménage à trois, ou à sept, ou à onze, sei lá. A pergunta é se o nosso amigo tem disposição para uma coisa dessas.

"daqueles destesoados que gozam a ver a esposa chap-chap com outros" - também pode ser. Mas a pergunta mantém-se.

Zé Marreta disse...

Oh meus deus, não estarão já na Terra Nova?

Saudações do Zé Marreta.