sábado, 2 de junho de 2012

Dum país sem saúde


Dum país sem saúde
Nos dias em que fecham empresas, escolas,  aldeias, freguesias, tribunais, lojas, correios, centros de saúde e hospitais…
E pasme-se: tudo é fechado para melhor servir as populações.
Que ninguém chore, que em cada mão se abra um gesto que devolva ao povo o que é seu
E este, hoje, é o meu:

Queres-me teu.
Esperas que eu me dobre para te sentares.
Queres-me ver de mão estendida ao fundo da tua rua.
Esperas que as minhas lágrimas inspirem os teus pintores.
Queres-me servo.
Pois fica sabendo que me terás em todas os desfiles, marchas e batalhas,
Em todas as assembleias, protestos e lutas.

Queres-me eunuco.
Esperas que eu sirva de motivo à tua caridade.
Queres ver-me chorar por falta de pão.
Esperas ver-me implorar ao teu poder.
Pois fica sabendo que não chorarei por perder o direito ao trabalho, à saúde e à educação,
À justiça, à casa ou a eletricidade.
Estarei sempre com os outros trabalhadores em luta.
Terei sempre a minha dignidade nem que um cancro me leve à porta do hospital e os teus colaboradores perguntem “tem seguro?!”
Terei sempre uma palavra: filhos da puta!

10 comentários:

jrd disse...

Excelente!

Vamos todos repetir em coro...

samuel disse...

E que palavra(s) acertada(s)!

Abraço.

do Zambujal disse...

Enorme abraço!

M A R I A disse...

Texto soberbo, Grande !
Pedaço de um Autor ainda Maior !


Um beijinho amigo

Maria

salvoconduto disse...

Certinho e direitinho!

Abraço.

salvoconduto disse...

Certinho e direitinho!

Abraço.

O Guardião disse...

Em cheio.
Cumps

Ex-preso da cadeia de Viana(Luanda) disse...

O Novo director da cadeia de Viana (Luanda) foi entrevistado em Fevereiro 2012, em directo pela Televisão Pública de Angola. Aqui vai uma das muitas pérolas proferidas.
Pergunta: O Sr. Acha que aguentará essa responsabilidade?
Resposta: Sim. Comigo não haverá brincadeiras. Não admito abusos. O preso que não me respeitar vai para a rua!

O Puma disse...

No ponto certo

Abraço

O Guardião disse...

CONTRA ESTA MALANDRAGEM, MARCHAR, MARCHAR!
CUMPS