quarta-feira, 26 de junho de 2013

dói-me a greve


ai a greve.
dói-me ai.
a greve ai.
ai se me dói.
ai a vida.
ai se me dói.
dói-me a vida.
dói-me tudo.
e é geral.
vivamente.
ai contida.
vai e volta.
a revolta geracional.
geralmente.
gerador de revolta.
ai a mente.
ai a luta.

doem-me os ossos.
ai quem mente.
filhos da puta.
mas não nossos.

esta não me saiu da cabeça.
saiu-me da dor.
saiu-me da marquesa.
- porque não fez greve senhor doutor?

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Quando a malta perder a paciência

As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
O trabalho deixará de ser um meio de vida
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência

A pele será carícia e o corpo delícia
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juizes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências

Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obscelescência
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
“declaro vaga a presidência”!


Mauro Iasi

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Não estou para isto

Não tenho um blogue pra dizer bacoradas
Não compro o jornal para ler novidades
Não ligo a televisão para saber verdades
Não ligo o fogão para fazer sardinhadas

Não tenho frigorífico pra arrefecer o tinto
Não bebo para não perder a calma
Não trabalho para aquecer a alma
Não me manifesto por aquilo que sinto

As leis não são para defender o poder
São para proteger quem não o tem
A constituição é a lei mãe

Tudo são direitos que nos reconhecem
Mas não nos reconhecem o direito dos usar
Era para trabalhar em soneto
Acabei em  merda
Tenho uma vontade incontida de fazer merda
Sem ter de cagar para isto tudo
Os cães estão raivosos
e as pessoas fogem para o aconchego dos seus gatos

Um dia destes acordamos com um parlamento modelo americano, com a lei de deus, sem sindicatos, sem televisão pública, sem jornais e com filtros poderosos na internet. Os eleitores prometem abster-se, desde que não lhe desliguem o frigorífico, que a televisão fale do Mourinho e que a sardinha possa ser assada sem licença!
De facto temos uma missão difícil em mãos: vencer estes cabrões!
(esta bacorada saiu-me assim, sem jeito e desconchavada, como quem atira merda a quem lhe atira areia, porque dei por mim, de caras, com um cachopo da JSD a perguntar não sei quê porque queria saber não sei quanto em nome de não sei que santo... estou fora de mim... ai)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Não ofendam mais os professores

Sugestão
Professor, veste-te de palhaço e apresenta-te com este cartaz na manifestação:

Não nos ofendam
Não nos mandem trabalhar
no dia 17

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Mandarem-me trabalhar!?:

- Chamarem-me palhaço ainda vá que não vá! Agora dizerem-me: vai trabalhar!?

Se um rico chamar palhaço a outro rico, o rico ofensivo, porque é educado, perde perdão e o rico ofendido, porque é cristão, dá-lhe o perdão.

Se um desempregado manda trabalhar um imóvel, o juiz, esquece a lentidão dos seus caracóis grisalhos e determina o pagamento do vencimento mensal de um professor - 1300 euros - ao ofendido. O imóvel, cujo nome é sempre precedido pelo título professor, desabafa:
- Mas é só isto que ganha um professor? Então são vulneráveis, são fáceis, vamos atacar!

imagem recebida por e-mail



segunda-feira, 10 de junho de 2013

Querida Europa

São uns queridos, deram-nos fundos para levar ao fundo a nossa agricultura, deram-nos fundos para afundar a nosa frota pesqueira, deram-nos fundos para acabar com a nossa moeda e agora, até nos dão fundos para os despedimentos, são uns queridos!...

sexta-feira, 7 de junho de 2013

o que limpa melhor renova

(raramente consigo encontrar um título que se adapte ás ideias que escrevo - por vezes nem imagens)

O gajo perdeu o braço porque tinha a mania de dizer adeus, com o braço de fora, a tudo o que era gaja peã, quando ia ao volante do seu carro Mercedes branco claro. Claro que era previsível: um camião Mercedes, branco claro, da Renova, limpou-lho num dia cinzento de céu temporarimente nublado. O camionista visitou-o na Clínica de Santa Justa e confessou-se surpreendido porque, além de um terço que trazia pendurado no espelho, também tinha uma santa luminosa colada no centro do tablier. 
- Talvez tenha sido mau-olhado da gaja descascada que está no calendário do Talho do Zé  que trago por detrás do banco do ajudante - disse.
Apesar de ter recebido uma bonita indemnização da Companhia de Seguros Açoreana, o gajo foi ao santuário onde estava a verdadeira santa, replicada no tablier do gajo do camião da Renova. Uma assembleia de devotos, pelo mexer dos lábios, agradecia graças, prometia a paz e jurava o amor e a concórdia. 
O gajo perturbou o silêncio e falou de alto como um louco:
- Se de facto és santa milagreira põe-me aqui um braço onde eu não o tenho! Milagres com doenças invisíveis qualquer beato faz! Agora dar-me um braço que eu não tenho?!... Vá lá, prova que não és um pedaço de cerâmica e que és mais do que a tua réplica de pvc fluorescente que se vende ali à porta, a um euro!..
O gajo levou tal carga de porrada dos fiéis que lhe partiram o braço que ainda tinha, tendo indo dali diretamente, numa ambulância Mercedes, branca clara, para a Clínica de Santa Justa que também tem a especialidade de psiquiatria. Para terminar deve dizer-se que também os dezanove quilos de imagem da santa foram para restauro em laboratório.

Esta história foi patrocinada pela Companhia de Seguros Açoreana, pela Mercedes Portugal, pela Renova, pela Clínica de Santa Justa, pelo Talho do Zé e pela ANTR - Associação Nacional de Turismo Religioso.

Babosêra

Um casal de alentejanos estava a jantar, partilhando uma garrafa de vinho de Pias, quando a certa altura ele diz:

- Maria, aposto que nã és capaz de dezer alguma babosêra que me ponha sastefêto e apoquentado ao mesmo tempo...

Responde a mulher de imediato:

- A TUA "GAITA" É A MAIOR CÁ DA ALDEIA!!!



quinta-feira, 6 de junho de 2013

O verão vai aquecer

E se um dia estiveres acariciando os cortinados da tua janela ou, quem sabe, estiveres escarrapachado na árvore do teu jardim ou até mesmo,  parado num sinal vermelho, se vires uma multidão descendo a rua, não te iludas, ninguém vai numa procissão com paus e enxadas, ninguém vai num funeral a rodar ratos na ponta dum cabo usb! É a revolução companheiro! Sai do carro! Desce da árvore! Salta da janela! Adivinha para onde vão!? Aposto que vão partir as montras todas do continente! É a revolução camarada! Acredita! É a revolução! É a multidão que farta de ser arrastada, tudo arrasta!

São os poetas que nunca escreveram versos, que nunca brincaram com as palavras, que nunca disseram nada, que sairam das janelas, que desceram das árvores e que se apearam do carros, que estão marchando. São as pessoas que olham para as pessoas pelas janelas, que olham para as árvores de cima delas, que têm um acidente nos semáforos e dispensam a polícia. São as pessoas normais porra! Vão para o continente! E acredita, os caixas e os talhantes vão juntar-se a elas!

Oh não! Não acredito! Estás a acusar-me de ser pago pelo gajo do pingo doce!?
Eu vou responder-te apenas com um sorriso de raposa velha, de criança macaco, de soldado pacifista,  de activista do não (vamos ficar parados), do sim (vamos aos is), do poeta (por ver mais do que se diz)! Estamos aqui, vamos marchar, o futuro é ainda uma criança! Velho é o presente recente! E o passado sou eu?! Não! Passados estão todos os que não acreditam que o futuro são todos os vivos! Viva a revolução!
Abaixo o pingo doce e o continente! 


terça-feira, 4 de junho de 2013

domingo, 2 de junho de 2013

Onde estão os teus cantores?

Meu Deus, o povo está só!
Onde estão os poetas que cantavam o povo a desfilar nas avenidas?
Onde estão os cantores que pintavam as ruas cheias de esperança?
Onde estão os pintores que escreviam as dores de cada janela?
Onde estão os autores que esculpiam martelos com corações?
Onde estão os escultores das pedras que falavam?
Onde estão os oradores que ouviam?
Onde estão as crianças?
Meu Deus os povo está só!
As crianças não nascem, os jovens não nascem, os pais não nascem, os velhos não nascem!
Há só um verbo: trabalho!
tenho trabalho! não tenho trabalho!
ter trabalho! não ter trabalho!
Cum caralho, já disse um palavrão!
Não há um fdp dum poeta que escreva vermelho!
Não há um fdp dum cantor que paute intervenção!
Não há um fdp dum pintor que pinte um pintelho!
Não há um fdp dum autor que escreva um palavrão!
Não há um fdp dum escultor que esculpa um espelho!
Não há um orador com um colhão a mais do que um coelho!
E as crianças senhor?
Meu Deus o povo está só!
Até Deus fugiu para o céu onde está impávido e sereno à espera que a crise passe!
Meu Deus, o povo está só
à espera da esperança,
desconfiado mas com confiança
nos seus artistas.

O povo está só à espera que o povo aja!

haja paciência - agi-agi-agi-agi-agi-agi-não fugi-ai-ai que morro ali se não nascer aqui-ai-ai-que me aleijei-ai-ai que me fodi- até que enfim que ordinari - pronto enlouqueci!
Eu - Porque escrevi assim?
Comentador anónimo - Texto muito bonito, sentido e sem sentido, és um fdp, és um burguês!...
Eu - Eu?!... Quem está nos hotéis são os cantores!...