quarta-feira, 6 de maio de 2015

Para acabar de vez com a segurança social

Quando não sei do telemóvel tenho uma técnica original e quase infalível que passo a revelar: pego noutro telemóvel cá da casa, ligo para o meu e pelo som consigo-o localizar. Normalmente ele revela-se em sítios normais como o bolso das calças, a própria mão ou em cima do comando da televisão. Mas também já aconteceu estar na gaveta das meias, na caixa dos estores da janela da cozinha e no sítio mais inesperado como na mesinha de cabeceira do quarto da vizinha. E ela, cínica, a bater à minha porta, a troçar do meu espanto:
- Mas como é que raio é que ele foi aparecer em sua casa se a senhora é nove um?!
- Deixe lá vizinho, se fosse o da sua esposa era mau sinal!
Ainda bem que a minha mulher não ouviu esta conversa, caso contrário teria ouvido mais uma discussão típica entre as duas:
- Cala-te que a tua gata é uma cabra!
- E a tua cabra é outra!
Mas quando me desaparecem os óculos, é que é o delas! Além de não dar para utilizar uma técnica, inteligente como esta, tenho dificuldade em vê-los sem os ter. 

Se, comprovadamente, estes desaparecimentos domésticos são sintomas de perda progressiva das minhas faculdades mentais, qual será a relação, que não encontro, entre os mesmos e a segurança social? É verdade que a segurança social participa no custo dos óculos e nos telemóveis não. Mas não deve ter sido por isso que me pus a escrever este texto...

Baixar a Taxa Social Única - a TSU como lhe chamam agora - é uma medida típica da direita neo-liberal que detem o poder.
Baixar a TSU e simultanemaente a Contribuição para a Segurança Social - não sei porque não lhe chamam CSS - é uma proposta atípica, típica, própria, imprópria de quem?!

Anda este gentinha da direita e da esquerdinha preocupada com a sustentabilidade da Segurança Social ou estão a brincar com a nossa saúde mental?

A minha mulher diz: 
- Despareceram-te os óculos?! Ainda bem! Que assim não te vejo!
A minha vizinha, da direita cristã, diz que o problema da Segurança Social é demográfico e que deviam era fazer aos contracetivos o que fizeram com o tabaco e, ao dizer isto, provoca-me um medo enorme de eu me vir a sentir um pai incógnito!... 
O meu vizinho, socialista e social democrata em alternância,  diz que na próxima manifestação vai levar um cartaz a dizer: "não quero que me baixem a contribuição para a segurança social".

Mas está tudo doido?! Acham normal o telemóvel dum tipo aparecer na mesinha de cabeceira da   vizinha e a minha mulher não ter visto que eu tenho os óculos na cara, coisa que me apercebi agora mesmo?!

Estes políticos, democratas cristãos, socialistas, sociais democratas, querem dar cabo da Segurança Social - ponto final. Porquê?! Como travá-los?! Desafio a sanidade mental de cada um a encontrar resposta!

10 comentários:

cid simoes disse...

Resposta? que os que se dizem socialistas ou social-democratas continuem a levar nas corneta até aprenderem. Já conheço muitos...

Zambujal disse...

Que bacorada!
Depois de a ler (com dificuldade porque não sei onde estão os óculos), cresceu-me cá uma TSU que fui fazer serão c'a minha patroa. Às apalpadelas (... porque não sei onde pus os ólicos) e não tenho vizinha onde me esquecer do telemóvel (a propósito: onde é q'ele estará?)

Obrigado, mano (ou primo qu'é aq'ase o mesmo)

Descuipa lá os ebentuais erros mas estou sem ó culos e não me quero repetir.

O Puma disse...

Estás com sorte

a mim desapareceu-me a vizinha

maceta disse...

King

e eu a pensar que já há por aí um naco de Alzeimer, mas não é de certeza porque tu sabe-la toda.
Quando faltam os óculos usam-se as mãos e encontra.se a vizinha em três tempos.

abraço

Fáfá disse...

O que querias era uma vizinha igual à minha mas não é para todos. Ela diz que é da direita liberal.

heretico disse...

a tua vizinha tem razão - "crescei e multiplicai-vos!..."

mas se continuas a perder coisas que fazem falta, qualquer dia nem a vizinha te salva ...

Rogerio G. V. Pereira disse...

Depois de ter passado toda a manhã a falar com comerciantes, a tarde a colar mupis e a noite no Vitória, ao chegar aqui e reconhecer que a tua vizinha é igual à minha, achei empregue o meu dia!

Um anónimo mandou-me um email e disse...

Eu, muito novo, aprendi que quando se não vê, apalpa-se. E depois acontece o que tiver que acontecer.
A vizinha do lado também conhecia esta máxima e escondia-te os óculos, grande malandra. Imagino o que sofreste. Há pessoas muito más…

© Piedade Araújo Sol disse...

original...com um humor que dá gosto ler...

bom fim de semana.

:)

João Miguel Salgueiro Gameiro disse...

Pois isso da sanidade é coisa perdida e é mal geral, nacional...
Uma petite curiosidaaaad : porque leva o telemóvel para casa da vizinha, o melhor é deixá-lo em casa e pedir-lhe uma chave de cofre aonde guarde os óculos ;-)

Majestade ... um abraço e homenagens !