segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Duas bacoradas
Para gente menos esperta não se sentir só:
Depois de Bush ter defendido o abate das florestas para acabar com os incêndios florestais, temos agora o Sarkozy a defender a pena de morte para os kamikazes.
Para gente mais inteligente que pensa diferente de gente com menos humanidade:
Os atentados de Paris terão, certamente, o efeito de levar os mais reticentes a aceitar melhor os refugiados, agora é mais fácil compreender de que fogem aquelas pessoas.
domingo, 8 de novembro de 2015
O que faz uma pessoa ser mediática?
Bom, em primeiro lugar o que faz uma pessoa ser mediática é aparecer nos media. Existirão muitas outras razões que não cabem aqui, mas para aqui chamo apenas a de "ter fluência verbal".
Clara Ferreira Alves, creio que é este o nome, uma rapariga de cabelo curto e pintado de russo, opina num programa qualquer de televisão de que não me lembro agora o nome - para o caso isso também interessa pouco e reparem que nem me dou ao trabalho de pôr o google a trabalhar para confirmar o nome exato! - e tem fluência verbal.
Direi também que li a sua crónica, " Anticomunista, obrigada", porque o título me levou mas não lhe dei, no momento, qualquer importância. Consumi o texto como um, que entre tantos, devaneiam fluentemente, levianamente, sem qualquer preocupação documental (como eu que não me dou ao trabalho de investigar o nome do programa em que a pessoa entra), sem coerência racional, com pés mas sem cabeça , um puro exercício emocional. Tem relativamente ao meu, aqui presente, também emocional, o cuidado jornalístico de se esquivar das rimas e a vantagem de ser escrito por uma figura mediática.
Como vêem, também sei estender texto, a dizer pouco dos factos e a publicitar o que sou.
Sou um tipo com alguma fluência textual porque leio e foi por ler, que ao ver um rol de reações ao texto da "anticomunista", me deu também para escrever. Sou, portanto, também um tipo que vai no embalo dos mídia e, pior ainda, das redes sociais.
Não querendo seguir o exemplo da visada, de escrever um texto sem dizer nada, pronto, dizendo alguma coisa, dizendo por exemplo que o José Saramago gostava mais de António Costa do que de Alberto Camus, que Álvaro Cunhal se zangou com Agustina por ela não gostar dos Esteiros, de que fui estudar para Coimbra com medo do PREC, de que a situação política atual do país se deve à intervenção do KGB e ao presente desleixo do Mário Soares... vou direto ao assunto!
Pronto! A minha questão é a seguinte: Porque é que ao fim de tantos anos da Clara ter estudado em Coimbra só agora é que se declarou anticomunista? Porque é que raio um espaço mediático, as redes sociais, os comunistas e eu, gastamos espaço a comentar o facto da senhora, finalmente, se ter declarado anticomunista?
Tenho a resposta! A senhora recorreu tão velhacamente à sua fluência verbal para se justificar anticomunista que chega a parecer "comunista" dentro da imagem que dos comunistas parece ter! A senhora, portanto, tem medo se si própria! Não é a única! Eu também!
Pois bem, senhora de cabelo curto e russo que comenta num programa qualquer de televisão, que escreve num jornal qualquer, que faz na vida não sei o quê, que pensa não sei como nem quero saber, de agora em diante existe uma razão para eu ser comunista, é a senhora não o ser.
Luís Neves - GPS & MEDIA
sábado, 7 de novembro de 2015
Neste últimos tempos
Nestes últimos tempos é certo a esquerda fez erros
Caíu em desmandos confusões praticou injustiças
Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?
Que diremos do lixo do seu luxo -- de seu
Viscoso gozo da nata da vida -- que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?
Que diremos de suas máscaras alibis e pretextos
De suas fintas labirintios e contextos?
Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto
Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?
Julho de 1976
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
Caíu em desmandos confusões praticou injustiças
Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?
Que diremos do lixo do seu luxo -- de seu
Viscoso gozo da nata da vida -- que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?
Que diremos de suas máscaras alibis e pretextos
De suas fintas labirintios e contextos?
Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto
Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?
Julho de 1976
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
domingo, 1 de novembro de 2015
A ceia da seita
A propósito do post anterior.
Tudo posto em pratos limpos.
- Foste tu que me roubaste o cromo de Eusébio da caderneta do campeonato de 1973.
- Eras tu que ias roubar as sobremesas à cantina!
- Foste tu que me deste a conhecer a Gina!
- Tu não estudavas nada senão os livros do major Alvega!
- E quando tu montaste uma engenhoca que quando o padre abria a porta o rádio desligava?!!
É claro que não foi só isto.
O operário que já teve um acidente que ia morrendo. O coronel que já esteve no Afeganistão a fazer nada. O funcionário público que tem dois filhos de três mulheres. O padre que o deixou de ser a tenpo de fazer filhos. O aposentado da marinha que cria porcos. O juiz que trabalha que nem um condenado. O outro de que não se sabe o paradeiro. O motorista da rodoviária. E claro, eu, aqui fotografado entre os demais. Um deles. Ou eles todos. Esta era a ceia que me faltava. Comi que nem um padre.
Primeira foto, primeiro ano e última foto, no último ano. Quem sou eu? Adivinhem porra! Nem eu sabia que era eu numa delas! Gostei tanto de me terem revelado estas fotos!
Tudo posto em pratos limpos.
- Foste tu que me roubaste o cromo de Eusébio da caderneta do campeonato de 1973.
- Eras tu que ias roubar as sobremesas à cantina!
- Foste tu que me deste a conhecer a Gina!
- Tu não estudavas nada senão os livros do major Alvega!
- E quando tu montaste uma engenhoca que quando o padre abria a porta o rádio desligava?!!
É claro que não foi só isto.
O operário que já teve um acidente que ia morrendo. O coronel que já esteve no Afeganistão a fazer nada. O funcionário público que tem dois filhos de três mulheres. O padre que o deixou de ser a tenpo de fazer filhos. O aposentado da marinha que cria porcos. O juiz que trabalha que nem um condenado. O outro de que não se sabe o paradeiro. O motorista da rodoviária. E claro, eu, aqui fotografado entre os demais. Um deles. Ou eles todos. Esta era a ceia que me faltava. Comi que nem um padre.
Primeira foto, primeiro ano e última foto, no último ano. Quem sou eu? Adivinhem porra! Nem eu sabia que era eu numa delas! Gostei tanto de me terem revelado estas fotos!
Seminaristas de Leiria 1972 - futuros padres
Seminaristas de Leiria 1977 - futuros ex-seminaristas
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