sábado, 28 de maio de 2016

Quando a direita vem à rua...

No Brasil, o poder da TV afrontou a democracia. Ao mesmo tempo que uma parte da classe política corrupta conspirava nos corredores levando a cabo o golpe, ao mesmo tempo que os mais favorecidos, perdendo favorecimento em resultado da aplicação de políticas de distribuição de riqueza, se manifestavam em faustosas manifestações de avenida, obrigando amas e usando as suas crias para encher as câmaras, a televisão brasileira, tomando o partido dos seus donos, aplicava descarada e porcamente as técnicas de informação e desinformação, no que era seguida jumentamente pelas televisões portuguesas. Bem sabiam que a informação alternativa não chegaria para lhes fazer frente porque a opinião pública que conta só vê telejornais e manchetes de jornais.

E assim, se inculcou na superfície das massas a ideia generalizada de que a crise do Brasil era um caso de corrupção generalizada ao nível do governo, combatida por gente limpa com direito ao poder e apoiada pelo povo brasileiro.

Com o mal feito e a destituição praticamente concretizada, os media, percecionando a sua desacreditação, começaram gradualmente a virar o bico ao prego e, afinal as coisas já não são bem assim... e começaram até a passar imagens tímidas de manifestações em defesa dos democraticamente eleitos.

Feitos os estragos, ficarão as imagens de camisolas amarelas vestidas por gente de bem, num país onde tanta gente vive mal, fazendo declarações de raiva em terras de samba, empunhando temores de demónios comunistas aonde ainda há tribos comunitárias. De lição servirá que a direita, quando se manifesta, pode não ser tão autêntica como a esquerda mas pode ser mais eficiente.

Tão eficiente que o estímulo e a receita atravessaram o oceano e vieram para cá. Nem se deram ao luxo de mudar a cor das camisolas.
A pretexto do que era somente a determinação de fazer cumprir uma lei, assanharam as unhas das suas ideologias que deram como mortas e ressuscitaram-nas.
Diremos nós, de ideologia viva: "Bem vindos! É isso mesmo! A questão é ideológica!". Aceitaremos até, para marcar divisões, que também os  pregadores dos jornais televisivos vistam farda amarela ilustrando as notícias do assunto. Desprezaremos o facto de alguns amarelos tenderem para os laranjas que é cor base do partido cuja base ideológica nega a ideologia.
Mas do que se trata meus senhores, o que leva as televisões a dedicarem horas a manifestações de centenas de pessoas quando se apressam a esquecer multidões de milhares, é que os porta vozes e os pais e as mães das crianças que arrastam pelas mãos, são da sua direita!
E olhem o Brasil! Quando a direita se manifesta não é por haver liberdade nem democracia, é porque não as toleram!
Cuidado com as camisolas amarelas, vejam a facilidade com que os media tomam a sua cor, a forma como manuseiam a mentira, a falta de princípios com que usam as crianças. Vale tudo, nem que seja o 13 de maio.
Fotografia que anda por aí!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Só fumo por razões políticas


A nova lei do tabaco pode, à primeira vista, parecer apenas mais um lei, um assunto menor que apenas diz respeito aos fumadores, apenas mais um entretem para nos distrair do essencial. Mas não! Estas abordagens sucessivas a questões aparentemente secundárias são, muitas vezes, demonstrativas da natureza hipócrita dos seus autores, do desrespeito que têm pelos cidadãos e da crueldade, que rudemente surge, quando se descobre um ceguinho em quem bater.

Como fumador, posso ser considerado um doente, um desrespeitador ou um irresponsável, mas estes senhores legisladores são o quê?! Lembrarem-se, depois de tantas medidas políticas, de colocar nos maços de tabaco imagens de cancros, de moribundos e caixões, só pode ser ideia de gente doente. Também eles são doentes e, as suas razões, são de tal modo (in)fundamentadas que chegam a usar o argumento mais estúpido que se pode arranjar: "nos Estados Unidos já é assim!".

Numa sociedade saudável, como a que eles ideologicamente querem decretar, surgirá entretanto um imposto sobre o sal e sobre o açúcar e nos rótulos das embalagens destes ver-se-ão também caixões. E já agora também nos rótulos das garrafas de vinho, da cerveja e do toucinho! E porque não, colocarem caixões ao longo das bermas das estradas para o pessoal moderar a velocidade?!
Se o objetivo é fazer com que nos sintamos culpados, andemos tristes e com o pensamento na hora da nossa morte, vós, ó homens com tanto poder que até o tendes para decidir as imagens dos rótulos das embalagens, já o conseguistes: este país está em vias de tornar-se num gigantesco caixão!

É preciso viver continuamente com o medo da morte certa. Qualquer coisa que entre pela goela abaixo é sempre uma das principais causas duma doença, doença essa que figura entre as principais causas de morte. São as notícias nossas de cada dia. Mas em verdade, em verdade vos digo, virá um dia uma epidemia de cujo vírus só se salvarão os fumadores!

Já chateia esta obsessão com o tabaco porra! Faz mal, provoca doenças, provoca cancro? Cabe a cada um decidir dentro da sua liberdade!
Não se pode fumar em determinados locais? Certo! Mas não venham a seguir com a proibição de fumar onde o ar é livre, enquanto não taparem todos os escapes e chaminés da atmosfera pública!
O tratamento de pacientes com doenças que comprovadamente advêm do hábito ou vício de fumar é pago por todos? Então e onde aplicam os faustosas receitas dos impostos sobre esta droga? Então e se um tipo morre mais cedo, já viram o que se poupa em reformas e pensões?  Então e aqueles que sofrem porque abusaram do sal, do açucar ou porque não respeitaram um sinal de trânsito?

Mas pronto! Ai de quem conteste! Está visto que enquanto a pele não romper, a maceta não vai parar de bater no bombo do fumador! A seguir virá a proibição de puxar por um maço de cigarros em público porque as imagens da embalagem podem traumatizar as crianças!
E, sempre que estiver em cima da mesa tomar medidas para equilibrar as contas públicas, haverá sempre um político idiota que levantará o seu braço luminoso:
- Tive uma ideia! Aumentamos o imposto sobre o tabaco!

E eu, que ando há tanto tempo para deixar de fumar, lá terei de puxar por mais um cigarro como forma de protesto! 

sábado, 7 de maio de 2016

Escolas, colégios e águas de bacalhau


De que lado estão os media no debate que se coloca sobre o cumprimento dos contratos de associação com os colégios privados? As reportagens não deixam dúvidas!
Em primeiro lugar, ai da direção duma escola pública que ousasse instrumentalizar os seus alunos, indo-os buscar às salas de aulas para manifestações de “televisão ver”! O Carmo e a Trindade chegariam ao Lumiar e a Carnaxide! 
Em segundo lugar, a areia dos títulos e dos comentários tem deitado aos olhos a ideia falsa de que o que está em causa é o fim dos contratos de associação com os colégios, quando a informação – obrigação primeira de quem faz as notícias – deveria ser que existem colégios que, com os financiamentos que lhe são prestados para prestarem serviços na área da sua rede, vão recrutar “clientes” a zonas exteriores, com carreiras de transporte que não são permitidas a qualquer escola pública; que  outros  casos serão de empresas-negócio da área da educação que, por portas travessas e conluios políticos conseguiram contratos em espaços sobrepostos com escolas públicas, concorrendo com elas com operações de marketing, liberdade de gestão financeira e desregulação laboral que às públicas – e bem! – são vedadas.
Em terceiro lugar, contrariamente à imagem que os media não se cansam de passar, a qualidade não é propriedade privada e o desemprego dos professores não é público nem é privado – é desemprego! Não é necessário despedir professores. Os professores do ensino privado sabem bem que trabalham muito mais horas letivas do que aquelas que lhes permitiriam prestar um ensino de qualidade e existem também muitos professores do ensino público, desempregados, que são necessários ao ensino para elevar a sua qualidade.
E não há três sem quatro, os media de opinião deveriam ir além do senso comum, quando replicam as falácias de que “cada um deve poder escolher a escola que quer para os seus filhos”, ” do que não interessa se é privado ou púbico, o que é preciso é serviço” ou de que – no que há contas para todos os gostos – de que “o ensino privado fica mais barato que o ensino público”!…
Contas feitas, e disso estamos todos à espera, é louvável a intenção do governo de apenas, e só apenas, fazer cumprir a lei. Mas a isso, os media fora-da-lei, não têm dado atenção!
Entretanto, a opinião comum nada espera, interesses ocultos, cardeais seculares e manifestantes domésticos negociarão com secretários e as letras da imprensa navegarão em águas de bacalhau! O primeiro ministro ficará com os louros de afrontar os interesses instalados, os proprietários dos colégios agradecerão diante dos crucifixos das suas salas de aula enquanto os pais e professores dos meninos os ensinarão a temer os ideais socialistas da constituição. Todos vamos ficar muito satisfeitos e esquecidos que, afinal, mais uma vez, o arroz não trazia bacalhau. 
Esperemos que não, a ver vamos! Esta é uma oportunidade única para avaliar a relação do governo com a escola pública, o cumprimento da lei e da Constituição da República. Esta é, para muitos, a primeira prova do governo!