domingo, 31 de dezembro de 2017

O discurso da hérnia

Eu é que beijo,
Eu é que abraço,
Eu é que sofro como o povo,
Eu é que fui a Pedrogão,
Eu é que venço nas sondagens,
Eu é que dito os acontecimentos,
Eu é que apareço na televisão,
Eu é que sei.

Eu é que sei se as leis são boas ao más,
Eu posso vetar.
Eu é que opino se os juízes julgam bem ou não,
Eu sou de direito.
Eu é que digo como o governo deve governar,
Eu sou o mais eleito.
Eu é que dito se os professores ganham bem ou mal,
Eu sou o professor.

Eu sou frenético,
Eu sou incansável,
Eu sou omnipresente,
Eu sou incontestável;
Eu sou o desejado.
Eu sou querido,
Eu sou querido por todos,
Eu sou o Marcelo.

Cum Caetano! Eu venci a história! A mim não é qualquer hérnia  que me leva o umbigo!
Eu é que sou o presidente!
Eu sou o homem de 2017 e 2018.
Que pare o país:
A minha mensagem vai passar em todas, todas as televisões, todos se vão pronunciar sobre a minha mensagem!

E, no entanto, já todos sabemos o que vai dizer e que o que vai dizer não vai dizer nada de novo!
É assim, a vida! Vai ser assim o ano novo.

3 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Lido e relido o discurso
Demostra-se, com clareza
Que o abstruso
Tem uma outra hérnia...na cabeça

do Zambujal disse...

Ele é que (já)!
Nós é que (ainda) não!

Boa malha
e abraços daqui para aí

Luis M Borges disse...

Para mim, presidente há só um, o presidente HÉRNIA e mais nenhum. Kkkkkkkkk. Que manteigueiro tão rançoso..