terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Reinventar - a palavra inventada.


Inventar, se não se tratar do invento duma máquina, dum remédio ou duma solução, pode ser sinónimo de mentira, de pura ficção ou de inventona. Ora, a democracia, Portugal, os portugueses, não foram inventados; nasceram, foram nascendo ou nasceram em  cada dia, de modo que não podem ser reinventados, quando muito poderiam renascer perante o reconhecimento de algum golpe fatal que lhes tivesse determinado o óbito.

Um mero discurso do calendário televisivo, habitual e obrigatório, tão rotineiro como o natal ou a passagem dos anos, obriga a uma série de discursos de política ordinária que cumpre a sua rotina com o seu comentário habitual e obrigatório ao discurso mãe do ano. Cada um encontra, na retórica, na subjetividade e na formalidade do politicamente correto do sumo presidente, uma razão que lhe dá a sua razão, a frase que vai ao encontro daquilo que tem de dizer ou escrever. A este ridículo junta-se a notória intenção da mensagem transmitida já ter siso arquitetada de modo a não dar espaço a críticas, a discordâncias ou ser ignorada, dizendo tudo sem dizer nada, não passando de mais uma banalidade da época festiva.

Até aqui nada de novo, a novidade que os jogadores da comunicação inventaram este ano foi a de sacar uma palavra e começarem a jogar com ela, a fazer dela a bola que os diverte a eles e à assistência.

Só se pode reinventar aquilo que se inventa, só pode renascer aquilo que está morto, só se deve operar quem está doente e um doente deve ter sempre uns dias de convalescença. Cheira-me, por isso, que o discurso ainda vai piorar. Não se deve dizer que este presidente se não nascesse tinha de ser inventado, deve dizer-se que este presidente nunca devia ter sido batizado, não porque a água lhe tenha feito mal à testa mas porque as prendas de natal do padrinho ainda lhe estão na cabeça.

Releio o texto e concluo: eu também era capaz de redigir a mensagem do presidente!...

4 comentários:

do Zambujal disse...

Muito bem!
Isto é a sério!

Rogerio G. V. Pereira disse...

Donde, a imprensa passou a ter um problema: esconder a previsibilidade do pensamento do Presidente...

Manuel Veiga disse...

ainda veremos (salvo seja) os ossos do padrinho nos Jerónimos
e é bem feito, se nos pusermos a jeito!

abraço, L.N.

Mar Arável disse...

Pior- Marcelo estava lúcido