Nunca mais chegaremos a casa de madrugada, procurando em todas as gavetas um cigarro vivo.
Não voltaremos a descer a avenida grande, ditando palavras de ordem, nem voltaremos a colocar-nos na frente do piquete de greve.
Os nossos corpos não tinham o direito de nos trair, mas nós não traímos os nossos filhos, como os nossos irmãos traíram os nossos pais.
Olha ó que nós chegámos, Emanuela. Se falarmos de paz à mesa de Natal, sentiremos o poder de fogo daqueles que cresceram na mesma lareira que nós. Por incrível que pareça, esta é a maior tragédia das nossas vidas: maior do que o ar de dor dos hospitais, maior do que a cruel consciência de que o fim está por detrás daquela nuvem em que nos fazemos transportar a cada dia. Afinal, nunca fomos deles, nem eles foram dos nossos.
Valha-nos termos lido o suficiente para aprender a tirar prazer da claridade, do silêncio das noites em que não dormimos, dos nossos filhos que ainda nos pedem embalo no berço. Mas o maior prazer que aprendemos juntos foi a gostar dos dias chuvosos:
- Que bom! Hoje não está nada bom para sair de casa...

5 comentários:
Fique triste com esta bacorada...
e voltei a ler
e voltei a não entender
Afinal... o que está consumado?
Então, Monarca? Esmoreceu-lhe a vontade de escrevinhar?
Não sei o que se consumou, nem o que o consome, mas seja lá o que for se ficar ensimesmado, macambúzio e zangado com a vida, também não é vida. Por isso, vamos lá a arrebitar, para dar algum ânimo aos bacorinhos.
Força! :)
Para a frente é que é caminho. Força.
Pronto, meus amigos, mudei o título!
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