Eu queria ser marinheiro. Depois de ter chumbado na admissão à Escola Náutica e à Escola Naval, concorri à Marinha de Guerra. As provas foram na Base do Alfeite e, logo de manhã, fizémos análises clínicas.
E estava eu com uma mão na coisa e outra no frasco, sem conseguir deitar pingo, quando aportou no urinol do lado um marinheiro raso e de farda encardida. Apercebendo-se que eu estava em dificuldades, atirou-me com jactância:
- Não consegues?
- ...
- Dá cá!... (Tcheeeeeee!) .... Toma lá!
Nunca esquecerei o gesto solidário do soldado desconhecido num momento de inversa, ou perversa, aflição.
Chumbei nos testes por alegadamente ser daltónico. Explicaram-me que era um grau leve mas que, por exemplo, me poderia impedir de não distinguir ao longe se um navio era nosso ou do inimigo.
E eu que pensava que todos os barcos de guerra eram pardos e que iria ser eliminado pelos testes à urina.
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