terça-feira, 28 de junho de 2011

Fabrico de terços

Terços daqueles de rezar! Para quem não percebe porque deles rezo, lembro Maria do Rosário, aquela com quem, ainda há poucos dias, estabeleci conversa na sequência duma reclamação de uma "santa" adquirida na sua loja. Pois outras coisas ela me contou sobre o fabrico de artigos religiosos e, entre elas esta, curiosa, que não resisto a contar:

Crescia Fátima nos salazarentos anos trinta, já a Fé em milagres do Céu fazia milagres comerciais de vendas de santinhos, de água, de vinhos e enchidos quando um pastor, pouco pastorinho, começou para lá a caminhar em dias de ajuntamento, para vender os seus terços artesanais. Eram feitos de caroços de azeitona, que era o que por ali mais havia  além de pedras e pobreza. A mulher aos serões esburacava as "contas", uma a uma, com uma sovela e ele durante o dia encadeava o arame nos terços.
- Mas um terço feito de caroços de azeitona não seria muito agradável à vista?!
- Para os fazerem brancos, davam os caroços a comer às ovelhas para que a passagem pelos seus intestinos os fizessem brancos. No outro dia era só pôr a criançada  a dissecar caganitas e o produto estava revestido de um branco imaculado.

E foi assim que começou por aqui a indústria de produtos religiosos. Um dia o pastor já entusiasmado pelo sucesso do negócio foi a Lisboa, descobriu bolinhas de vidro da Marinha Grande já com o furo feito e tudo, e então aí,  foi um ver se te avias até aos nossos dias.

11 comentários:

antónio ganhão - o implume disse...

Sou favorável à recuperação do artesanato "original".

O Guardião disse...

Também sou favorável ao artesanato manual e à utilização do produto nacional, e até estou a pensar em propor o envio de terços feitos com caroços de azeitona ao professor Cavaco, que é um dos que mais me incentivaram a preferir o que é nacional. Viva o patriotismo regurgitado.
Cumps

Compadre Alentejano disse...

Muito interessante!
Fiquei âdepto dos terços de caroços de azeitona cagados pelas ovelhas...
Abraço
Compadre Alentejano

JFrade disse...

A propósito de caroços.
Sabem o que é que os japoneses fazem aos coroços das cerejas?
?
?
?
?
?
?
?
?
?
?
Pois, deitam-nos fora!

JFrade

Gentes de mão e alucinados é que se queimam em revoluções e prisões disse...

Gentes de mão e alucinados é que se queimam em revoluções e prisões

ora este

ESTE NOBRE POVO nem sequer teve a pequeníssima coragem de reconhecer a coragem

COORAJOZA E ANDRAJOZA DESSA CHUSMA DE GRANDES LADRÕES SEM EMPREGO

daqueles lADRÕES que enfrentaram a LADROAGEM DA ditadura com a prisão e o exílio

OU SEJA AQUELES QUE FORAM APANHADOS PELA BÓFIA E OS QUE CONSEGUIRAM FUGIR

E QUERIAM QUE RECONHECESSEMOS AQUILU QUI O POVO AMARGOU SEM SE QUEIXAR

SER PRESO POR ROUBAR O QUE ERA SEU

E EXILAR-SE POR NÃO PODER COMER O QUE ERA SEU

OLHA QUE GRANDE CORAGEM ESSA DE NÃO CONSEGUIR FUGIR OU DE FUGIR DEPRESSA DEMAIS

que me lembre Soares foi pra são tomé não foi para o Tarrafal

O Gajo Tá Vivo Mas Nã Se Meche disse...

resumindo vai-te aos teus terços

e avança contra os terços dos restantes

Manuel Silva disse...

Oh Pata Suja, quem são estes gajos?
M. Silva

maceta disse...

Amigo Pata
que sabe mais a dormir do que muito asno de olho bem aberto:
até que esse casal tinha aquilo que agora pedem - imaginação. Engenho e arte que, de não havendo matéria-prima civilizada, consegue fazer produto para adormecer as massas...

abraço

Cristina Torrão disse...

De caroços de azeitonas? Uau! Voltemos às origens, era um sucesso com os turistas estrangeiros. Disso não têm eles nas suas terras!

Fernando Samuel disse...

Esta história da história do terço desde o nascimento até aos dias de hoje é uma grande história!

Um abraço.

Manuel Silva disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.