segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Imposto com cor

Governar, entre nós, não é a arte de distribuir, é um ver se te avias a desbaratar. Para conseguir fundos, ou há alguma coisa à mão para vender - privatizar - ou então, basta sacar da mais básica imaginação e atirar com uma nova taxa, imposto ou contribuição.

E assim podem surgir coisas tão rídiculas como a taxa municipal de direito de passagem (ai o meu primo que só anda de helicóptero e não me visita porque tenho o quintal coberto de linhas aéreas e ninguém me paga nada por isso), como a taxa da Câmara de Lisboa a quem sai dum avião em Sacavém  (não me afeta, nunca andei de avião) ou como o recém nascido imposto verde.

Um candidato a presidente da junta consegue ter mais votos na proporção em que consegue pôr mais fregueses a comer sardinha assada; um candidato a presidente da câmara ganha as eleições na proporção em que consegue pôr mais munícipes a comer porco no espeto; um candidato a primeiro ministro consegue ser eleito na proporção em que consegue ter mais gente num concerto do Pedro Abrunhosa; um candidato a presidente da república faz de Cavaco e ganha.

Depois de tomar posse é só ...
Chama-se verde mas é nu cinzento, é hipócrita, é vil, é nojento,  não tem nada a ver com  a natureza, é cego, é para cegos, é uma afronta à nossa consciência.

Aproveitando a baixa do preço do barril, no país com mais impostos sobre os produtos petrolíferos, num governo preocupado com a competitividade das empresas e com os impostos da famílias, eis a resposta: um imposto verde cujas receitas não serão aplicadas em políticas ambientais mas que irão para o monte do IRS.
Acabem então de vez com o IRS e façam tudo imposto verde! Um grande e único imposto - a unicidade é sempre o fim mas a fecundidade traz sempre mais um - onde a gente pague por ter direito a andar de avião, de carro ou bicicleta, por viver numa casa, dormir na pensão ou num cartão, por trazer o pão e os fósforos num saco de plástico, por telefonar à mãe e a comunicação passar por uns cabos que passam por baixo do alcatrão,  por deitar as garrafas de vinho no vidrão, por puxar o autoclismo. Façam de tudo imposto verde, preto, vermelho ou da cor da puta que os pariu e não me venham mais com a cantilena de que sempre que nasce um imposto é para proteger os mais pobres.

Nota: não existem taxas, contribuições, multas, dádivas, esmolas - é tudo impostos.


7 comentários:

Zé Povinho disse...

Eles dizem que é verde, mas são daltónicos pois eu era capaz de jurar que eram da cor da bosta da vaca Malhada que está no pasto ao lado da casa...
Abraço do Zé

O Puma disse...

Por todas as razões incluindo as higiénicas a este desgoverno devia ser imposto a queda a pique num aterro não sujeito a reciclagem.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Boa malha, digo
concordando em (quase) tudo contigo
Apenas discordo de que esmola seja imposto
não é, nem devia ser, e a minha proposta é esta
esmola deve ser abatida à colecta
e mesmo quando não seja fartura
o empobrecido deve passar factura


pela maior probabilidade d

cid simoes disse...

Tem sido imposto, é imposto e vai continuar a ser imposto, são eles que impõem o imposto... rosa, laranja e azul-e-amarelo dos impositores engenheiros e doutores.

Anónimo disse...

A minha alma está parva! Bem me disse o meu primo Crisântemo que o Pata Negra tinha voltado ao blogue e que estava "ainda" melhor. Pensei que ele estava a reinar comigo, mas não. Voltou sim senhor e está "ainda" melhor sim senhor. Estou danado comigo mesmo porque só hoje aqui voltei. O que eu tenho andado a perder...
Pois também eu estou pelos cabelos com tanto imposto. E como é imposto o Zé paga mas bufa, ai se não bufa. Mas agora, para os funcionários públicos, já falam em reposto. É suposto que o reposto seja a devolução do imposto que lhes foi imposto. Será? Não me parece. Cá para mim não passa de propaganda para caçar uns votos aos incautos nas próximas eleições.
E o amigo Pata Negra tem toda a razão: para além dos mil impostos, designados como tal, há as taxas, taxinhas, multas, coimas e outras contribuições que imaginação, neste mister não falta aos iluminados que nos (se) governam.
Também discordo da ideia Costa de cobrar uma taxa a cada passageiro que desembarque na Portela ou na margem lisboeta do Tejo. É que vão ser necessários tantos 'guichets' que a receita não dará para pagar as instalações, o equipamento, o pessoal e demais despesas. Em suma: é uma medida que condiz com a grandeza de quem a decidiu.
Até amanhã.
Malmequer Bicicleta (Primo da Rosa Mota)

Isabel Lourenço disse...

muito boa,dá gozo ler a tua escrita!

Zambujal disse...

Muito bom, pá!
... 3 o problema maior, MAIOR, nem está nos impostos que nos são impostos mas na sua aplicação. Cá por mim até gostava de pagar impostos para um SNSaúde. para uma educação universal e gratuita, para uma rede de transportes e comunicações ao serviço dos cidadãos, sem portagens e motivo para grandes negociatas...
Bom... desculpa lá o relambório!
Continua, por favor.