sábado, 16 de abril de 2016

Não sabem distinguir um pássaro duma pássara


A comunicação social gosta do Bloco, o Bloco gosta da comunicação social. Existe uma espécie de relação platónica entre ambos. Os agentes do Bloco pescam ideias nas esplanadas dos cafés de Lisboa que têm as câmaras de vigilância diretamente ligadas às redações e faz-se logo luz, notícia, discussão, polémica, tema de conversa; agitam-se as redes sociais - antes as redes sociais do que os mercados! A governança descansa, a oposição limpa as unhas, fazem-se grandes transações e a realidade escapa-se por entre os dedos das massas obreiras.

A comunicação social, o Bloco, as pessoas que discutem estes assuntos, os perfis digitais que os ampliam, partilham uma adjetivação comum, não dita aqui porque é um palavrão. 

Entretanto o Senhor Carlos Costa... deve ser uma pessoa muito competente e séria, caso contrário não teria chegado a Governador do Banco de Portugal! O mesmo se deverá dizer  do Senhor Governador do Banco Central Europeu! Ai se tivesse sido o desgraçado do Cavaco a convidá-lo! Ai a agitação que teria provocado nesta gente! Assim não, veio cá, bolsou e ninguém se agitou! Tudo certo devagar! Palminhas mãos ao ar!...

Embora, aparentemente, também aqui se esteja a bater no caso do género do cartão, a questão aqui não é estar dum lado ou de outro, porque a estupidez não tem lados. Pretende-se apenas recordar que numa guerra a sério, no momento da batalha, não se caçam coelhos nem se atira aos pardais, por muito que se esteja enjoado da ração de combate! Ainda por cima, duvida-se que entre estes soldadinhos haja alguém que saiba distinguir um coelho dum coelha ou um pássaro duma pássara mas, no entanto, vêem sexo nas palavras. 
Mas pronto, vou ter uma recaída e armar-me em engraçadinho: porque não dão ao cartão a designação de Bilhete de Identidade?!

(as palavras podem ser dum sexo ou de outro mas não têm sexo - não há palavras macho nem palavras fêmeas)

domingo, 3 de abril de 2016

Para Angola, rapidamente e em força!


Não nos sai da memória nem do coração o Portugal Ultramarino, a missão católica de civilizar indígenas, o direito histórico que temos sobre povos que trouxemos ao colo e à chapada antes de se tornarem autónomos e, contra nossa vontade, se transformarem em nações para, bem ou mal, andarem pelo seu próprio pé!
Definimos-lhes as fronteiras, oferecemos-lhes alfaiates para os fatos  dos seus chefes e demos-lhes o mote para as suas leis e os seus sistemas judiciais. 

Mas é preciso estarmos vigilantes. Podemos tolerar guerras fratricidas entre eles, o petróleo bruto e sujo que compra meio Portugal, os meninos de Luanda, mas nunca permitiremos que um grupo de jovens pequeno-burgueses seja condenado por, segundo a nossa imprensa completamente séria e independente, ter lido um livro em colectivo.

Sobretudo porque não se passa na Zâmbia, no Quénia ou na Nigéria! Passa-se em Angola um país que se saiba, ainda é um bocadinho nosso!

E então, há que pôr a soberana Assembleia da República, da república tutora, a atirar juízos sobre a decisão judicial do jovem país soberano. Não interessa, portanto, que não se tenha igual zelo para situações bem mais claras de limitações à liberdade de expressão, que se ponha em causa o superior interesse da nação no que toca a relações entre nações, que se esqueça o que se passa dentro da nossa própria casa, Angola ainda é um bocadinho nossa e isso basta.

Esqueçam! Colonos saudosistas! Angola já não é nossa! ACABOU-SE!

Mas pronto, por cá, pode haver diferentes opiniões, estamos num país livre! Mas ai de quem não se levante para condenar, quem não atire pedras à nação adúltera! 

Sabemos que certa esquerda benetton e certo esquerdismo de podoa, mais do que atacar o governo de Angola, os negócios dos sócios do PS/D ou do CDS, se baba de indignação pela esperada serenidade dos comunistas portugueses que, diz-se, só o fazem porque o MPLA paga terreno na Festa do Avante! Conhecemos bem a lista dos convidados do casamento de Isabel dos Santos. Aprendemos que as primaveras árabes, cariocas ou da china, trazem sempre uma ideia engraçada e peregrina: vamos propor um voto!...

Dou-me bem com toda a gente, até com Deus mantenho uma relações bastante satisfatórias, baseadas no princípio da não ingerência nos assuntos internos. Estou solidário com os presos políticos de Angola e de qualquer parte do mundo. Não simpatizo com as oligarquias de poder que se parecem ter formado em muitos países africanos. Com estes media, sei muito pouco do meu país, quanto mais de Angola! Com esta esquerda mediática, sinto-me muito mais sereno com a esquerda silenciada!...

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Nunca minto


Nunca minto! Posso enlear-me nas teias da ficção, encarnar um suíno, ou dizer que navego em águas turvas quando, na verdade, não sou barco nem peixe, mas nunca minto!

Hoje é dia das pessoas se divertirem com mentiras, irreprováveis, porque é dia 1 de abril. E a brincadeira chega até aos noticiários e às manchetes dos jornais!...

Terá graça nos indivíduos de quem nunca se espera uma mentira mas é paradoxal nos média que com arte e engenho nos mentem todos os dias!

E, dito isto, num tempo em que há dias de tudo e para tudo, em que o "dia de" está banalizado, eu não acrescento mais um, mas proponho uma troca, que o dia 1 de abril passe a ser o Dia da Verdade, o dia em que ninguém, nenhum jornal ou televisão mente!