sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Um bom ano é o quê?



Um presidente da república, um chefe de governo, um rei, tem por dever, obrigação e tradição o hábito de se fazer às mensagens de natal e ano novo. Também eu, monarca auto-coroado, direi de meu enfado.

Desejo a todos um bom ano, por isso, poupem-me o latim e não me exijam todos os dias os bons dias. Desejo que todas as portas a todos se abram, leiam se dizem "puxe" ou "empurre" e ajam em conformidade, desprezem as de abertura automática. Desejo que encontrem tudo aquilo que procuram, seja nos corações, na carteira ou no google.

Passem um bom revirão e não deixem de beber por conduzir, são tudo tretas! Ouvi hoje um GNR dizer que um em cada três condutores acidentados acusa álcool, para concluir que o consumo de bebidas alcoólicas está relacionado com os acidentes. Ora que eu saiba um é menor que dois o que, alinhando nessa relação a lógica, seria de concluir exactamente o contrário. Se um dia se lembrassem de associar a condução à cor dos olhos chegariam por certo à conclusão que a maioria dos acidentes se dá com pessoas de olhos castanhos?

Esta reflexão serve apenas para desejar que no novo ano não sejamos mais azucrinados com números e estatísticas parvas, da saúde ao bem estar, do trabalho à economia, da fornicação à onania.

Um bom ano é o quê?

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Esgotado o livro dos bácoros - obrigado!

É com enorme satisfação, ou imensa pena, que informo que "o bácoro que me persegue" está esgotado.


A todos os que contribuíram para isso, um obrigado. Foram mais de três meses de expediente, com idas aos correios, com entregas pessoais, de contabilidade doméstica afinada, entre expedidos, vendidos, distribuídos, oferecidos e até trocas, lá se foram todos e, por distração, quase eu ia ficando sem nenhum.

Sinceramente não esperava. Até porque não era esse o objetivo primeiro - esgotar a tiragem. Picado por próximos, decidi-me a ele um dia, papel é papel, livro é livro e, se memória futura se deseja, tenho medo que um dia os discos magnéticos, a nuvem ou o próprio blogger, sejam atacados por uma doença informática e, dum momento para outro, horas de devaneios de escrita se evaporem na atmosfera caótica da sociedade da informação.

Sabia de antemão que não seria de esperar que a fidalguia da corte, profunda conhecedora das prosas do monarca, se interessasse por aí além, que santos da casa, gordos de curiosidade, passassem pelos buracos das fechaduras, que leitores do José Rodrigues dos Santos ou do Nicholas Sparks, gente de facebooks mas não de blogues, se dessem ao trabalho de adquirir um livro de bacoradas.

Sabia também que de autores menores, as editoras não procuram os ganhos com as vendas, que serão sempre escassas em linha com a discrição da divulgação, mas usurpam o necessário lucro do bolso do próprio autor.

Sabia ainda que o que escrevo, que procuro sempre num verbo que cative quem pouco lê (quem muito lê tem mais que ler), não é nada que mereça ser de banca; que o vernáculo brejeiro e a impudência podem desagradar a culturas mais sensíveis; que o amadorismo popular aprisiona a ficção ao autobiográfico e que a autobiografia só se tolera depois da fama.

Por fim, teimoso no que é meu, avesso à exposição pública, por idiossincrasia, temeroso à microfonia, teimei que o livro só circularia em comércio clandestino ou na candonga.
E pronto, está esgotado, prometo que não falarei mais do dito que já muito ego revelei aqui por o ditar, deixo-vos apenas com três histórias que com ele se fizeram acontecer.

Da primeira vez a senhora dos correios nada estranhou, lá para a terceira ou quarta, começou a habituar-se mas, como as entregas se começassem a repetir e alguns vales de correio a levassem a perceber que se tratava de negócio, um dia, ao deparar-se com mais um despacho, largou-se com um comentário:
- Está a vender bem ao que parece!
- Desculpe, não percebi!
- O livro, só pode ser um livro que anda a vender!
- Ah! Mais ou menos! - disse eu sorrindo.
- Sabe, há pacotes que denunciam o conteúdo mas mesmo assim nos aguçam a curiosidade.
Abri a pasta e perguntei-lhe:
- Quer um? Ofereço-lho!
- Muito obrigada por me matar a curiosidade.

O meu amigo Lúcio Mouco vende velharias na feira e conhece-me por eu lhe perguntar o preço de quase tudo e não lhe comprar quase nada. Vende torneiras avariadas, lavatórios rotos, louça rachada, puxadores ferrugentos, santos partidos, vinis riscados, vende tudo, até livros velhos. Propus-lhe então, ao meu alfarrabista, a venda pública e exclusiva dum exemplar. Ele aprontou-se. É simples, rasga-se a página que tem o ano, amarrota-se um pouco, massaja-se em farinha para lhe dar pó e, como tudo, pode dar venda. E vendeu o primeiro e o segundo, julgo, ainda por lá anda entre outros no caixote da especialidade.

Não esperava que quem já me conhecesse do que escrevo me fizesse apreciações elogiosas à obra de autor de livro único ou que desconhecidos me mandassem mensagens para expressar particular agrado pelo que leram. Não tive observações especiais ao seu conteúdo mas tive ao objeto, à capa e até ao tipo de papel. Também houve um que se descaiu e largou-se  com a dita "hoje em dia qualquer um já escreve um livro". Arreliado com estas reações? Não! Acho normais, como conhecedor maior do meu papel, do meu lugar e dimensão! ...
Mas o comentário mais excêntrico, foi dum amigo, que ao ver-se em mãos com o objeto fez a sua primeira crítica de satisfação:
- É grosso!...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O melhor do mundo são as crianças

Quando não há natal a gente inventa-o e, muitas vezes, a fantasia sai melhor que o original.

E por falar em natal, o natal é como a cerveja, quer-se frio e em ambiente quente.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

10 mandamentos para a mesa de Natal


No caminho faremos os avisos para que este natal não seja como outros que quase acabaram à lambada entre pais e filhos, maridos e mulheres, tios e tias, sobrinhos e afins.

1- Olha que tu não dizes que estás a viver com um rapaz sem seres casada!
2- Não te metas como de costume com o teu primo por ele ter aqueles gestos!
3- Não te armas em fidalga, comes couves como os outros!
4- Livra-te de começar a cantar o Quim Barreiros quando o bacalhau chegar à mesa!
5- Não voltas a fazer aquela cara ao bolo de nozes da tua tia!
6- Se o tio começar a cantar não digas que está com os copos!
7- Se a tia te perguntar se tens facebook diz que só tens twiter porque ela não sabe o que é!
8- Se alguém perguntar quanto custou o nosso carro digam que não sabem!
9- E tu vê lá se perguntas outra vez pelo ouro dos falecidos!
10- Se a conversa virar para a política tu cala-te por favor!

Filha - Pronto, vou estar toda a noite calada.
Filho - E de futebol posso falar?
Mãe - Se eles começarem a dizer mal dos sindicatos, não me calo!
Pai - Porque não bebes uns valente copos como eu que eles já tem a carta para trazer o carro?

E pronto este Natal vai ser assim: comer,  beber, não entrar em conversas se não no essencial, está muito bom - como o fizeste?  é muito bom - onde o compraste? Felizes por obrigação, remediados por condição, pacientes porque revolucionários, cristãos culturalmente, naturalmente assim.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Só sei que nada sei e foi porque mo disseram


As frases dependem de quem as diz. A mesma frase dita por um magnata da opinião pública, da cultura, ou da mediatice, não tem o mesmo alcance se dita pelo cidadão comum. Por isso, eu, homem comum mas no entanto zé esperto, quando dito alguma sentença, mesmo sendo minha a autoria, cito sempre outrem.
Consoante o ouvinte, pode ser um filósofo grego, um frade luterano, um chefe índio, um músico americano ou até um nome que eu invento em chinês, o importante é que a mensagem fique ou pique o interlocutor.
Sócrates, o nosso, mostrou a careca quando se topou que recorria à fraca habilidade de citar outros sócrates, para passar a ideia que tinha cultura quando por portas abertas qualquer culto percebia que não lia um chavelho, que é como quem diz, lia tanto como Passos Coelho. Mas hoje em dia é assim, é chique publicar uma frase no facebook mesmo que o último livro que se tenha lido tenha sido há uns anos e o autor um sousa tavares ou um rodrigues dos santos.
Eu sei muitas frases porque tinha um avô que também as dizia e tinha uma tia que as costumava dizer, porque o padre Alcobia também disse um dia, e o Zé da Venda sabia das boas.Não sei qual deles disse "só sei que nada sei" e ninguém lhe ligou porque a frase nada tinha de especial porque dita por ele.

O significado da mesma só é levado à grande se mudar a figura que a disse para um grande filósofo ou um político - neste último caso já não interessa se é grande ou pequeno. A frase assim crua e dita, mesmo devidamente referenciada ,"só sei que nada sei", pouco ou nada me diz, mas disse-me um dia em que um filósofo comum, provavelmente depois de ter fumado uma valente cachimbada, lhe acrescentou "...e foi porque mo disseram!".
Portanto, "só sei que nada sei" já muita gente disse sem a ninguém ter ouvido. Mas "só sei que nada sei e foi porque mo disseram" é um frase que nem qualquer um diz mas que um qualquer disse, um homem como eu que, por mais frases que diga, nunca fará história.

Vem isto a propósito das profecias de Passos Coelho e de este ter dito "quase de certeza que haverá uma nova crise".

Uma frase banal que qualquer um diz, uma profecia que qualquer um pode adivinhar ou a implícita mensagem de que já não há crise? Estamos sempre em crise ó batata! A cultura da moda não são os tubérculos, é a cultura da crise

sábado, 17 de dezembro de 2016

Não há boas festas tão boas como estas


Este é o meu postal de natal, a minha foto do ano.
 O tipo do canto inferior direita parece o Passos Coelho. 
 Não sei do que é que se riem. 
Há dois figurões que não riem.
O tipo do canto inferior esquerdo não sou eu. 



sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Este Natal ofereça bácoros

O Natal dos nossos tempos cumpre-se com prendas. Quantos de nós não vivem, nesta época, angústias por não saberem o que oferecer a determinadas pessoas. Mas que prenda é que eu vou dar a esta pessoa? E depois o problema, é que é difícil resistir à aparente inevitabilidade de ir ao centro comercial e engordar com as nossas compras o grande capital.
Por acaso eu não tenho esses problemas, para mim prendas é vinho, azeite, leitão ou livros, adquiridos obrigatoriamente em mercados tradicionais ou paralelos. 

E é assim que o Rei dos Leittões vos oferece a sugestão deste Natal, assim tipo dois em um, um bácoro feito livro, o presente ideal para quem ainda anda às voltas com as últimas decisões.


O livro "o bácoro que me persegue", obra nascida das bacoradas de minha majestade, Pata Negra, pode ser adquirido de forma simples e por tuta e meia. 

Um pedido por email para reidosleittoes@gmail.com; o endereço do destinatário; 10 euros a unidade incluindo os portes de correio; pagamento no fim de recebida a encomenda na forma de "logo se vê", que é como quem diz, a combinar. 
Encomendas à ninhada tem desconto do iva.  

Isto é o que se chama matar um bácoro e dois coelhos com uma cajadada - sim, porque entenderei a vossa correspondência como uma prenda.


As profecias de Passos Coelho

Aristonidis, conde do século XVI, cujas predições continuam a provocar o assombro e a perplexidade dos mais cépticos afirmou:
"Duas nações entrarão em guerra, mas só uma vencerá."
(Os especialistas são da opinião que se trata da guerra russo-japonesa de 1904.1905 - proeza pasmosa se tivermos em conta que o prognóstico foi feito em 1540)
Woody Allen

O pobre diabo do Passos Coelho com esta não se engana e eu dispensaria o "quase":

“Quase de certeza que haverá uma nova crise” na Europa, adverte Passos Coelho - nos jornais de hoje.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Para quem gosta de ser filho, mãe não há só uma

Ontem visitei a minha mãe. Já não é a mesma que conheci quando crescia. O alpendre da avó foi com um vento, a eira do tio foi com uma enxurrada, da casa do bisavô não resta nada. E foi morrendo cada geração e ela ficou ali rapando o sol e mastigando o frio. Podia ser pior. Passa um trator com corta-mato e o tratorista acena a tudo o que mexe. A Sagrada Família ainda vai de casa em casa. Podia ser pior!... O doutor de letras restaurou a casa que herdou do pai. Isto vai! Digo que sim respeitando quem o diz mas a minha mãe não tem a mesma alegria. Os filhos tiveram mais partidas que regressos. Vem ver uns marcos e dar algum dinheiro para o andor. Deus Nosso Senhor lá sabe. A minha mãe tem a pele marcada pela ausência das sombras das árvores que o fogo levou. A minha mãe tem os cabelos despenteados pelo fim dos arados que o tempo levou. Já só a visito por ser mãe e folgo em saber que ela está para durar nem que seja só para enterrar os que vão morrendo. Outros destinos traíram-lhe o destino.
É claro que falo da minha terra-mãe que a do ventre já se foi e não viu isto. 



Dizia eu, em tempos, que quem perde as suas raízes, seca. Pois então falei a uma retro e a um camião e trouxe uma carrada de terra lá da terra e fiz um canteiro no meu quintal. Agora estou melhor! Tudo o resto são saudades e remorsos.
Eu devia ter sido pastor ou lavrador como os avós.
Mas não! Fui no engodo de que estudar é que era! Com a certeza de merda que qualquer cidade me daria mais. E olha agora, a minha terra-mãe a morrer e eu longe dela!

Toda a província padece deste mal. É bem feito em quem parte e em quem fica dizendo:
- O meu está muito bem, vive em Aveiro!
- O meu lá está para França e lá fez vida! 
- O meu neto está um homem, foi pró Dubai!
- A minha filha está tão contente desde que o filho arranjou emprego na Inglaterra!

Nas aldeias ninguém cria os filhos com projetos para que eles venham a viver nelas. Uma terra com os campos ao abandono não tem futuro. Um país que abandona as suas aldeias não tem futuro. Um Estado que fecha tudo o que é serviço público nas aldeias, não é um Estado é um bananal!

PS/ Estímulos à natalidade com distribuição de perservativos? Um governo que dizia promover  a natalidade ao mesmo tempo que acabava com o abono de família e aconselhava os seus jovens a emigrarem? D

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Peditórios de todo o país, uni-vos!

Já pedi coisas ao meu país que ele me deu. Eu também já dei coisas mas foi à pátria. Nem sempre dou quando me pedem mas não é por razões de coração, é por razões políticas. Não sou de dar por dar. 

Eu nunca tive brinquedos senão os que eu fazia ou os que o tio tocha da carpintaria, que morava ao fundo da ladeira onde eu vivia, me oferecia. Um dia, andei toda a feira agarrado à minha mãe a pedir-lhe aquela camioneta de lata que vira numa tenda, a mulher não aguentou a insistência, perdeu o amor à carteira - carvalho do chato do cachopo que nunca mais se cala! toma lá e não me chateies mais que é o primeiro e último que te dou!
Eu não emprestava a camioneta a ninguém. Se os outros cachopos se apanhassem com ela na mão era certo e sabido que a primeira coisa que lhe faziam era tirar-lhe as rodas. Nas minhas mãos aquela camioneta durou anos porque foi o primeiro e último brinquedo de compra que tive e só lhe tirava uma roda em caso de furo que fizesse parte da brincadeira.

Aquela camioneta foi conseguida com muita luta e outros meninos conhecedores da minha história conseguiram com o exemplo outras camionetas, tratores, bolas, bonecas e até trotinetes.

Quando participo em marchas de luta, levo sempre comigo uma razão de fundo de  justiça social e dou sempre pela falta de pessoas que conheço, sempre ativas em tudo o que é angariação de fundos para isto ou para aquilo. Constato depois que essa gente não está na mesma frente de combate, que o seu entendimento das razões da pobreza e das suas soluções é muito diferente da minha. 

E estou aqui eu com paninhos de azeite, a enrolar o texto para não ferir voluntariosos cidadãos que pedem para causas maiores, quando a minha vontade é registar que eu para dar não preciso de mãos de terceiros e que, acima de tudo, estou farto de Peditórios, porra!

É à entrada e à saída do emprego e lá dentro a colega irresistível, é à entrada e saída do supermercado e lá dentro o produto com a esmola incluída no preço, é na feira, é na rua, é nos semáforos, é o filho que traz umas rifas da professora de cidadania, é a funcionária da escola a vender broches/crachás para uma turma que quer ir a roma, é o cunhado que é sócio da associação columbófila, é a sogra da conferência de são vicente paulo, a vizinha bombeira, é campanha, é sorteio, é a santa de fátima, é o relógio para a igreja, é contra a fome, o cancro e a cegueira, é pelas crianças, pelas mães solteiras e pelos idosos e, sobretudo, por aqueles que não têm condições económicas para passar um natal feliz porque o natal é economia, é dinheiro, é consumo, é uma porra, o natal é uma porra!

Vamos lá então fazer um natal em que o povo vem à rua e reclama por um natal em que nunca mais seja necessário pedir! Vamos lá, porra!
Ah não! Não pode ser! O natal é de paz! Temos de nos dar bem com todos não é? O jesus é que diz!... porque o natal, mais do que uma ocasião dos mais necessitados receberem alguma coisinha, é a época em que se dá aos mais ricos a oportunidade de se redimirem, organizando peditórios e quem sabe até largarem uns cobres.

Façam como os capitalistas, concentrem a atividade, façam um império do ramo, cotem-no em bolsa - olhem a santa casa da misericórdia! - façam  um único e grande peditório porque já não há paciência para tanta caridade natalícia.

  

sábado, 3 de dezembro de 2016

35000 parece-me a mode muito

Quando um pequeno país, no mundo o mais falado, dá ao mundo a morte mais falada dos últimos anos, mesmo o mais humilde rei é tentado a falar. Falaria sem que a sua humildade se rendesse ao culto da personalidade, avesso aos que se ficam pelo verbo da simpatia, incapazes de tomar armas ou partido por causas dos povos, se lhe apetecesse. Mas é tal a algazarra, coisa que se dispensa em funerais, que se ficará por números que, mais do que caracterizarem o falecido, mais caracterizam aqueles que os usam ou inventam.

Assim, enquanto 638 tentivas de homicídio poderá ser um número utilizado por aqueles que o defendem, o  sétimo governante mais rico do mundo, será por certo uma classificação usada por aqueles que o atacam. 
Contudo, onde ficam mesmo dúvidas, se é um reconhecimento de talento ou uma forma subtil de lhe chamar putão, é quando se notícia que o Viril terá transado com 35000 mulheres. Aqui não está entre os cem mais, nem em sétimo - que às vezes é um número que convém para se levantar poeira sem ser muita - aqui o Revolucionário é o primeiro, muito à frente de Eglesias, de Zézé Camarinha ou Gengiscão. 
Fica-se muito baralhado, a proeza é argumento dos seus partidários, ou é a fraqueza das carnes que é arma de arremesso para os seus detratores?

Seja como for, 35000 parece-me a mode muito! Até o reacionário Observador, detrator  por regra de tudo o que é revolucionário, deixa a admissibilidade dos números poderem ser exagerados.

Seja como for, poucos como Fidel Castro poderão repetir a frase de Mark Twain:
- Parece-me que as notícias sobre a minha morte são manifestamente exageradas!

(O meu tio Osvaldo era comunista. Foi sempre a Cuba sem a minha tia. Agora percebo porquê.)