sábado, 24 de novembro de 2018
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Como esconder o desejo sexual?
De acordo com o The Independent, uma pesquisa realizada no hospital John Radcliffe, em Oxford, mostrou que, em algumas pessoas, o espirro pode ser provocado por desejos sexuais.
O estudo foi iniciado pelo otorrinolaringologista Mahmood Bhutta, que atendeu um paciente que tinha uma sequência “incontrolável” de espirros a cada vez que tinha um pensamento com conotação sexual. Após atender esse paciente, Bhutta contactou o psiquiatra Harold Maxwell e os dois iniciaram, pela internet, uma pesquisa sobre o tema. Encontraram 17 pessoas que tinham esse problema. Revista Época
O estudo foi iniciado pelo otorrinolaringologista Mahmood Bhutta, que atendeu um paciente que tinha uma sequência “incontrolável” de espirros a cada vez que tinha um pensamento com conotação sexual. Após atender esse paciente, Bhutta contactou o psiquiatra Harold Maxwell e os dois iniciaram, pela internet, uma pesquisa sobre o tema. Encontraram 17 pessoas que tinham esse problema. Revista Época
ESPIRRO SOB SUSPEITA

Jornal britânico lembrou episódio de 2007, quando a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, espirrou durante encontro com o então presidente da Rússia, Vladimir Putin (à esq.), e o ex-líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev
Afinal não estou só. Não sou de estudos, não ligo muito a estudos, a não ser que me digam directamente respeito e vão ao encontro dos meus problemas. É caso para eu dizer: 17 não, 18!...
Folgo em saber que nenhum dos leitores me conhece pessoalmente, caso contrário, se vier para a rua constipado, vou acabar numa relação.
Até à presente confissão, este era um assunto guardado na intimidade entre mim e a minha companheira. Com um espirro meu, tanto lhe pode dar para sair repentinamente de casa dizendo que vai sozinha às compras, como lhe pode dar para avançar na minha direcção a pretexto dum ponto negro na orelha esquerda. Se espirro enquanto caminhamos na rua, começa a olhar à volta a procura dum motivo para alimentar o ciúme.
Quando começámos a nosso enamoramento levou um tempo até que tivesse aceite que, quando éramos apenas amigos, nem todos os espirros que eu dava tinham a ver com ela.
- Então tinham a ver com outras?!
Há uns dias, quando tive conhecimento desta notícia, expliquei-lhe mais acerca do modo como aprendi a disfarçar os meus impulsos nessa idade:
- Como, na maior parte dos homens, a coisa pende mais para o lado esquerdo, aprendi a ter sempre o lenço e o telemóvel no bolso direito das calças!...
- Tu és um mentiroso! Nesse tempo não existiam telemóveis!
Pois, não sei onde fui buscar esta do telemóvel, posso muito bem pôr as mãos nos bolsos. O pior é que, manda a educação burguesa, quando se espirra se deve pôr a mão, o lenço ou as duas coisas à frente da boca. Por isso, é sempre bom andar com o telemóvel. Atchin!!!...!!!!
Afinal não estou só. Não sou de estudos, não ligo muito a estudos, a não ser que me digam directamente respeito e vão ao encontro dos meus problemas. É caso para eu dizer: 17 não, 18!...
Folgo em saber que nenhum dos leitores me conhece pessoalmente, caso contrário, se vier para a rua constipado, vou acabar numa relação.
Até à presente confissão, este era um assunto guardado na intimidade entre mim e a minha companheira. Com um espirro meu, tanto lhe pode dar para sair repentinamente de casa dizendo que vai sozinha às compras, como lhe pode dar para avançar na minha direcção a pretexto dum ponto negro na orelha esquerda. Se espirro enquanto caminhamos na rua, começa a olhar à volta a procura dum motivo para alimentar o ciúme.
Quando começámos a nosso enamoramento levou um tempo até que tivesse aceite que, quando éramos apenas amigos, nem todos os espirros que eu dava tinham a ver com ela.
- Então tinham a ver com outras?!
Há uns dias, quando tive conhecimento desta notícia, expliquei-lhe mais acerca do modo como aprendi a disfarçar os meus impulsos nessa idade:
- Como, na maior parte dos homens, a coisa pende mais para o lado esquerdo, aprendi a ter sempre o lenço e o telemóvel no bolso direito das calças!...
- Tu és um mentiroso! Nesse tempo não existiam telemóveis!
Pois, não sei onde fui buscar esta do telemóvel, posso muito bem pôr as mãos nos bolsos. O pior é que, manda a educação burguesa, quando se espirra se deve pôr a mão, o lenço ou as duas coisas à frente da boca. Por isso, é sempre bom andar com o telemóvel. Atchin!!!...!!!!
Nota: Na eventualidade deste texto ser lido por alguém com o mesmo problema, seria bom que o manifestasse na caixa de comentários. Eu próprio tratarei de passar a informação aos investigadores de Oxford. Quem sabe se não seremos muito mais de 20? Quem sabe se não poderemos vir a formar a Sneezing Syndrome Association of Desire?
000000000000000000000000
OO OOOOOO OOOOO OOOOOOOOO OOOOOOOOOO OOOOOOO OOOOOO
0 00 0000000000000000000000 OOOOOOOOOOOOOOOOOOOO OOOOOOOOOOOOO
não! não são zeros nem ós! são partículas dum espirro que acabei de dar
sábado, 17 de novembro de 2018
Marrem que é vermelho
triste fado o nosso
quando marrar é o nosso maior consolo,
somos filhos da pastagem e do touro,
marramos no preto, no vermelho e no mouro.
marrar em tudo, marrar sempre,
pelo são martinho, pelo natal e pelo entrudo.
marrar por todo o lado e contra não sei quê,
no mercado, nas redes, na tv e nos jornais,
no cais, nos transportes, no trabalho e à mesa.
gente tesa! cum carvalho!
marra que é demais!
marram nos touros, nas touradas e nos animais.
cornos que deus os dê!
que deus está de todos os lados!
marram no sporting, no porto e no benfica,
porque são verdes, azuis ou encarnados.
marram em tudo o que mexe porque vêem pouco.
marram no vento, no parlamento, no inverno e no governo.
e foi tanto o que se viu na manifestação da CGTP!...
então? não marraram? foi vermelha? foi pequena? foi grande?
gente que deus a dava!...
e, no entanto, não se marra. porquê?...
quando marrar é o nosso maior consolo,
somos filhos da pastagem e do touro,
marramos no preto, no vermelho e no mouro.
marrar em tudo, marrar sempre,
pelo são martinho, pelo natal e pelo entrudo.
marrar por todo o lado e contra não sei quê,
no mercado, nas redes, na tv e nos jornais,
no cais, nos transportes, no trabalho e à mesa.
gente tesa! cum carvalho!
marra que é demais!
marram nos touros, nas touradas e nos animais.
cornos que deus os dê!
que deus está de todos os lados!
marram no sporting, no porto e no benfica,
porque são verdes, azuis ou encarnados.
marram em tudo o que mexe porque vêem pouco.
marram no vento, no parlamento, no inverno e no governo.
e foi tanto o que se viu na manifestação da CGTP!...
então? não marraram? foi vermelha? foi pequena? foi grande?
gente que deus a dava!...
e, no entanto, não se marra. porquê?...
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
Nos cornos e na pele do touro
Doze quilómetros por maus caminhos de terra batida, entre pinhais, lugares, vinhas e milheirais, o homem ao guião, a mulher pendura na traseira do selim da motorizada, sentada de lado por impedimento da saia justa ao joelho, a criança, essa sim escarrapachada, sobre o depósito da gasolina. Fomos à Praça de Toiros de Abiul à primeira e última tourada a que assisti, ao vivo, na vida.
Trouxe de lá a primeira resposta à questão do que queres ser quando fores grande (?), moço forcado, pois claro e, douto na lide pela experiência, comecei a liderar as pegas ao carneiro grande quando ia guardar as ovelhas com os meus primos.
Também, no recreio da escola, brincávamos às touradas. Aí, rodavam todos por todos os papéis. O que fazia de touro tinha de rodar o cinto de modo a que a fivela e a ponta ficassem na parte das costas para fazer o rabo. Fazia-se a pega como mandam as regras e, na parte do toureio, as garrochas eram as espigas duma erva daninha que se pegavam às camisolas de lã. Eu era bom na pega, no rabo, como cavaleiro, como touro ou como cavalo.
Quando, já jovem, fui a uma garraiada, diverti-me do lado de fora, dono de juízo para não me pôr nos cornos do touro. Ponho-me agora na pele dele.
"É pá! Porque é que estes humanos, que tratam de mim todos os dias, me carregaram agora para cima desta camioneta? Porventura vão levar-me para outras pastagens. Estou a gostar do passeio. Mas, espera aí, desapareceram os campos, isto para aqui é só casario! Olha, querem que eu desça! Mas para quê, se aqui não vejo erva que se coma? Pronto, querem que eu vá por este corredor além? Vocês é que mandam! Se querem, eu vou! É lá! Tanta algazarra! Nunca vi um espaço assim sem verde! Pasto também não vejo! Ena pá tanta gente! E se gritam! Será para mim? Deve ser, sinto-me o centro. Olha aquele ali com um pano vermelho! Está a meter-se comigo! Vou correr para ele! Cobarde, fugiu! Outra vez? Anda cá que eu te digo! Na verdade até estou a gostar da brincadeira! E parece-me que todos estes humanos que aqui estão à volta também estão a gostar! Venham, venham todos brincar para a areia, vamos fazer uma festa! Até que enfim que vejo um cavalo! Vou ter com ele! Corro atrás dele! Estou a divertir-me tanto! Ai! Então? O tipo bem cheiroso que ia em cima dele espetou-me qualquer coisa nas costas!? Este tipo merece uma cornada nas pernas! Ai vai levá-las, vai! Não fujas cavalo que eu não te aleijo! Eu quero é apanhar esse empertigado que te cavalga! Ai! Outra? Agora doeu! Desta vez não me escapas! Gaita! Estou cansado! Mas o homem insiste em desafiar-me? Vou lá outra vez? Não vou? Não, que ainda me espeta outra no lombo! Mas o gajo está mesmo a pedi-las! Vou! Não fujas! Este cavalo tem cá uma corrida e faz cá umas fintas! Mas o que eu gostava mesmo era de apanhar uma perna do teu cavaleiro! Ai! Ai! Ai! Outra! Estou a sangrar! Este tipo quer matar-me! Desisto? Não sei que faça! Não confio mais em seres racionais! Vejo-os tão contentes! E o gajo bem vestido que me feriu? Todo ele é cagança! Vão embora? Vão embora vão! Eu também ia, mas não vejo forma de sair daqui! Outra vez o pequenote da capa vermelha. Quer festa? Tenho dores. Agora já não me apetece! Não insistas pá! Pronto já vi, queres uma cornada? Vai, vai, vai, ai que te safaste por pouco. E pronto, não vejo saída! Olha-me agora uma manada deles! Que será que estes querem? Olha que vocês não têm cavalos para fugir de mim! Se vêm por bem deixem-se estar! Olhem que eu já não estou para festas! Estão a chamar-me? Querem tourada chamem os vossos pais! Olhem que eu vou! Vou! Ah! Assim eu gosto! Estão a abraçar-me! Cuidado que eu ainda piso algum! Então? Vão embora? Então e tu? Que é que ficaste aí a fazer agarrado ao meu rabo? Gostas de rabos? Porra, já estou farto de andar à volta! Larga lá isso que eu não corro atrás de ti! Estou é com umas dores do caraças! Estou a ver bem? Gaita! Nunca vi tanta vaca! Agora que estou ferido é que mas trazem? Até que enfim que vejo campinos! Finalmente entre amigos! Querem levar-me convosco? Eu vou! Mas vocês não sabem é as dores com que estou! O melhor será mesmo matarem-me. Não me admira nada que seja para isso que me levam! Adeus humanos! Sei que nasci para morrer mas vocês também não escapam!"
Digamos, portanto, que até podíamos, inclusive os touros, divertirmo-nos muito com as touradas. A crueldade dos que espetam por prazer é que é demais. Porque é que não fazem como na esgrima ou no paintball onde ninguém se aleija? É que toda esta polémica das touradas em que, de um lado estão os que gostam dos touros e lhes espetam ferros, do outro estão os que gostam de touros mas nunca deram uma palha a nenhum, começa a ser ela própria uma tourada em que o touro é o cidadão comum.
Dizem uns: se deixarmos de comer frango de aviário, acabam os frangos de aviário e os aviários.
Dizem outros: não faço mal a uma mosca e gosto muito de bife de boi preto mal passado.
Haja paciência!
Animal nunca! Porco sempre!
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
Uma história sem piada
No jardim do Cardal existe um lago circular com uma estátua ao meio, não me lembro se com um peixe a deitar água pela boca, se com um menino a mijar. O lago é rodeado por um passeio com várias ramificações e limitado por um conjunto de colunas de pedra que formam uma pérgula que dá caminho às trepadeiras.
Nós passávamos ali todos os dias a caminho de outros cantos do jardim, com os livros de filosofia e química debaixo do braço e, todos os dias, estava um velho sentado no mesmo banco. Tive intenções de um dia falar com aquele velho mas nunca o cheguei a fazer. Não me lembro se o velho olhava para nós, para o jornal ou para a estátua.
Passou um grupo de jovens de mochila às costas e telemóvel na mão, um deles sorriu-me.
A esta distância não consigo ver se está um peixe a deitar água pela boca ou um menino a mijar, quanto mais ler um jornal!
Porra! Mijei-me todo! Provavelmente achei piada a alguma coisa que me passou pela cabeça! O pior é que já não me lembro da piada nem se algum dia passei por este lago e tive intenções de falar com um velho que estava aqui sentado! Não importa! Se não falei então, falo agora! Isto de um tipo falar sozinho dá nestas histórias.
sábado, 3 de novembro de 2018
No Brasil também há outono
é o outono...
tombam as folhas, os bêbados, o brasil
um soldado varre as folhas secas para as esquecer
um copo partido jaz em plena avenida
um facho queima os lábios duma canção do chico
vieram más notícias com as primeiras chuvas
os sinos dobram um enterro de vivos
a um canto da alma
todos sabem que ninguém morreu
não há estação nem mau tempo que resista
às forças vivas de povos acossados
aos versos imortais dos seus cantores
por cá abril também não se conteve
nada está concluído
até já brasil
espero-te em breve
tombam as folhas, os bêbados, o brasil
um soldado varre as folhas secas para as esquecer
um copo partido jaz em plena avenida
um facho queima os lábios duma canção do chico
vieram más notícias com as primeiras chuvas
os sinos dobram um enterro de vivos
a um canto da alma
todos sabem que ninguém morreu
não há estação nem mau tempo que resista
às forças vivas de povos acossados
aos versos imortais dos seus cantores
por cá abril também não se conteve
nada está concluído
até já brasil
espero-te em breve
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