domingo, 27 de janeiro de 2019

o pequenino augusto santos silva


Acontece lá para leste mas nós não ligamos muito porque raramente vêm daí os nossos ventos. Na Itália que se lixe, eles já tiveram o Berlusconi e não veio daí mal a pior. A Andaluzia nem sequer é um país. Na América ou no Brasil, bons ou maus, serão sempre nossos amigos e nós deles, pelo que era nosso dever enviar o Botas dos Beijinhos ao beija-mão ao Trump e ao Bolsonaro.

Mas isto pega-se e pode chegar cá! Se quereis a prova, olhai o pequenino augusto santos silva, da escola dos agora meninos do coro de George Soros, qual Rambo do ridículo, torcendo para que amanhã chova em Caracas!





sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Os homens de Lucina

(Lucina - nome poético da lua)

marinheiros da lua.
existência de navios na barra, à solta.
toca três vezes a guitarra eléctrica.
é a libertação,
a independência,
é a revolta...

homens da física e da astronáutica nada nos disseram
da nudez e dos orgasmos de Lucina,
escrava da Terra, e do Mar ama que se fez,
da noite para os seus abraços,
da mente para os seus porquês.

menina de mil esposos falando a meia voz dos meninos de Adolfo,
do pedantismo burguês dos cães da frente,
dos braços perversos da Nação.

alguém falou do Céu e calou seus astros
alguém falou de Adão e calou seus avós
alguém ousou simular a fantasia
nos corações dos órfãos da espada de haraquiri...

nada me detém,
sou um macho da Lua,
não preciso que o Poder caia nem que a terra do sonho seja aqui,
sou um macho da lua.

Lucina libertou-me...
levou-me para longe da cidade
levou-me para longe da floresta
libertou-me! libertou-me!

nas intimidades de Lucina estão preparando a revolução, 
limpai as vossas armas, 
muitas cabeças vão rolar na praça pública.

quero apenas libertar-me
das discussões da bola dos meus vizinhos
da negritude da sombra do bácoro que me persegue.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Janis Joplin Mercedes Benz

"Oh Senhor, porque é que não me compras uma Mercedes Benz?
Todos meus amigos têm porsches,
Eu preciso de ser recompensado,
Trabalhei a vida inteira,
sem a ajuda dos meus amigos
Então Senhor, porque é que não me compras um Mercedes Benz?"
(... a TV a cores dispenso!...)
Não sei o que se passa com os meus mitos! Foram mitos porque a morte os projectou? Foram mitos porque as máquinas comerciais americanas abusaram da minha inocência? Foram mitos porque eu era jovem e sensível?
Sei que os ouço agora e já não sinto a mesma música nem a mesma poesia, sinal que a música e a poesia que eu recebia e sentia não era só deles mas também era minha. Com os anos passados eu deixei passar uma certa juventude de modo que, porque perdi uma certa harmonia em reboliço, por demais que tome as culpas aos riscos da primitiva tecnologia do vinil, a culpa não é minha mas o caso é comigo! Que se lixem os Doors, os Deep Purple, os Stones - é pá! é melhor parar de enumerar! - fica ainda a orelha erecta cada vez que a Janis Joplin ecoa em qualquer lugar, a qualquer hora.
(parto do princípio que quem esticou a leitura até aqui está a ouvir a faixa)
Esta canção atravessou-me o ouvido! No meu parco inglês percebi o pedido. No meu parco inglês cantei muita vez esta canção! Nunca desejei ter um Mercedes! Nunca tive preconceitos por marcas de carros ou raças de burros! O Senhor nunca teria ouvido um pedido destes, primeiro porque era cantado em vão e segundo porque ninguém percebe um palavra do meu inglês. Foi, portanto, por acaso, que me tornei proprietário de um Mercedes! Velho! Note-se! O Mercedes tornou-se no Volks Wagen (carro do povo)! Há Mercedes para todas as camadas! Diz-me quanto dinheiro tens e eu arranjarei um Mercedes à tua medida!

Vinha eu a sair do festival Sete Sóis ou Sete Luas - ou as duas coisas, sei lá, o caso é para mais! - e ao chegar junto da minha viatura constatei que lhe/me faltava a estrela. O GNR circunstante apercebeu-se da minha exaltação e abeirou-se averiguador.
- Deixe lá homem! São jovens! Fazem colecção!
- O Senhor guarda não percebe?! Eu preferia que me tivessem levado o carro e me tivessem deixado a estrela aqui no chão!
O guarda deu meia volta, provavelmente ia buscar o balão. Ao longe ainda lhe gritei:
- Ó senhor guarda! Eu só tenho um Mercedes por acaso!
Gostar das estrelas dos Mercedes e de Janis Joplin não é o meu maior pecado, o meu maior pecado é revelar-me tanto quando a lucidez me deixa a nu! Este blog está mesmo a chegar ao fim! Ao fim e ao cabo!....

sábado, 5 de janeiro de 2019

2019 - o ano do porco


Que em dois mil e dezanove
Eu me levante todos os dias,
Que se levantem as árvores,
Que se levante a vida,
Que se levantem os mortos,
Que se levantem os porcos,
Que se levante o povo,
Que se levante o país,
Que se levantem as vozes,
Que se me levante a voz,
Que se me levante o falo
Que a falar é que a gente se entende
E que outros valores mais altos se levantem!...

Que em dois mil e dezanove
Os juros caiam,
O petróleo caia,
O bêcêpê caia,
A sónai caia,
O governo caia,
O Costa caia da cadeira
E o Marcelo tropece numa passadeira vermelha
E caia pela escada abaixo.

Se os juros caíssem talvez me sobrasse algum.
Se o bêcêpê caísse talvez a casa passasse a ser minha de facto.
Se o petróleo caísse talvez eu pudesse, no Verão, dar uma volta à praia.
Se a sónai caísse talvez eu não acordasse aos domingos com o despertador a dizer:
- Podíamos ir ao Continente! ...
Se o governo caísse eu teria novamente a oportunidade de votar em quem não ganha!
Se o Costa  caísse talvez voltasse um Passos e viesse a seguir outro vinte cinco setenta e quatro e, então, num próximo ano novo eu iria acreditar que vale a pena desejar bom ano aos demais!

Sobem os encargos com juros, o gasóleo, os resultados da banca, as ações das grandes superfícies, as sondagens da direita, o capitalismo vai de vento em popa, o governo sobe, o Costa baba-se, limpa a boca com a direita e o cu com a esquerda!...
Dois mil e dezanove? Eu quero é dois mil e setenta e quatro! Dois mil e setenta e quatro euros de vencimento!...

Escrevi isto num dia em que me achei mais pachorrento...