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sexta-feira, 1 de setembro de 2023

A Festa do Avante e os media


A Festa do Avante - o maior acontecimento político-cultural desta época, depois da Universidade de Verão do PSD e da convenção mensal do Chega – segundo as queixas de alguns dos seus amantes, não tem um impacto mediático proporcional à sua importância e às suas dimensões. Será verdade mas convenhamos que mal irá a nossa comunicação social quando der maior cobertura ao que se passa numa festa, ainda que grande ou até a maior, do que ao trabalho sério que se desenvolve numa universidade ou num partido fascista.

Depois, também não é verdade que a Festa não seja notícia, nos últimos anos a comunicação social e os comentadores de serviço não se têm poupado a falar dela. Este ano têm estado calados à espera que chova, que seja servido um ovo estragado ou que esteja lá um sinal à entrada com a proibição de acesso a animais. A Festa passa sempre na televisão, no mínimo com trinta segundos do discurso do secretário-geral, correspondente a uma frase criteriosamente selecionada ou então duas ou três entrevistas a pessoas comuns, retiradas dum painel de vinte ou trinta tentativas, que disseram aquilo que o dono queria ouvir.
Estarei com os críticos da relação da comunicação social com a Festa se a manifestação do seu desagrado tiver o objetivo perverso de “quanto mais nos queixarmos, pior eles farão!”. Isto porque uma das características que me agrada na Festa é precisamente a sua natureza não mediática - a Festa como um segredo cúmplice dos que lá vão. Se um dia a televisão e os jornais fizessem um trabalho jornalístico adequado à vivência da Festa, a mesma seria desvirtuada porque seria invadida pelas gentes cuja agenda é determinada pela TV e pelo Correio da Manhã. Simultaneamente, a afluência de muito mais gente esgotaria a capacidade da organização, stressando os serviços e alterando significativamente os perfis tradicionais dos festivaleiros.
A Festa emociona-me enquanto for assim. Sugiro até que, para o ano, a organização não faça publicidade e afixe os cartazes habituais dizendo apenas: este ano a Festa do Avante, que se realiza nos dias 7,8 e 9 de setembro, não tem publicidade.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Leitão à sexta

Este fim-de-semana vou foliar. A Terrinha não escolheu o Joãozinho mais novo, queridinho do Mestre, nem o Toino namoradeiro, com cara de santo que nunca conheceu mulher! Não! Escolheu o Pedro, o maior, o das chaves! O que quando mija a gente diz que chove, o que quis ser pregado na cruz de cabeça para baixo para morrer com os pés no céu. A minha terrinha é assim!
Já sei que não vou ser eu a trazer o carro! Esta antecipação de certas decisões tem um efeito devassador! Podia não partir deste princípio e talvez o vento não batesse do lado de Espanha! Mas enfim! O contrário seria como ir para a praia partindo do princípio de que não me vou molhar! Ora uma pessoa quando vai à praia deve, no mínimo, descalçar-se! Se vai à praia gosta de mar, se gosta de mar vai ficar ali sem lhe tocar?! Pelo menos molhar os pés! Depois vem uma ondazita molha as calças, depois molhou-se a camisa e depois, olha, o melhor é tirar a roupa e ir ao banho.
O primeiro sinal é quando se entra numa daquelas filas que andam entre os pares e pelos contornos do arraial, a foliar ao som da música e onde cabe toda a gente mesmo que não saiba dançar. Oh, como eu adoro ir na rabicheira a puxar a assistência para aumentar o comboio.


Ó-i-ó-ai, fui comprar um manjerico
Ó-i-ó-ai, para enfeitar o meu porquito
Trago o meu toucinho todo engordorado
Que até mete inveja ao porco que é magro

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Leitão à sexta

Meia noite e vinte cinco. Acabo de ouvir o "E Depois do Adeus". Hoje é feriado, o meu feriado. Não me lembro de comemorar especialmente este dia. Lembro-me de, no 25 de Abril de 75, acompanhar os meus pais na fila interminável para votar. Lembro-me da conversa desse dia, ao jantar, acerca de todos os pormenores do que tinha sido votar. Lembro-me de uma ou outra sardinhada nos finais da década de Abril.
E vejam no que isto deu! Nem me apetece falar! Vou sentar-me no sofá! Se não der nada de jeito vou pôr um CD de canções de Abril e adormecer! Amanhã vou levantar-me tarde! Vou dar as voltas do costume mas, nem por um minuto me esquecerei que é o dia de 25 de Abril! O 25 de Abril acabou num triunfo dos grosseiros.


Imagem da Web
Aliás, está a dar-me uma forte vontade de escrever. Vou já escrever outro post.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Tratem-lhes da saúde

Este fim-de-semana, fui à Festa da Nossa Senhora da Conceição lá na terrinha. Prospectos afixados por tudo o que é sítio, sinalização do arraial pichada por tudo o que é cruzamento, bilhetes de sorteio não autorizado a preço de uma “santa” (entenda-se moeda de um euro), corte de estrada para corrida de sacos sem a presença da autoridade, Missa a céu aberto em altar que, à noite, vai servir de palco a um “Fernando Rocha” da região, vinho de origem incerta, eu sei lá!...
Os copos passados por água num alguidar, a cozinha e o comes e bebes em chão de fetos!... Os borregos e os porcos mortos em bárbara matança da véspera, ali mesmo. A corrida de frangos com frangos sem etiqueta, a garraiada assegurando a legalidade com uma placa manuscrita em português: “A cumição não se responsabilisa por qualquer assidente provucado pelo nuvelho”.
E depois, foguetes a estalar lançados por não encartados, balões de ar quente em voos não autorizados, divulgação em alto som de música de autor, a instalação eléctrica com ligações a fita isoladora. Para completar o quadro, homens a mijar à frente dos pinheiros, mulheres agachadas por detrás dos silvados, gente a cantar mal da vida e do governo, enfim a Festa!

Denuncio aqui o acontecimento a bem desta gente que tanto amo. Na terra muita gente tem morrido e todos eles participavam na festa da Nossa Senhora da Conceição. É coincidência a mais. Peço a intervenção protectora da ASAE.
Esta gente tem de perceber que o mundo evoluiu, uma festa a sério tem de ter condições de higiene, saúde e segurança! Por favor acabem com a festa da minha terra senão aquela gente morre toda!

Tenho medo deles, são rudes, porcos e bárbaros! Não vou dizer exactamente onde é! Sei lá se o filho de algum vai à Internet, à procura de leitões pró pai comprar e me encontra a bufaria que aqui vai! Dou apenas uma pista, é uma aldeia que esteve representada no apoio à vitória de António Costa em Lisboa. Talvez este facto contribua para que as autoridades tenham um pequeno gesto de atenção para com o interior esquecido. Esta pobre gente que não tem água ao domicílio, nem saneamento básico, nem serviços médicos, nem escola, nem transportes públicos, nem nada, que tenha ao menos um sinal de que não está só.
Eles já ouviram falar da ASAE, chamam-lhe Pide da CEE.
Esta gente é resistente e fina: disseram já que, se for preciso, fazem o arraial secretamente! Acabem-lhes com a festa, tratem-lhes da saúde! E um conselho de quem conhece o terreno: vão bem armados.