Mostrar mensagens com a etiqueta Leitão da Quinta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Leitão da Quinta. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Leitão da quinta


Só me faltava esta. Num país de tanta entidade reguladora que nada regula porque regulam pela bitola dos interesses que as nomeiam, devia, pelo menos, existir uma entidade reguladora, regulada por mim, obviamente, que regulasse a gastronomia do leitão - a ERL.
Depois do Frango Tipo Leitão, vem-me agora esta pelas mãos corteses do amigo D"Sul :
Chefe Tiger: pizza de leitão

Esta semana, o chefe Tiger traz-lhe uma sugestão de pizza de leitão. Veja, confecione, desfrute e impressione.



sábado, 21 de janeiro de 2012

Porcos dos porcos tão porcozinhos

Já faz uns anos que encontrei a minha amada, eu procurava bolota na estrada e ela estava deitada à sombra dum carvalho, disse-lhe "rom!rom!" e ela apontou-me o carvalho como quem me manda pra lá, eu respondi-lhe "rom!rom!" e ela amandou-me uma mancheia de bolotas, a seara calou-se e só se ouviu o roçar dos nossos narizes unindo para sempre os nossos dois ventrículos esquerdos. Hoje ela diz que eu não lhe ligo nada e que passo a vida nos blogs! Não compreende que eu ando por aqui a ganhar a vida. Esta é já uma parte da minha vida. Depois do terço à lareira e das histórias do arco da velha, da rádio nacional, da TV do Bonanza, da Gabriela, da Cornélia e do 1,2,3, dos Marcelos, Tavares e Metelos, da Fátima Lopes e de todos os ex-ministros das finanças, eu fugi com os meus serões para aqui, sou um bloguer, ah!ah! sou um bloguer - a palavra bloguer é nova e, por isso, cada um a escreve como quiser - ah! ah! sou um bloguer!

Como pode uma mulher unir-se a um suíno? Eis a questão! Ela diz vens lindo, eu respondo sou. Ela diz és porco, eu respondo "rom!rom!" Ela diz vai para o carvalho e eu vou - gosto de falar com os carvalhos, de brincar com os bugalhos e de comer a bolota!
- Sou um porco: rom, rom!
- Meu amor és tão bom!
- Oh querida vem aqui ver se este post tem erros!
- Rom!Rom! Nunca mais aprendes que os assentos são agudos e os acentos são graves!!!

E, contudo, este blogue vai de mal a pior! Que outra coisa eu posso escrever a não ser nada!? Os outros dizem tudo! Vocês dizem tudo por mim! Está tudo dito! Só me resta marchar! E que bom que é marchar! Vou marchar sobre todas as avenidas e que ninguém me aponte um microfone a perguntar-me porque marcho! Estou convocado! Lá estarei! Não exijam que escreva sobre o molhado! Reservo-me o direito de escrever apenas sobre o amor!
- Rom! Rom! Marchas comigo?!
- Rom! Rom! Porque só do amor pode nascer outro país!
- E onde é que vamos dia 11 de Fevereiro?!
- Rom! Rom!
... e é por isto que eu amo esta mulher e agora mesmo vou comer mais uma bolota! E, como inofensivo bloguer, confesso que já não me lembro porque é que o título do poste é este: Porcos dos porcos tão porcozinhos!
Vou tentar:
- Mais difícil do que eu vir a ter uma reforma de dez mil euros, será eu vir a queixar-me de que uma reforma de dez mil euros não me chega para as despesas! Não me meto na droga nem deixo falar o porco que está dentro de mim!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Tratem-me da saúde

A minha carteira tem cartão de condução, cartão do contribuinte,  cartão de eleitor, cartão do cidadão,  cartão de residente, cartão do banco, cartão de desconto, cartão de cliente, cartão de ponto, cartão jovem, cartão do sindicato, cartão da associação, cartão do clube, cartão de utente, cartão de saúde!... Eh tanta coisa que eu sou!...Serei eu um boneco de cartão?!
Depois de aparentemente ter enlouquecido, de ter perdido o emprego sem direito a subsídio, fiquei perdido! Sei bem onde tenho a carteira, desta vez não a perdi, ela é que me perdeu. A minha identidade rejeitou todos os cartões. Procuro-me e não me encontro! Já corri a estante, o quintal, os montes e vales das redondezas, a casa da Mariquinhas e, nada, não há sinais de mim! Se por acaso alguém encontrar um indivíduo com ventas de porco e pouco asseado, desnorteado sem centro, com ar desempregado, sem carteira, sem cartões, sem saúde e sem dinheiro, devo ser eu. Nesse caso, é favor contactar-me através do numero de telefone: 231 202 093.

Sem saber do meu paradeiro, dirigi-me ao Centro de Saúde. Achei muito estranho, estava tudo mudado, o balcão de atendimento, outros funcionários, etiquetas com preços por todo o lado... e atendeu-me uma senhora com um estranho soutien.
- Olhe minha senhora, eu concordo inteiramente com o princípio do ultilizador-pagador, se você fumou e contraiu cancro, se comeu muito toucinho e teve um à você, se andava na azeitona e caiu de uma oliveira, porque diabo hão-de os saudáveis pagar os seus descuidos!?  Um país não pode hipotecar a sua economia na prestação de serviços de saúde a quem não se cuida ou no prolongamento da vida de quem já nada pode dar à sociedade! Mas o meu caso é diferente, eu não estou doente por culpa própria! Foram os governos e as suas sociedades anónimas que me trataram da saúde e da identidade! Agora exigo que me informem do meu paradeiro, que me localizem, que identifiquem a minha situação, que me deixem viver sem cartões e que me atribuam um subsídio para a substituição das fitas coloridas do guiador da minha bicicleta!
- O sinhô é uma meda! Não pechebe nada! Isto  já não é um centlo de saúde! É uma loja de chineses!
- Ah é!? Se eu sou uma merda porque é que me comem todos os dias!? Querem cartões?!Querem identidades?! Para mim não existem chineses, nem pretos, nem brancos, nem audis, nem bicicletas! Existem apenas porcos e suinicultores!
E, dito isto, num impulso de rara lucidez, peguei num monte de cartões de embalagens que estavam atados à entrada do edifício e fugi com eles em cima do guiador da minha bicicleta.
Já estou melhor, vendi os cartões, fiz algum dinheiro com eles e ninguém viu um porco a andar de bicicleta! ...
- Ó Pistola, vou à rua ver se me encontro, tu não precisas de tabaco?! Dá-me ao menos um euro para eu pôr gasóleo na bicicleta!

...atendeu-me uma senhora com um estranho soutien.


domingo, 15 de janeiro de 2012

A importância da fotografia

Tenho um telemóvel mas ninguém me liga e eu também não ligo a ninguém, tenho-o apenas para dar música e tirar fotografias.
Depois de ter enlouquecido e de ter perdido o emprego, dirigi-me, como é normal nestas coisas, ao Centro de Emprego. Como é normal nestas coisas, atendeu-me uma funcionária altiva. A sua altivez podia ser medida como a soma da altivez daqueles que se cruzam comigo tratando-me como um ser com problemas mentais, subtraída da pena daqueles que me olham como um homem desempregado.
- De acordo com a nova lei, ainda que despedido por injusta causa, não tem direito ao subsídio!
Rasguei um ângulo panorâmico sobre a sala de espera e observei:
- Estas pessoas não querem é trabalhar, querem viver à custa dos impostos dos outros! Ainda bem que, finalmente, temos um governo que vai acabar com isto!
Expliquei-lhe tão bem que concordava com as recentes cortes na caridade legislativa como forma de obrigar as pessoas a aceitar incondicionalmente qualquer proposta de trabalho! Mas ela, altiva como estava, não percebeu nada! Rien!
- A senhora não está a compreender! Eu aceito ter de viver sem trabalho, só quero que as fitas do guiador da minha bicicleta atestem a minha incapacidade para trabalhar e, dessa incapacidade, resulte o meu direito ao menos a duzentos euros por mês para mim e para o carro da vizinha!
- O seu caso é igual aos outros! O senhor está mal ?! Ou está a dar-me música?!
 -Oh não, estou muito bem!
Subi o som da música do Quim Barreiros que tinha em fundo no telemóvel e acompanhei:
"Ponho o carro, tiro o carro, à hora que eu quiser
Que garagem apertadinha, que doçura de mulher
Tiro cedo e ponho à noite, e às vezes à tardinha
Estou até mudando o óleo na garagem da vizinha!"
Em fim de quadra, apontei-lhe a objectiva do telemóvel e fotografei-a. Saí em passo apressado e montei a minha bicicleta de duas rodas caminhando para a casa que fica junto à da minha vizinha.
Ela deve ter ficado a pensar que eu lhe tirei a fotografia por ser tarado ou para denunciar publicamente a sua altivez. Mas não foi nada disso, eu tirei-lhe a fotografia apenas para a poder rasgar! O problema agora é que não sei como é que se podem rasgar fotografias digitais.
Parece impossível, com um processo do ex-patrão, sem emprego e sem dinheiro e sinto-me melhor! Só quem me vai lendo poderá avaliar se estou a melhorar! Eu acho que sim!
- Ó Pistola pára lá com o autoclismo!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

É sempre bom trazer um saco com coentros

Quando deixei de trabalhar por ter enlouquecido não avisei a entidade patronal. Por muito que aparente estar curado, um tipo nunca mais fica bom dos cornos. Não prestigia a empresa ter colaboradores que vão para o trabalho em bicicletas com fitas coloridas nos punhos do guiador.
- Estás despedido!
Respondi-lhe que aceitava que um patrão, como dono do trabalho, deve poder despedir e admitir como lhe apetece. Acrescentei que concordava com todas as recentes alterações às leis do trabalho que visam aumentar a criação da riqueza. Expliquei que compreendia a generalização da flexibilidade laboral como  forma de melhorar a produtividade. Agradecia-lhe até, a oportunidade que me dava de poder dar o meu contributo para ultrapassar a crise em que o país se encontra já que, pelo que ouvia na televisão, os despedimentos e o desemprego são necessários à salvação do país. Indemnizar-me?! Nem pensar! Eu apenas me sentia no direito de receber a troco de trabalho efectivo e não estava na disposição de usufruir de regalias que trouxeram as coisas a este estado.
- Não pode é ter entre os seus argumentos o facto da minha bicicleta ter fitas coloridas nos punhos do guiador!
- Tu ainda não estás bom dos cornos! Tu devias voltar para o asilo! Pelo menos lá não passas fome!
- O meu médico disse que eu devia procurar a Normalidade. Ora que eu saiba a sua mulher chama-se Saudade de Outros Tempos - que raio de nome para uma mulher! - e o senhor, dada a sua espécie, nunca pode ter dois cornos e a minha bicicleta tem duas rodas!
E dito isto, esfreguei-lhe  os coentros que trazia comigo na orelha direita, comi um pedaço e fugi, sem fome, em cima das duas rodas da minha bicicleta.
Agora quem quer uma indemnização é ele, e não faz por menos: trinta mil euros! Com trinta mil carvalhos! O bocado de orelha não tinha o tamanho de uma moeda de um euro!
Não sou inimputável, mas se um bocado de orelha pode valer trinta mil euros, quanto é que vale o saco de coentros que anda sempre comigo?! É que se não fosse o caso de eu ser um homem de princípios, eu podia antes ter comido a dona Saudade e, pelo menos, não teria sentido a falta do azeite!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Temos o dever de enlouquecer

Da quinta onde estou vêem-se estradas e das estradas também se vê a quinta. A quinta tem porqos e  porqas, os porqos cobrem as porqas e as porqas parem leitões. A quinta está cercada por nós e por nós é tratada. O Soares dos Santos também tem uma quinta e é na minha terra. A quinta é o único dia de mercado na minha terra. A quinta só se deve meter a partir de uma certa velocidade. Vou ter alta amanhã. Não me apetece nada voltar a viver no meio de loucos apascentados por porqos. Ainda bem que têm tendência a ser cada vez menos, comem-se uns aos outros mas não parem, emigram por quem os manda, mandam-se da ponte para o rio e para a linha por desespero, mandam-se para a rua da janela dum quinto andar pelos bancos, morrem por falta de assistência num quinto andar. O meu médico quer pôr-me a andar. Hoje estou na quinta. Amanhã ando para sexta. O meu médico diz que temos o melhor primeiro ministro desde o 25 de Abril e o segundo melhor desde 28 de Maio. Até na quinta estamos nas mãos deles. Tirem-nos os feriados, os sábados e os domingos mas não nos tirem as quintas! Se um quinto fizer coisa e tal com uma quinta  nasce um cinquentão?! Quinto, cinco, leitão, eu! Estão a ver?! Ah é só chalaça! Querem fumaça de pinheiro e de azevedo?!
Com que então alta à sexta?! Inimputável eu?! Se milhares de pessoas estão a morrer prematuramente por falta de assistência, governada pela insensibilidade dum porqo saudável, não será nosso dever matar o porqo!? Sim, porqo o destino de qualquer porqo saudável é morrer prematuramente!
Quero os porqos todos em cima da mesa e um feliz Natal para alguns! O quê?! Já se passou?! Quem?! O Natal ou eu?!
Estou a sair de mim! Amanhã saio da quinta. Espero que depois disso este blogue volte à normalidade porqe ao abrigo do novo acordo ortográfico o "u" não se lê e, por isso, também deve sair do porque já me sinto melhor -U!...
Legenda: E eu é que estou louco?!
- Hoje não é quinta?! Então que dia é hoje?!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Dêem-me os parabéns!

Hoje é o dia em que o Rei faz anos! O dia de Reis!

Bem sei que o reino já conheceu melhores dias! Tenho andado ensimesmado noutras realidades e a minha espiral blogosférica tem andado enroscada. Não sou daqueles que gasta o tempo a dizer que não tem tempo mas isto exige o seu tempo. Por outro lado sinto que há seis anos que ando a dizer a mesma coisa.
Bem sei que já foi outra a fidalguia! Uns chegaram, outros partiram, uns passaram, outros cairam, uns zangaram-se, outros fartaram-se e eu...
Ser bloguer como eu sou é muito mais que ter um blogue, é ter afinidades com outros blogues, amizades com outros bloguers, é aprender e informar-se com outros, é discutir e partilhar, é conhecer, é fixe!...
Um abraço muito especial aos que por aqui continuam a marcar presença  desde os princípios: a Maria, o Zé Povinho, o Compadre Alentejano, o Maceta, o Guardião, o Salvo-Conduto, o Samuel e outros

Blogue Rei dos Leittões - há seis anos a dizer a mesma coisa!
Recebem-se parabéns e aceitam-se prendas. Venham à festa:

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Leitão da Quinta

Não comentem! Isto é só mesmo para cumprir calendário! O Rei está impávido, pálido, inquieto e sereno!
O Povo está impávido, pálido, inquieto e sereno! O Povo não diz nada mas ouve-se tão bem! Também, a mim, não me apetece dizer nada! Perdi o discurso, a opinião, o estado de poesia mas não perdi a voz! Um dia destes ainda vou dizer das minhas e quem sabe, o Povo volte a construir um mês...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Leitão da Quinta

Meus senhores, minhas senhoras, amigos, companheiros e camaradas, estou farto disto!
Farto de quê!? Das férias?! Não! Eu não nasci para trabalhar mas para viver! De Portugal?! Da Vida?! Do Mundo?! Não! Eu gosto de viver em Portugal e de sentir que Portugal faz parte do Mundo!...
Estou farto da blogosfera?! Não! Não troco os meus blogues por qualquer jornal ou folhetim paroquial e os meus Amigos "blogueres", são tão grandes como outros amigos daqui e dacolá, disto e daquilo, são Amigos!...
Estou farto das notícias, do país, da crise, da situação, da conjuntura, das declarações, dos comentários, dos comentadores, dos especialistas, dos analistas, do descaramento, da afronta, da provocação, das soluções, das inevitabilidades, das medidas, das soluções, dos  cortes,  dos despedimentos, da pobreza, da caridade,  dos aumentos, das diminuições, dos índices, das taxas, dos números, dos aumentos, das descidas, das subidas, da merda em que isto se tornou!...
Estou também farto de me chamarem utente, utilizador, cliente, consumidor, colaborador, pessoa, cidadão, português, abusando da minha condição, decidindo e falando em meu nome, e deixando nas entrelinhas que eu, privilegiado, malandro, tenho de pagar!...
Mas em resumo digo, estou farto! Abusando um pouco, estamos fartos!...
Mas não resignados! Privatizem a puta que os pariu! Vendam as estradas, as pontes e as fontes! Façam dos Jerónimos um centro comercial e do mosteiro da Batalha uma casa delas! Que seja heresia o termo "serviço público"! Que a Nação  não tenha nada Nacional! Que concorram ao governo - se não é isso que já está a acontecer - grupos económicos e que se entregue o governo e a assembleia a grupos privados! Grupo Amorim - 10 deputados! Grupo Belmiro - 7 deputados! Grupo Balsemão - PSD! Grupo Mota-Engil - PS! Lobbie Gay - CDS!
E depois, só para justificar a democracia, um activista de esquerda vai à televisão fazer umas declarações, no enquadramento que se achar mais desajeitado, acerca de uns trabalhadores que julgavam que a fábrica ia durar sempre!...
Isto são outros tempos!
Talvez sejam! Mas contra rumos, rimas e marés, este blogue não dobra! Contra todos os Passos! Anuncio-vos a nacionalização deste Blogue! Porque este blogue é um serviço público, este blogue passa a ser, a partir de hoje, propriedade do Estado! 
Estou farto disto?! Eu estou de férias!... Mas estou farto disto!... É natural que a partir de agora, em vez de andar por aqui a partir destas, começe a andar por aí a partir de outras!
Rei da Nação, Nacionalizado, Não Resignado!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Leitão da Quinta

Já me tinha esquecido que era quinta, julgava que era sábado. Sou um sujeito de compromissos banais. Comprometi-me em dar leitão à quinta e todas as quintas aqui estarei com porco.
Ah! Pois!... Depois do "e tudo o vento levou", este filme deve ser dos mais conhecidos entre nós. Veio-me parar aqui de outros tempos deste reino. O argumento é este: dinossauros da política?!
Visto de dentro, da direita para a esquerda, Cavaco, Passos e eu. Com que então dinossauros?! E que dizer daquele rei que come cebolas ao pequeno almoço?!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Leitão da Quinta

Neste tempo em que os porcos triunfam deitando sobre as nossas vidas os seus dejectos, que o povo derrame sobre eles a sua sabedoria e os engorde para depois, os sangrar!!!....
Ghibli
A cada porco o seu ditado:
Porco fresco e vinho novo, cristão morto.
Porco magro é que suja a água.
Porco que tem fome, sonha com bolota.
Porco rabão nunca enganou o patrão.
Porco safio, porco de brio.
Porco velho não se coça em pé de espinho.
Porcos com fome, homens com vinho, fazem grande ruído.
Porco fiado todo o ano grunhe.
Porca de um ano, cabra de um mês, e mulher dos dezoito aos vinte e três.
Em Janeiro, um Porco ao sol e outro ao fumeiro.
Morto por morto, antes a velha que o porco.
Mulher que assobia, ou capa porcos ou atraiçoa o marido.
Quem com farelos se mistura, porcos o comem.
Quem com porcos sonha, até o mato lhe ronca.

Ainda a  propósito dos que nos governam:
"Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem." (Mt 7:6)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Leitão da Quinta

Depois de ler isto, não conclua que me falta um parafuso mas sim uma porca.

Estou farto disto! Não me apetece escrever! A web transborda de palavras e imagens! O facebook, tenho dito, é uma espécie de grande superfície comercial que abafou as tabernas e merceerias da blogosfera! Já não se trata de não poder competir, a verdade é que tenho a sensação de não ter nada para vender e, muito menos, para dar! Toda a gente bota sentença e opinião e eu transformei-me numa espécie de D. Duarte de Bragança destes espaços, com pose e graça mas sem trono e sem reino.

Estou em estado blogo-depressivo. Tenho um profundo respeito e admiração por toda a corte, a perfeita conciência que os tempos que correm é dos porcos que rodopiam à nossa volta, razão determinante para continuar.

Rei dos Leittões! Na verdade, leitão é o meu prato preferido mas longe de mim, o apetite ser motivo eloquente para determinar um título tão popularucho!

Eu levava a lavagem, tirava o esterco, punha mato e pegava com valentia de forcado o porco quando era para capar ou para matar.
A nossa casa não era casa de lavrador de parelhas, além das quatro ovelhas, só tínhamos mesmo a porca.
A porca, se não adoecesse e eu tivesse que lhe abrir a cova, era assunto em que eu me fazia homem!
Levar a porca, para vender os bácoros, até aos 12. A minha mãe com uma saca de milho e um baraço atado à perna traseira da mãe suína e eu, atrás, com uma verga na ninhada! E quando vinha um carro?!... O desembaraço para arredar caminho, tinha que ser rápido que o homem era de outra condição!

Depois, no largo, a mãe deixava as deixas de preço e o "vem já" e ia fazer a sua volta. E eu ficava ali crescendo com a feira, convencido que o meu futuro passaria sempre por ali. Creio que cheguei, eu próprio, a vender os bácoros, talvez um tio por perto tivesse vindo acertar ofertas, quase sempre e naturalmente a minha mãe fechava. Mesmo que fosse só a porca-mãe, por bom negócio, que voltasse casa, a estrada de regresso era um tormento – fosse um burro e bastaria um arre para que ele compreendesse o alívio que é retornar ao lar.

Vem daqui a minha proximidade com os leitões. Depois, a simpatia especial por aqueles labutadores de churrasco que se auto-coroam Reis.

Rei dos Leittões só com um t?! Não dois tês:
O Google, a princípio, incrédulo, perguntava - será que quereria dizer Rei dos Leitões?
Agora já não! Já se habituou! Experimentem! Esta é a prova de que este blog até o poderoso motor do Google dobrou!
Se o leitor é amigo, estará ainda a correr o scroll lock e a pensar com o seu dedinho rolante -onde é que isto vai parar?? Se tem como intento um fim, evita de continuar! Faça-me um obséquio, deixe um comentário com o texto “fui dos tais” – deste modo poderei quantificar os que passaram muito além da quinta linha!

A minha saudosa mãe tomou sempre como rumo para os seus filhos, um futuro com comida. Como poderia ter sonhado, que o facto de me ter delegado parte da responsabilidade da suinicultura, teria dado origem a tão intelecta reflexão sobre a génese e existência dum blogue! Talvez seja mesmo a comida que nos faz banais!
Hoje comi mesmo bem!... Comi leitão!
Serve este post para mostrar que, não sendo possível, um porco andar de bicicleta, pode andar na corda bamba! Que farei com este blogue!? Olhem, vou cagueando!


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Leitão da Quinta

O porco faz esterco, o esterco é fertilizante. Podiam-nos ter chamado esterco em vez de lixo. Só há uma solução, obrigar os porcos a comer o lixo e depois pô-los a fazer esterco.

Seguidamente, comê-los a todos para acabar com a merda.

E, finalmente...
Acabar com eles!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Leitão da Quinta

Bem podem os anónimos, silvas, manuéis e outros perfis estranhos tentar golpes palacianos! Bem pode o facebook-caralivro tentar "belmirizar" o ciberespaço! Bem podem os fantasmas de santa comba erguer-se da tumba entusiasmados pelo renascer da direita necrófaga! O Rei e a Corte continuarão serenos, reinando com a situação, cortanto a torto e a direito em prol da revolução! Aporcalharemos os cavalos selvagens da  nobreza e cavalgaremos os porcos capitalistas! Na Grécia a revolução já começou! Viva o meu cão Loukanikos e a minha amada que faz hoje anos de casada e anda armada! Não tem piada mas rima! Não sou eu que estou em baixo nem ela que está em cima! Viva o programa da troika, o programa do governo, o programa do Manuel Luís Goucha, o programa das festas, o programa do verão! Hoje é quinta de Leitão!...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Leitão da Quinta

Vamos voltar ao Rei do Leittões com uma "repostagem", para ver se a malta me volta a tratar por Majestade e o reino se endireita porque, também aqui, a coisa está a ficar torta. Doravante haverá Leitão à Quinta - só por compromisso consigo dar de comer ao blogue!
Comam então que hoje o Leitão é de porco engordado, daquele que é capaz de fazer festa e alimentar uma parte da aldeia em dia de matança.


A primeira matança da minha memória conta-se assim:
Era Janeiro, mês em que o frio da França devolvia os emigrantes à terra, época em que nada havia para fazer com a terra, tempo em que o frio melhor conservava as carnes, altura certa para fazer a matança do porco que já estava mais que gordo.

Mal me levantei, comecei a seguir todos os passos do homem que era meu pai, empenhado em demonstrar-lhe que para homem também eu caminhava. Não tardou muito a chegada das pessoas mais chegadas para fazer o sacrifício.

João vai à barraca buscar 4 pregos e o martelo para fazermos a banca com estas duas tábuas e dois cepos / Vai buscar um balde de água para lavar as tábuas que estão cheias de teias / Bom dia Joãozito, hoje levantaste-te cedo / És tu que vais pegar o porco / Vai buscar a corda da burra para atar uma perna ao porco / Tens medo / Sai daí João que o porco ainda te morde / João vai chamar a mãe para trazer o alguidar para aparar o sangue / Tiveste medo / João vai buscar umas macheias de agulhas à meda e fósforos à cozinha / Vai buscar a forquilha velha que a nova não se põe no fogo porque destempera / Segura aqui com a sachola esta pata para chamuscar o lado debaixo da perna / Filho vai à adega encher o jarro e traz um copo para o pessoal / João vai à eira velha que há por lá uns pedaços de telhas de canudo para raspar o bicho / João agarra aqui nas unhas a ver se estão quentes / Pesava mais do que tu ó cachopo / João vai buscar mais agulhas / Vai buscar mais água à tina / João despeja aqui água nesta orelha / Despeja aqui na pata / João dá mais um copo ao pessoal / Segura aqui nas patas da frente João para começar a abrir o animal / O pessoal está com sede João / Vai buscar um baraço para lhe atar o cu / Vai chamar a mãe para trazer a água quente para escaldar a língua / Se queres saber como é o teu corpo olha aqui para o porco / Toma lá a bexiga que eu daqui a bocado faço-te uma bola / Olha que a malta está com sede João / Vai à barraca buscar o chambaril / Tu não o ajudas a levar que ele é pesado para ti / João vou agarrar-te ao colo e enfias ali a corda para pendurarmos o morto / Vai buscar um alguidar para o sangue escorrer / Agarra aqui nesta pata para sacarmos as tripas / Agarra o alguidar desse lado / Agarra aqui no fígado / Agarra aqui a ver se eu deixo / Vai buscar uma cana para manter o peito aberto / Dá um copo ao pessoal não vês que o pessoal está com sede / Os homens vão comer a bucha mas tu João vais com as mulheres ao ribeiro lavar as tripas que pode ser preciso alguma coisa….

À noite toda a gente se reuniu novamente para comer a cacholada. Comentou-se animadamente à mesa a criancinha que eu era.
- Ó João, pró ano já estarás com idade de ajudares e poderes fazer alguma coisa!
- E se fossem todos pró carvalho!?
E assim acabou valentemente o dia da primeira matança da minha memória com um valente estalo do homem que era meu pai.