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sábado, 9 de março de 2013

De que se ri senhor ministro?!


Gosto!

En una exacta
foto del diário
señor ministro
del imposible

vi en pleno gozo
y en plena euforia
y en plena risa
su rostro simple

seré curioso
señor ministro
de qué se ríe
de qué se ríe

de su ventana
se ve la playa
pero se ignoran
los cantegriles

tienen sus hijos
ojos de mando
pero otros tienen
mirada triste

aquí en la calle
suceden cosas
que ni siquiera
pueden decirse

los estudiantes
y los obreros
ponen los puntos
sobre las íes

por eso digo
señor ministro
de qué se ríe
de qué se ríe

usté conoce
mejor que nadie
la ley amarga
de estos países

ustedes duros
con nuestra gente
por qué con otros
son tan serviles

cómo traicionan
el património
mientras el gringo
nos cobra el triple

cómo traicionan
usté y los otros
los adulones
y los seniles

por eso digo
señor ministro
de qué se ríe
de qué se ríe

aquí en la calle
sus guardias matan
y los que mueren
son gente humilde

y los que quedan
llorando de rabia
seguro piensan
en el desquite

allá en la celda
sus hombres hacen
sufrir al hombre
y eso no sirve

después de todo
usté es el palo
mayor de un barco
que se va a pique

seré curioso
señor ministro
de qué se ríe
de qué se ríe.

Mario Benedetti 



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Este admirável mundo novo

Acredito, e já o tenho dito e repetido, que a divulgação de vídeos no formato blogue, não terá muitos "visualizadores". Contudo, a vontade de partilhar alguma coisa que vimos e gostámos, por vezes, obriga a fazer excepções e esta é uma delas. Encontrei este vídeo no "bons tempos hein?!" com o título "Excessos".
Se vale a pena perder três minutos do nosso tempo para ver, valerá ainda mais ganhá-los para pensar. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Um vulcão na Festa do Avante


Amanhã, sábado, vai estar na Festa do Avante o Vulcão Mayra Andrade.
Conheci Mayra Andrade por acaso. Estava por acaso em Porto Covo e por acaso, numa noite de Verão, vi-me no Festival de Músicas do Mundo. Surpreendido pela revelação, enquanto a ouvia, segredei à minha filha de dez anos:
- Ouve e vive este momento, vais ouvir falar muito desta mulher ao longo da tua vida!
E na continuação da nossa vida temos ouvido muito a sua música e nunca mais esquecemos aquela noite.
A noite em que conhecemos Mayra Andrade e em que nos roubaram a estrela do Mercedes.
Vinhamos a sair do festival e, ao chegar ao carro, constatámos que lhe/nos faltava a estrela. O GNR circunstante apercebeu-se da minha exaltação e abeirou-se averiguador:

- Deixe lá homem! São jovens! Fazem colecção!
- O Senhor guarda não percebe?! Eu preferia que me tivessem levado o carro e me tivessem deixado a estrela aqui no chão!
O guarda deu meia volta - provavelmente ia buscar o balão. Ao longe ainda lhe gritei:
- Ó senhor guarda! Eu só tenho um Mercedes por acaso!
Gostar das estrelas dos Mercedes e de Mayra Andrade não é o meu maior pecado, o meu maior pecado é não ter carro para ir à Festa do Avante!

sábado, 25 de junho de 2011

É um descontentamento inconsequente?

De facto, devo ter nascido há muito mais tempo. É que, embora compreenda e sofra as inquietações desta juventude, não consigo compreender como querem ter uma palavra a dizer nas decisões, colocando de parte o direito de votar, rejeitando os partidos ou a hipótese de constituirem um novo, emigrando. Pois é, já houve tempos em que a malta não podia votar nem constituir organizações de carácter político! A memória é importante!
Penetrem nos partidos, mudem-nos por dentro, criem partidos novos, inventem, participem, votem porque se é verdade que a democracia é muito mais que partidos e eleições, não será menos verdade que sem partidos e sem eleitos dificilmente existirá democracia.
Bom filme com boas rimas:

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Terra de ratos, gatos e porcos

Se os gatos governam e são presos os ratos que querem governar, que não triunfe a velha esperteza dum reino de porcos mas que se escolha o Rei dos Leittões. A mim ninguém me prende, nem niguém ousará acusar-me de querer comer os outros! Um video didáctico, para o ratos que teimam em votar nos gatos e não reconhecem a harmonia com que vivem na pocilga com os leitões:


sábado, 26 de março de 2011

A TV dos miguéis, marcelos, metêlos e outros que tais.

E porque o Miguel é o modelo, o paradigma, a caricatura, a referência, a língua, o cu de todos eles, merece um filme antes que se lembrem de lhe dar o nome de uma rua:


Gosto muito que façam debates e entrevistas sobre as coisas! Mas por favor, convidem gentes das coisas!

Para falar de justiça ou de saúde, não chamem novamente o Miguel e o Vitorino!
Para discutir a educação ou a cobiça, não convidem o José Manuel e a mulher!
Para debater o crime e a religião não convidem o Barreto e o Marcelo!
Para entender a pesca ou o Iraque não paguem ao Tavares e ao António!
Para compreender os agricultores e os militares não me façam ouvir o Fernandes e a patroa!
Para a fertilização ou a astronáutica não venham com Pacheco e com o Rebelo!

Compreendam que estamos fartos de os ouvir falar de tudo, conferindo a cada verbo que, do que sabemos, não sabem eles nada!

Especialistas de tudo! Revoltados com a crise nos seus fartos rendimentos!
Fluentes no verbo e influentes nas elites ditam e receitam:
É preciso diminuir a despesa e aumentar a receita!
- Para afirmar isso é preciso ser doutorado!?

Que os actores das novelas se repitam, compreendemos!
Mas que, para falar dos nosso problemas, sejam sempre os mesmos?!.....
E por favor não os ponham em directo de Paris, do monte ou do safari!
(já vou em três televisores em três meses - a culpa é das botas da tropa!)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Pare, Escute, Olhe

Há uns meses  assisti, gratuitamente, ao filme "Pare, Escute, Olhe" de Jorge Pelicano. Gostei tanto que prometi a mim mesmo que haveria de escrever alguma coisa sobre o assunto. Gostei tanto que na primeira oportunidade comprei o DVD, não só porque o queria ter - e eu não sou muito de ter - e rever mas também porque senti que deveria contribuir para ajudar a pagar a produção.

O filme conta-nos da linha do Tua, da crueldade e irresponsabilidade com que se têm dado cabo dos transportes ferroviários, dos rios, das povoações do interior, do país. Tem lá tudo, Portugal, a paisagem, a fotografia, a luz, o povo, os velhos, os novos, os activistas, os protagonistas políticos dum lado e doutro, os cães, o desacarrilamento, o humor de partir. 
Este é um guião que não se rende ao politicamente correcto porque a crítica não foge aos nomes. As personagens, os culpados, as vítimas, os defensores têm nome e rosto de bilhete de identidade. Talvez por esta ousadia tarde o sucesso mediático que lhe é devido. Isto apesar dos prémios.
Recomendo vivamente!