Eis a razão porque nada tenho postado, escrito ou inventado! Eis a razão porque não tenho lido livros, blogues ou jornais! Estou de Páscoa! Estou páscoo! Ressuscitarei não para subir aos ceús mas para descer à Terra! Amanhã vou ter de levantar-me pelo meio-dia para acender o carvão! Entretanto...
UM DOGMA DESASTROSO
“Sejamos preguiçosos em tudo, excepto em amar e em beber, excepto em sermos preguiçosos.” LESSING
"...Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho. Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara. Eu, que não confesso ser cristão, economista e moralista, recuso admitir os seus juízos como os do seu Deus; recuso admitir os sermões da sua moral religiosa, económica, livre-pensadora, face às terríveis consequências do trabalho na sociedade capitalista.
Na sociedade capitalista, o trabalho é a causa de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica. Comparem o puro-sangue das cavalariças de Rothschild, servido por uma criadagem de bímanos, com a pesada besta das quintas normandas que lavra a terra, carrega o estrume, que põe no celeiro a colheita dos cereais. Olhem para o nobre selvagem, que os missionários do comércio e os comerciantes da religião ainda não corromperam com o cristianismo, com a sífilis e o dogma do trabalho, e olhem em seguida para os nossos miseráveis criados de máquinas ... "
Extracto de um ensaio escrito por um filósofo francês de nome Paul Lafarge. O livro chama-se " O direito à preguiça".




