terça-feira, 31 de março de 2015

O Direito à Preguiça

Eis a razão porque nada tenho postado, escrito ou inventado! Eis a razão porque não tenho lido livros, blogues ou jornais! Estou de Páscoa! Estou páscoo! Ressuscitarei não para subir aos ceús mas para descer à Terra! Amanhã vou ter de levantar-me pelo meio-dia para acender o carvão! Entretanto... 

UM DOGMA DESASTROSO
“Sejamos preguiçosos em tudo, excepto em amar e em beber, excepto em sermos preguiçosos.” LESSING

"...Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho. Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara. Eu, que não confesso ser cristão, economista e moralista, recuso admitir os seus juízos como os do seu Deus; recuso admitir os sermões da sua moral religiosa, económica, livre-pensadora, face às terríveis consequências do trabalho na sociedade capitalista.
Na sociedade capitalista, o trabalho é a causa de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica. Comparem o puro-sangue das cavalariças de Rothschild, servido por uma criadagem de bímanos, com a pesada besta das quintas normandas que lavra a terra, carrega o estrume, que põe no celeiro a colheita dos cereais. Olhem para o nobre selvagem, que os missionários do comércio e os comerciantes da religião ainda não corromperam com o cristianismo, com a sífilis e o dogma do trabalho, e olhem em seguida para os nossos miseráveis criados de máquinas ... "

Extracto de um ensaio escrito por um filósofo francês de nome Paul Lafarge. O livro chama-se " O direito à preguiça".

sexta-feira, 20 de março de 2015

PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NÃO!

 (glosa sobre o poema de Ary dos Santos intitulado
“Poeta Castrado, Não!”)

Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
cabeçudo, dromedário,
fantoche de eleição,
parvónio, salafrário,
mestre-escola aldrabão,
oportunista, falsário
malabarista, cabrão.

Chamem-lhe o que quiserem:
Presidente da República, não!...

Os que sabem, como ele,
as linhas com que se cose
vêem o interesse dele
em manter a sua pose:
egoísta, trambiqueiro
distorce a realidade,
ao escrever cada “Roteiro”,
para ter visibilidade!...

Os que sabem, como ele,
governar-se e encher a pança
aceitam que seja dele
tanta sede de vingança:
Político vingativo
e que, disso, não se cansa,
não quer saber do aflitivo
caos da actual governança!...

O tipo não faz história.
- Sua morte lenta é fatal!...
Irá ficar na memória
como um mesquinho banal!...

O seu fim poderá ser
uma penosa agonia!...
O Povo irá fazer dele
escárnio, em cada dia!...

Vai acabar por morrer,
ao parir a ninharia
só descrita, a bem dizer,
nos “Roteiros” da fantasia!...

Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Chamem-no até p’lo nome,
Cavaco, sem coração,
ao ver que se passa fome
e nada faz p’la Nação!...

Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Demagogo, mau profeta,
falso professor, ladrão,
um narcisista pateta,
quando calado ou não.

Será tudo o que disserem!...
PRESIDENTE DA REPÚBLICA
É QUE NÃO!...

recebido por email





quinta-feira, 19 de março de 2015

Dia do Pai - este post é uma prenda para os meus filhos

Já há algum tempo que eu desconfiava, se eu não bebo, porque é que os meus filhos me oferecem sempre vinho?! E é sempre vinho da mesma marca!
Hoje descobri que me oferecem sempre a mesma garrafa!

Pelas minhas contas a garrafa já deve ter uns setenta anos. Intrigado, no meu último aniversário, não sei agora precisar a data, com uma unha fiz uma marca discreta, e hoje tirei as provas.

Poderia ter uma conversa com eles mas já sei que me responderiam que não voltariam a ir àquela garrafeira porque o homem tem as unhas sujas e grandes. Prefiro bebê-la. E tem de ser hoje porque amanhã faz anos que rompi com a minha penúltima namorada e o acontecimento costuma ser festejado aqui em casa com prenda e tudo. Afinal, se o namoro tivesse resultado, não teriam este pai nem a sua mãe e eu, provavelmente, não bebia. 

Nota: Há qualquer coisa que não bate certo nestas história: que idade tenho eu? que pai sou eu? bebo ou não bebo?

terça-feira, 17 de março de 2015

Promoção de Portugal


Portugal tem praias bonitas, sol, mulheres bonitas, a Nazaré, a Fátima, a Amareleja e agora, no voz do presidente que fala francês, algures em Paris num luxuoso hotel, tem também para oferecer mão de obra flexível e barata.

Há meia dúzia de anos que os batedores da selva mediática vinham "informando" que teríamos herdado da revolução de abril a legislação laboral mais rígida da europa, responsável pela inibição da criação de emprego e pela incapacidade de concorrência das nossas empresas. Eis senão quando, num abrir e fechar de acordos laborais, o magistrado mor publicita bem no centro da europa que temos "mão de obra flexível". 

Quer isto dizer que é fácil despedir, é fácil chantegear, é fácil pôr e dispôr,  é barato e dá milhões.

Uma maioria, um governo, um presidente. O serviço (leia-se "a merda") já está feito. Podem ir embora agora!?
Gozai em descanso os rendimentos das vossas reformas e medidas porque isto vai levar muito tempo a reconquistar.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Confesso às paredes


Confesso que naqueles anos
Eu bebi tudo o que era etílico
Eu fumei tudo o que era tóxico
Eu namorei tudo o que mexia
Eu tive trabalho mas nunca fiz nada

Confesso que naqueles anos
Vivi dos meus padres e padrinhos
Falei aos microfones sem saber o que dizia
Subi aos palcos porque era bonito
Passei nos exames sem saber nada

Confesso que naqueles anos
Era a minha mãe que me ia ao banco
Era a das doce que marcava as viagens
Era o ângelo que me anjava o destino
Eu nunca abri a carteira para nada

Confesso
Sabia lá eu o que era pagar?
Eu nunca paguei nada!
Sabia lá eu o que eram contribuições?
Eu nunca contribui para nada!
Sabia lá eu que ia ser primeiro ministro?
Confesso que pensava que um tipo como eu nunca lá chegava!

Obrigado meu ângelo da guarda!


quinta-feira, 12 de março de 2015

Há homens que não merecem um verso mas

Os tempos são conturbados. 
E há pessoas que precisam de amor ou de, pelo menos, um gosto de ti, mesmo que não seja muito sentido.

Gosto de ti.
Gosto de ti mesmo quando deixaste de pensar em mim.
Gosto de ti.
Gosto de ti mesmo no dia em que disseste
que era melhor ir ser feliz para outro lado.
Que era melhor ser pragmático
Do que ficar aqui a sonhar acordado

Gosto de ti.
Gosto de ti mesmo quando me deixaste na mão
Mas já não penso nisso
e até fico triste quando me vejo ao espelho
E penso como não gostaria de estar no teu lugar,
meu amor Passos Coelho

Um texto de Antonio Raminhos

segunda-feira, 9 de março de 2015

O Pedro e o Adelino


Esta foto quixotesca, que encontrei algures na web, diz-me  muito, diz muito, fala muito por si. O olhar louco e a pose nobre do Pedro - de boas famílias e abonado, dizia-se - a expressão infantil e a posição insegura do Adelino - que faleceu recentemente, li - e o outro feliz enquadrado de quem a memória me levou a referência. 

Aqueles que conheceram estas personagens, têm em comum algo mais que o facto das terem conhecido. Coimbra, anos oitenta, toda a gente os conhecia, toda a gente trocava com eles um "atão pá?" ou mais umas palavras. Uma moeda, um cigarro, uma informação das horas que eram, um sorriso irrecusável ou um riso de situação bizarra. Os nomes do Pedro e do Adelino são indissociáveis. Andavam sempre juntos sempre a andar, de rua em rua, de sítio em sítio, do Norton de Matos ao Calhabé, da Praça à Porta Férrea, o Adelino sempre com um avanço de metros porque, quando a distância encurtava, era certa a discussão entre os dois:
- O Lucas Pires é do CDS!
- Não é nada, é do Belenenses!
O Pedro ralhava com o Adelino e o Adelino ralhava com o Pedro. Não sabiam andar de outra forma os inseparáveis amigos.
Se toda a gente conhecia o Pedro e o Adelino, o Adelino e o Pedro também me conheciam bem. Uma tarde, livre de frequências próximas, eu, que também tinha a minha dose, dei por mim a fazer companhia a ambos nas suas andanças. A minha ideia era escrever uma história de que só tinha o título "Uma tarde com o Pedro e o Adelino". Cumprida a aventura, achei por bem não relatar a experiência, porque foram duros os olhos que me julgaram, porque contar teria sido uma traição, porque todos eram amigos do Pedro e do Adelino mas o Pedro e o Adelino, a partir de então, só eram amigos meus - digo eu!... Porque neste mundo há muitos mais como eu ou como o Pedro e o Adelino, que lá no fundo eram pessoas como todos, não fosse o pequenino erro de nós nos considerarmos diferentes deles chamando-lhes "diferentes".

Se estas linhas chegarem a alguém que deva recordações a estes dois vultos, é favor utilizar a caixa de comentários.

sábado, 7 de março de 2015

Pedro Passos Cu Ei-lo:

A esta hora já devem ter visto estes 15 segundos da melhor curtísima metragem dos últimos dias.
Contudo, para mim, basta que exista uma nova visualização para já ver justificação no espaço aqui ocupado. Todos os portugueses, e sobretudo os que elegem gente desta, deveriam ter a oportunidade de degustar estes segundos.
E, se por acaso, esta via não fizer a novidade a ninguém, fica pelo menos aqui o registo para que conste. 
Este homem é o máximo! Este homem é primeiro ministro! Este homem merece as palmas de fundo que aqui se ouvem! Este homem só por dizer isto, já merece voltar a ganhar as eleições! Este homem é um exemplo!

terça-feira, 3 de março de 2015

Pato bravo ou chico esperto?

O pato bravo que me fez a casa, mentia por tudo e por nada e, se descoberta a careca, defendia-se habilmente, entre a brincadeira e a vergonha, com uma piada desarmante ou uma desculpa esfarrapada, sem tirar da boca o cigarro que lhe fazia os sorrisos amarelos e o impedia de mostrar todos os dentes.

- Amanhã de manhã estou aí às sete!
E lá me levantava eu sem que aparecesse alguém, chamadas para telemóvel desligado e, passado um dia ou dois: um tio que morreu, um servente que meteu baixa, uma furgoneta que gripou ou até a puta da mulher que lhe andava a pôr os cornos.

- Para a semana esta parte fica pronta!
E eu, sempre de esperanças, a acreditar perante as certezas e as promessas que, desta vez é que era para, chegado o prazo, ter de engolir com santa paciência a minha ingenuidade e a arte do verdadeiro construtor de negócio em popa.

Tão pouca era a vergonha que na minha presença ou companhia, podia ouvir conversas ao telefone em que ele assegurava ao interlocutor, estar em Paris, ir a caminho da obra, ter tido um acidente ou outro contratempo, assim mesmo, nas minhas barbas e a piscar-me o olho malandro como quem diz "ontem foste tu, hoje é este!".

Verdade é também, que o homem não parava, acelerava a um lado e ao outro, pegava nas ferramentas, levantava pedras, reparava gruas, ralhava aos pedreiros e aos fornecedores, conversava comigo todos os pormenores e a caneta só ia uma vez ou outra ao bloco a6, amarrotado, que tinha frente ao volante da carrinha.
A verdadeira escrita era com o técnico de contas a quem se referia como doutor e a quem elogiava repetidamente "porque ó doutor" - também assim me tratava "eu posso falhar com muita coisa, dever a alguns mas ao estado é que não, que ele não perdoa!" E acrescentava:
- Este doutor contabilista tem-me valido muito! Nunca recebi uma notificação das finanças ou da segurança social! Porra! Que eu sei como eles mordem! É todos dias: fulano foi à falência por isto, sicrano até sem a casa ficou, beltrano teve de fugir para França!...

Se havia uma discussão entre nós mais acesa, lá me amansava com um almoço a dois, onde me contava o "vim do nada", da mulher de quem suspeitava, da filha que estudava e onde nunca faltava uma história de que se tinha de fingir acreditar:

- Em 1968, vinha eu de França num autocarro e ali, antes de chegar a Salamanca, ele virou. Pois um grupo de malta, partiu um vidro, saiu, com a sua força, voltou a pôr a camioneta em pé e continuámos viagem!... Olhe, alguns vinham a dormir, nem se aperceberam!....

E prolongado o almoço lá calhava:
- Ó doutor, eu posso ser muito mentiroso mas não chego para os tipos que nos governam! Ou o doutor pensa que, por exemplo, este tipo que agora é primeiro ministro, falha-me agora o nome dele, paga às finanças e à caixa como eu?! É claro que não!... A gente olha para o gajo e vê logo pelo abanar e pela conversa que aquilo é um chico esperto!...

É assim, quem não tem dentes não pode mentir com os dentes todos, há mentirosos e mentirosos, há patos bravos e chicos espertos.