segunda-feira, 18 de junho de 2007
Cinco livros
domingo, 17 de junho de 2007
Antes do Portugal Profundo
Mas o que é isto?!É processo disciplinar por graçola sobre um primeiro ministro;
José Cutileiro, Os medos, in Versos da mão esquerda, 1961.
sábado, 16 de junho de 2007
Portugal Profundo
António Caldeira, autor do blog "Portugal Profundo":
"Já me tinham chegado uns zunzuns sistémicos, mas não quis crer...
Acabo de ser convocado para prestar declarações como arguido no âmbito de inquérito judicial relativo ao assunto do percurso académico (e utilização do título de engenheiro) de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa - além de outra convocação para depoimento como testemunha noutro inquérito relativo ao mesmo Dossier Sócrates. Desconheço o(s) crime(s) de que sou arguido - tendo sido eu que investiguei e publiquei este Dossier, depois desenvolvido na blogosfera e nos media".
Visita o blog Portugal Profundo e deixa uma mensagem de solidariedade!
Estranho, muito estranho, depois do Charrua... um governo socialista... o silêncio dos media... sócrates sempre no meio...estranho... muito estranho...
sexta-feira, 15 de junho de 2007
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Com classe
Num T1, num quarto andar, numa varanda virada de costas para o mar. Terraços de um bairro social – anos oitenta!? – de pretensa arquitectura tradicional algarvia.
São oito e trinta da tarde, duma porta sai um jovem de traje despreocupado e andar toxicomaníaco, um homem de rugas seguras encosta à parede uma bicicleta artilhada de artefactos da pesca de bivalves.
Já vai tempo que gozávamos um mês de praia, era tanto tempo que optámos apenas pela quinzena, depois achámos que uma semana chegava bem e, este ano, optámos pelo fim-de-semana prolongado. A vida está cara e a gente já não tem pachorra para andar ali no vai e vem de estender e dobrar toalha sobre a areia. Esta classe média está a perder tudo, até a vontade de lazeirar.
Filho de mãe, mãe, pai operário, há uns anos atrás dei por mim pequeno-burguês. Velhos amigos das ruas da infância e do futebol de rua continuaram no estatuto de seus pais. A culpa foi deles, tivessem estudado e lutado como eu! A culpa foi deles que, jovens, só pensavam em haxixe e em espelhos para as motas! A culpa foi deles que, homens feitos, mudavam de emprego em emprego nunca satisfeitos com o patrão! A culpa é deles que derretem todo o dinheiro que ganham em telemóveis, arraiais e futebóis e, como se não bastasse, alguns até têm três e quatro filhos.
Eu não! Eu vivo dedicado aos meus dois filhos, não telefono a ninguém, divirto-me à noite frente à televisão e não vou em futebóis!
O egoísmo da classe média sufocou-a!
Quando os poderosos começaram a questionar o meu bem-estar, julguei-me com poder e intocável;
Quando me propuseram novas e mais tarefas acreditei que ia ser promovido;
Quando me congelaram o vencimento, conformei-me com a necessidade do momento;
Quando disseram que eu não fazia nada, pensei cá com os meus botões, estes tipos não percebem nada do meu serviço;
Quando me começaram a tirar direitos e os sindicatos decretaram greve, eu não a fiz porque sempre achei que essas acções eram coisas de operários que querem ganhar tanto como eu;
Quando me convenci que a coisa estava mesmo a dar para o torto, atirei as culpas para os sindicatos dominados pelos comunistas;
Agora não sei se não será mesmo a última vez que venho ao Algarve! O meu pai nunca passou o Alentejo! A classe média tem morte anunciada! Creio que, haja emprego, eles nunca me vão pôr ao balcão descalço, desdentado e esfomeado!
Vou manter-me caladinho e obediente para conservar o meu estatuto de funcionário; eu não quero virar um operário como o meu pai que morreu a dois meses da reforma sem nunca ter gozado férias ou sequer ter tomado um banho de água salgada.
O rapaz de traje despreocupado está-se nas tintas para a vida e para a política. O homem da bicicleta vai ter de tirar um curso de apanhador de conquilhas, os artefactos vão ter de ser licenciados, a bicicleta vai ter que se submeter a inspecções periódicas, e as conquilhas têm de ser depositadas numa câmara frigorífica com chave-selo. Acho muito bem! E o homem deve trabalhar para uma empresa devidamente credenciada!
Num terraço que tem uma espreguiçadeira deitou-se uma mulher a fazer topless.
O egoísmo da classe média está a pôr-nos loucos! Atirar-me-ia deste quarto andar se soubesse que caía direitinho sobre a espreguiçadeira do terraço que a tem!
Pensava destas o homem de cabelo grisalho, vizinho de varanda, enquanto fumava um poderoso e assassino cigarro quando eu o interrompi com um conselho:
Oh vizinho, não quer uma bejeca, não pense mais no assunto, deve ser uma operária desempregada! Ah! Ah! Ah!
terça-feira, 12 de junho de 2007
A bandeira portuguesa
Um terraço tem várias gaiolas com pássaros e dois cães enormes enroscados na escassa sombra. Dois terraços têm garrafas de gás. Três terraços têm cadeiras de esplanada e um tem também uma espreguiçadeira. Alguns terraços têm estendais de roupa, num em particular aprecio um par de ceroulas e uma combinação. Alguns terraços têm bicicletas ferrugentas e de pneus vazios. Quase todos os terraços têm um mastro com uma bandeira portuguesa esfarrapada.
Um bairro português de bandeiras portuguesas esfarrapadas. Parece-me ver daqui o Portugal inteiro até Valença de bandeiras queimadas pelo sol, testemunhas de um passado de falsas esperanças, marcas que se vão sumindo no tempo da desesperança! O tempo de Sócrates! E o que verdadeiramente me entristece é saber que foram os mesmos que tocaram o içar bandeiras que depois se envergonharam de sugerir o arrear. Mas o que verdadeiramente me enternece é observar que esta gente continua o seu lavor de ganha o pão e a enfeitar as ruas pró arraial, consciente e conformada com os mandos e desmandos do pessoal que aparece na TV.
São oito e trinta da tarde, duma porta sai um jovem de traje despreocupado e andar toxicomaníaco, um homem de rugas seguras encosta à parede uma bicicleta artilhada de artefactos da pesca de bivalves.
Suponho que sob todos os terraços vivem famílias diferentes entre si e muito diferentes das que vêm e vão e permanecem alguns dias no prédio com piscina e quarto andar.
Sobre a espreguiçadeira do terraço que a tem, espraiou-se agora uma mulher em topless:
- Vejo?! Ou finjo que não vejo!?
Chamam-me para ver um programa que está a dar num canal espanhol. Afinal eu estava apenas a reflectir sobre o caso das bandeiras verdes e vermelhas queimadas pelo sol e esfarrapadas…
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Três Tristes Notas
NOTA 3 – Qualquer dia ainda vou ter um acidente automóvel por passar os percursos da manhã a procurar estações de rádio que não relatem os problemas de trânsito de Lisboa! Como se tal não bastasse as eleições fora de época da capital são um ruído insuportável em tudo o que é informação! Eu quero lá saber quem é que vai ser o presidente da Câmara! Escolham o António Costa! Escolham o António Costa que é do PS! Não me digam que não gostam do PS?! Escolham o António Costa que pelo menos é a caricatura perfeita dos tempos que vivemos!
Amanhã é para fazer as malas! Quarta depois do trabalho viajar! Quinta Corpo de Deus no Algarve! Sexta ponte de sesta na areia! Sábado gastar dinheiro em bivalves! Domingo regresso! Até segunda-feira se Deus quiser!
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Uma entrevista nunca vista
- "Você é do PCC?"
- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: emigração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias. A solução que nunca vinha... Que fizeram ? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...
- Mas... A solução seria...
- Solução? Não há mais solução, cara... A própria ideia de "solução" já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento económico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até Conference Calls entre presídios...) E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.
- Você não têm medo de morrer?
- Você é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar... Mas eu posso mandar matar vocês lá fora... Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala... Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... Mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, Internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
- O que mudou nas periferias?
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório... Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no "microondas"... Ha, ha... Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
- Mas o que devemos fazer?
- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gente já tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí... Pra acabar com a gente, só jogando bomba atómica nas favelas... Aliás, a gente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo... Já pensou? Ipanema radioativa?
- Mas... não haveria solução?
- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... na boa...na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês... não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogni speranza voi che entrate!" - Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno. "
Um agradecimento ao Hocus Pocus Land por me ter proporcionado o reencontro com esta entrevista que já conhecia mas à qual havia perdido o rasto.
quinta-feira, 31 de maio de 2007
Diário de um Dia de Greve
Ao pequeno-almoço, liguei a televisão, o Carvalho da Silva fazia o seu papel e uns engravatados do governo faziam o papel de outros! Os números, sempre os números! Quando é que esta gente deixa de fazer as coisas para a televisão, munida de técnicas para chamar a atenção e camuflar verdades, e deixa o povo tirar as suas conclusões ao fim do dia!
É claro que o meu descontentamento me faz tomar partido e simpatia entre os que andam pelos locais de trabalho e os que convocam a imprensa para soletrar a sua arrogância à superfície dos seus fatos pretos de job boys!
Decidi não ir ao café, ir-me-iam perguntar porque não fui eu trabalhar, porque é que era esta greve, eu iria num sorriso feito ao momento hesitar um pensamento – ainda perguntas?! – e sairia sem responder com uns bons dias de homem de boa educação!
A vida por aqui ainda é muito assim – fazer greve agora é o mesmo que não ir à missa dominical há 50 anos. Mas fora essas coisas, apesar de nos últimos meses terem fechado algumas escolas, o SAP, a esquadra, o tribunal e a puta que os pariu, existem três cruzamentos com semáforos, três rotundas e o presidente da câmara tem BMW com motorista particular.
Dez horas, fui arrancar batatas - arranquei poucas mais do que as que semeei! A vida é assim também nestas coisas!
Telefonei para o serviço, dos 32 faltaram 10 ao trabalho! Sempre os mesmos, os que não querem trabalhar, aqueles a quem não faz falta o dinheiro, os políticos, os meios comunistas - aqueles que não dizem está mal, está mau, só por dizerem e que na hora de se fazerem ouvir dizem em forma de greve – ASSIM NÃO!
Não é todos os dias nem por qualquer motivo que há uma Greve Geral – desde o 25 de Abril é a quinta e a primeira realizada sobre a ameaça real de pré-ditadura! Dir-se-ia que se repete, com as inevitáveis diferenças, o clima do início dos anos trinta.
Por tudo isto, almocei e bebi regaladamente, fui dar uma nova volta à minha espiral da blogosfera e, agradado com o movimento da imagem que marcou a Greve Geral da minha blogosfera, pelas 16 horas bebi uma cerveja, voltei à blogosfera, bebi outra cerveja voltei à blogosfera e estou aqui – já jantado claro - sem ter ligado à televisão, à rádio, borrifando-me para notícias da greve e de outras coisas, com a consciência do dever cumprido, consciente de ter contribuído para um futuro melhor, para uma data de registo e porque é meia-noite contente por ser Rei dos Leittões e ir colocar já este desajeitado texto algures num servidor como eu!
Não vai haver mais nenhuma greve como esta! Ninguém viveu este dia como eu!
Abaixo o Sócrates! Viva os que poderão dizer: EU FIZ GREVE!
terça-feira, 29 de maio de 2007
domingo, 27 de maio de 2007
Tenho tomates?!
sexta-feira, 25 de maio de 2007
O Raposa Velha
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Com aeroportos não se brinca
A coisa marcou-me, de tal modo que, a partir daí, passei a revelar uma paixão doentia por tudo o que são máquinas voadoras. Se ouço a léguas um ruído de avioneta, voo logo para a rua para apreciar a aeronave. Gasto também muito tempo a observar os rastos de fumo que os jactos deixam no céu. O meu sonho era que o meu quintal confrontasse com as redes de guarda de um grande aeroporto e eu pudesse delirar o dia inteiro com o ruído estrondoso e a vista espectáculo dos monstros do ar. Não me oriento nas ruas de Lisboa porque cada vez que lá vou, em vez de prestar atenção aos nós e às rotundas passo a visita a olhar para o ar a admirar os voos dos que partem e chegam.
Descobre-se agora, que existem milhares de lisboetas com este meu gosto. É só abrir a televisão e vê-se logo uma súcia de gente da cidade a defender a manutenção da Portela em Lisboa, contra a Ota e o Rio Frio. Pela leiga apreciação que faço da contenda parece-me que o país inteiro quer um aeroporto à sua porta.
Ora, se somos todos portugueses defendo que, para contentar os desejos da maioria e melhor servir o desenvolvimento do território no seu todo, a melhor localização seria em Vila de Rei, terra que pelo palpite dos meus olhos deve ser o centro geográfico do país. Para meu próprio interesse e de outros como eu, que nunca andámos de avião e que pelo andar da carruagem nunca sairemos da cepa torta da província, pelo menos poderíamos sentir mais de perto o prazer de os ver passar. E, porque sou das beiras, poupado e pobre, gostava também de pôr outra colherada no assunto que, de quando em vez, se torna no grande problema nacional: porque não, para começar, falar só a umas giratórias e a umas retros, fazer duas ou três pistas para os aviões aterrarem e depois à medida que a coisa fosse dando iam-se fazendo mais umas obras, umas latrinas e tal?
Que Vila de Rei deixe de ser só lembrada pelo “mais uma vez ardeu tudo” ou pelo acolhimento de brasileiros. Começa aqui o movimento pela construção do aeroporto em Vila de Rei.
terça-feira, 22 de maio de 2007
Votem no Toino senão o Jorge chora
No seu pedido, ingenuamente, fica implícito o receio que na hora de coçar o boletim de voto o cidadão se lembre das tropelias a que tem sido sujeito pela corja de Sócrates e zás, vote nos outros! Concluindo, o Jorge, que conhece o povo olhado dos púlpitos presidenciais e das palmas humildes e inocentes das presidências abertas, desconfia do alto do seu conforto de ex-disto e daquilo, que a plebe não deverá estar muito satisfeita com o seu PS pouco MES. O Jorge, como durante tanto tempo o conhecemos, continua por tudo e por nada preocupado!
Pois é, a malta podia até esquecer, balancear razões recentes e antigos preconceitos e por exclusão de partes optar pelas rosas. Mas senhor Jorge, o senhor proposto representa, ele mesmo, um número omnipresente nas exibições políticas dos saltimbancos da nação, é a caricatura perfeita do vazio linguístico das comunicações ao país, é o tão bom para tudo que só pode ser bom em nada excepto na esperteza animal de raposa política. Pressentindo um verão de inferno no Portugal aquém Lisboa, Toino foge da chamusca e tenta refúgio na capital do Chiado já esquecido.
Pode ser que a figura, à mercê da farsa mediática em que se transformou a democracia deste país, se empoleire no Paço, mas nós, gente da província não os esqueceremos em Agosto. Pelo menos, nem que seja só um Verão, que arda também Lisboa e que no resto do país ardam só os campos de golfe! Não é desejar mal a ninguém, mas porque é que teremos de ser sempre os mesmos a sofrer as consequências da negligente inércia da Administração Interna!? Porque é que teremos nós de não ter água para apagar o fogo só porque o Senhor Jorge está a jogar golfe!?
Promessa do eu político: se este Verão não houver incêndios na Sertã e arder a Câmara de Lisboa, eu vou passar férias no Quénia!
Estado Policial
Isto é, como seria de esperar este reforço da presença policial, querendo fazer parecer que tem como objectivo a segurança dos cidadãos é antes determinado pela vontade expressa de punir pecuniariamente.
Nesta linha, começam já a indiciar-se espíritos de leis, que contêm ocultas razões de dar lucro. Custa-nos começar a acreditar que é este o espírito que nos governa, mesmo que já nos tenhamos convencido que não há “medida” de anúncio de ministro que não traga implícita uma razão economicista!
Riríamos menos das licenças de isqueiro do Salazar se tivéssemos consciência da quantidade de emaranhados legislativos, que a pretexto da nossa protecção, nos vão amputando a liberdade, a qualidade de viver e a sobrevivência económica!
Exemplos de multas para a nossa segurança: carta verde do seguro não assinada, colete verde amarelecido, amarelo do ano da matrícula esvaído, ter bebido um copo de vinho e duas sardinhas, ou pior, ter comida uma sardinha e bebido dois copos de vinho…
sexta-feira, 18 de maio de 2007
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Apoio à maternidade e à paternidade
Foi por estas e por outros que abandonei a minha vocação clerical! A seriedade com que acatava o Evangelho e as regras de obediência que a Doutrina me ditava, fizeram-me abandonar os votos de celibato e castidade!
A mancebia completou o desejo e trouxe com ela algumas interrogações:
Porque não cumpriam os padres pregadores a ordem bíblica? Porque até o próprio Cristo não deixou descendência?
Ouve o que eu digo e não olhes para o que eu faço, não era ditame suficiente para me convencer, mas acabei por compreender, conhecendo eu bem o trato que nos davam os homens dos altares, que os mesmos não teriam muito jeito para criar. Por outro lado nos tempos do Outro, o JC, deveria ser claro para os mortais, que mais umas almas no Planeta faziam falta para a evolução da espécie.
Estamos agora no século XXI e a palavra de ordem continua a ser a mesma: têm que fazer mais filhos! E pasme-se, num Planeta a abarrotar de hiper povoação, agora sim, a razão não poderia ser mais esfarrapada, hipócrita e egoísta: é preciso sustentar o sistema da Segurança Social!
Governo, após governo – este bateu no assunto há poucos dias – vem um qualquer ministro anunciar medidas de apoio à maternidade e paternidade. Só para no momento futuro e oportuno nos atirarem entre linhas:
- Nós avisámos, não bastava a cópula, era absolutamente necessário fecundar!
E vejam bem, escárnio dos escárnios, estes senhores insistem na sua preocupação social, ao mesmo tempo que anunciam a inevitabilidade do fim daquilo a que abusadoramente ousaram chamar Estado Social; ao mesmo tempo em que assassinam os direitos que trabalhadores e famílias fizeram registar em décadas de luta; ao mesmo tempo em que legislam para penalizar a mãe ou o pai que falta ao trabalho para cuidar da saúde dos seus filhos; ao mesmo tempo em que criticam o educador que obsta integrar no espaço escolar crianças com febre; ao mesmo tempo em que… tantos apoios que Abril trouxe nos estão um após outro a retirar!
Oferecem nos microfones e tiram com as duas mãos!
Prefiro ouvir as prédicas que invocam razões de humanidade do que a propaganda política do faz de conta!
Viva Jesus! Abaixo Sócrates!
quarta-feira, 16 de maio de 2007
O Elogio do Frigorífico
Realmente, nesta hora – noutra hora posso pensar diferente – não me ocorrem grandes diferenças entre o Ronaldo e o Saramago, entre Tchaikovsky e Kim Barreiros, entre José Vilhena e Castelo Branco, entre o Sócrates grego e o da Covilhã.
Na verdade, prefiro os contos populares que atravessaram gerações, as quadras e melodias moldadas por séculos de descamisadas, as pirosadas que se amanham nas tabernas em extinção, enfim a cultura sem registo ou escola.
E veio a escrita, a imprensa, a grafonola; a cassete, o vídeo e a internet e benvindas serão outras coisas que virão, mas não me subestimem com desdém, nem me chamem nada por eu ignorar coisas que não me dão pica nem sustento! Sou assim prontos! (eu sei que não se diz prontos, mas… Prontos!).
Prontos! Eu vivo sem todas essas coisas! Posso passar sem a televisão, as notícias, a água quente! Não preciso da letra impressa - tenho ouvidos para ouvir e boca para falar - não preciso do automóvel – se for preciso compro uma bicicleta - dispenso todas as maravilhas do transístor! Só não consigo viver sem frigorífico – esse o tal, que não tem manual de instruções, nem rodas, nem electrónica!
Não sei se o caro contemporâneo, já experimentou viver privações de electricidade:
- pode-nos faltar tudo na vida, arroz, cultura e televisão, só nunca nos pode faltar um frigorífico! De preferência Bosch! Eu sei que lembra berbequim! Mas sei que é uma boa marca!
Vê-se pelo andar do texto, que estou a descarrilar, comecei a escrever porque fui ao frigorífico buscar uma sagres, não sei de que marca, e senti uma vontade imensa de o recompensar! Tentei, mas não consegui meter o Sócrates na história para descarregar!
Ocorre-me agora: se enfiássemos o Sócrates no congelador! Podia ser que daqui a uns anos desse jeito!
terça-feira, 15 de maio de 2007
Caso de Polícia
Um amigo de infância, PSP de destino e em serviço, observa um camião que deixa na calçada um rasto de carga de arenitos mal acondicionada. Zeloso pela segurança pública, impele-se à ordem de paragem, confronta o motorista e faz-se à escrita do auto.
A vítima, experiente com a autoridade, contrapõe discretamente a nota de vinte.
- Mas o senhor sabe o que está a fazer?
- Oh! Senhor polícia, compreenda, eu ando só aqui a ganhar a minha vida!
- Mas o senhor sabe o valor da multa que lhe estou a passar?! A sua transgressão “dá direito” a uma coima de 10 euros!
- Ai! Ai! Ai! E eu que ando há anos a entregar notas de vinte porque os cab… da Brigada me dizem que a multa é de 300 euros.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Queima das Fitas
Era importante não esquecer
sexta-feira, 4 de maio de 2007
O Melhor, o Maior e o Ridículo
Não lhe viessem à memória as conversas dos amigos de adolescência, em que sempre se silenciava na sua frágil e imberbe maturidade, e ter-se-ia aventurado - qual maratonista degolando os seus adversários – a tão despudorado concurso. Recordara-se do Pé de Lã teimando o nome do melhor jogador de sempre; o Batuta revelando o maior guitarrista de rock; o Papa Léguas dizendo que lera, embora não o soubesse pronunciar, o nome do homem mais rápido do mundo; o Comuna – sempre com a Vida Soviética na pasta – a mostrar o operário do ano na Ucrânia.
A Primitivo, esses títulos não lhe causavam entusiasmo: os maiores, os melhores de sempre ou do ano, no amor ou na horta, poderiam sempre estar anónimos no longínquo Tibete ou ali mesmo atrás da porta!
Apesar de tudo, punha sempre um olho intenso e apressado quando o Mangueiras divulgava os atributos fotogénicos da coelhinha do ano da Playboy!
Também achou estranho que o governo, sempre apostado em estender as suas medidas democráticas e progressistas a todos os sectores da actividade pública e privada, tivesse reservado um prémio deste significado somente aos professores. Não se lembrou do auxiliar da acção educativa do ano, do polícia do ano ou do juiz do ano, da enfermeira ou do paciente do ano, do deputado, da puta – esta não que era fácil de nomear!
Primitivo desconfiou, esta trazia água no bico! Embora a sua intenção de candidatura emergisse da vontade de ridicularizar a iniciativa, afinal de contas, ele tinha sérias possibilidades de vencer e, se assim acontecesse, poderia perder o pulso à situação e virar-se o feitiço contra o feiticeiro.
Além de tudo isto, tinha-o demovido a existência e o resultado do infeliz concurso do género que dera que falar – o tal “Maior Português de Sempre”, um programa televisivo a que entregou o riso que costumava atirar aos guardas do túmulo do Soldado Desconhecido.
Estava já o prémio esquecido quando recebeu, com zomba satisfação, a notícia que o concurso estava deserto de professores da escola pública!
E eis senão quando a ministra - sub-repticiamente supracitada - recorre ao seu estilo, alarga o prazo de candidaturas e dá indicações para serem pressionadas as direcções das escolas que haviam esquecido a sua génia ideia.
Nessa altura Primitivo fez voto de silêncio. Uma enorme compaixão pelos candidatos-instrumentos a isso o obrigava.
segunda-feira, 30 de abril de 2007
Falar de mim
Por isso, o leitor acautele-se, ouvir falar de mim pode-se tornar verdadeiramente desinteressante e enfastiante! Por isso click para outra onda, ninguém lhe pede para ficar aqui, voyeurista, registando as partes fracas da minha existência cibernáutica.
Aviso-o já que o texto vai ser longo!...
Nesta linha, já estaremos só entre amigos e por isso já posso desabafar mais à vontade!
Eu sou João Rato. O “rato” pode parecer para os menos acautelados que é de família ou, para os mais acutilantes que é de quem tem a mania que é esperto. Pois muito bem, sempre fui apreciador da esperteza e da genica de sobrevivência do intruso do soalho, do sempre querido em desenho, mas a verdadeira origem do apelido “Rato” vem de “Ratão”, João Ratão, dos tempos em que eu, poeta de gaveta, serenata e bebedeira, me encantava por qualquer bamboleio fêmea que me atravessava os olhos ou o olhar! E, vê-se o filme, o João Ratão que incauto e apaixonado caiu dentro do caldeirão. Eu era esse!
Depois, os tempos foram passando e, por conveniência de serviço, fui ajeitando o assinamento para João Rato. João, sempre João, o João do povo, o mais novo, o querido dos apóstolos de Jesus.
Entretanto, atravessou-me a biografia esta coisa da blogosfera! Primeiramente criei o “Ventosidades”. Ei! Nem imaginam as mãos amigas que se enrolaram sobre as suas próprias ventas! - João! Isso é nome que se ponha a um blog?! Lembra vento, vento expulso!
E eu, João – do povo - Rato, por condição, rendi-me:
- Isso podia ser nome de blog, mas não era nome que se contivesse na minha honrosa dimensão! E vai daí, um amigo, sempre os amigos, ditou-me a solução:
- Rei dos Leittões!
Na verdade, leitão é o meu prato preferido mas longe de mim, o apetite ser motivo eloquente para determinar uma designação tão popular.
Lá em casa, eu menino, a coisa não dava para ter junta, para ter vaca ou para ter burro! Cão houve uma vez um mas se finou no entusiasmo de um dia de matança! Claro que havia capoeira, coelhos e pombal! E havia também, quatro ovelhas e a porca! Ora, é na porca que entro eu:
Eu levava lavagem, tirava o esterco, punha mato, mas sobretudo, quando o porco era para capar ou matar eu tomava ele com um tal toureio, que a turma, incluindo o pai e o avô, me elogiava de tal forma, que antes de me dar a tonteira de querer ser padre, eu queria ser mesmo é matador!
(- Vou mesmo desligar a televisão! Escrever com novela brasileira em som de fundo está-me a afectar a fluidez da prosa! Estou tossindo: Unrr!Unrr!)
A nossa casa não era casa de lavrador de parelhas, além das quatro ovelhas, só tínhamos mesmo a porca. O transporte das coisas, para o campo e do campo, era feito pelo atrelado, ora preso à mota, à bike ( reparem bem na actualização – à bike!) ou às mãos, conforme as habilitações do tarefeiro! Quando a carga mais pesada ou volumosa o justificava, a troco de meio dia, o carro de rodas de um tio ou vizinho mais solidário cumpria a ajudinha! Sim, porque nós éramos, uma família mais moderna, já não tínhamos sequer burro nem albarda, o meu pai era operário e a minha mãe, mãe e agricultora de subsistência!
A porca, se não adoecesse e eu tivesse que lhe abrir a cova, era assunto em que eu me fazia homem!
Levar a porca para vender os bácoros, até aos 24. A minha mãe com uma saca de milho e um baraço atado à perna traseira da mãe suína, e eu atrás com uma verga na ninhada! E quando vinha um carro?!... O desembaraço para arredar caminho, tinha que ser rápido que o homem era de outra condição!
Depois, no largo, a mãe deixava as deixas de preço e o "vem já" e ia fazer a sua volta, e eu ficava ali crescendo com a feira, convencido que o meu futuro passaria sempre por ali. Creio que cheguei eu próprio a vender os bácoros, talvez às vezes um tio por perto que vinha acertar ofertas, quase sempre e naturalmente a minha mãe fechava. Mas nem que fosse só a porca mãe, por bom negócio, que voltasse casa, a estrada de regresso era um tormento – fosse um burro e bastaria um arre para que ele compreendesse o alívio que é retornar ao lar.
Vem daqui a minha proximidade com os leitões. Depois, a simpatia especial por aqueles labutadores de churrasco que se auto-coroam Reis.
Rei dos Leittões só com um t?! Não dois tês:
O google sempre, incrédulo a perguntar -será que quereria dizer Rei dos Leitões?
Depois alguém que pergunta -ouvi dizer que tinhas um blog? Qual é o endereço?
- Rei dos Leitões!
O amigo diz:
- Eh pá tens um blog e não me disseste nada?! Faço ideia! Como é que se chama?
- Rei dos Leittões, com dois tês.
Se o leitor é amigo, estará ainda a correr o scroll lock e a pensar com o seu dedinho rolante -onde é que isto vai parar?? Se tem como intento um fim, evita de continuar! Faça-me um obséquio, deixe um comentário com o texto “fui dos tais” – deste modo poderei quantificar os que passaram muito além da quinta linha!
A minha saudosa mãe tomou sempre como rumo para os seus filhos, um futuro com comida. Como poderia ter sonhado, que o facto de me ter delegado parte da responsabilidade da suinicultura, teria dado origem a tão intelecta reflexão sobre a justificada génese dum nome de blog! Talvez seja mesmo a comida que nos faz banais!
Hoje comi mesmo bem!... Tinha a dispensa cheia de garrafões de plástico! Fui ao ecoponto! Que vergonha! Tudo cheio! - Vamos mas é ao Luso enchê-los e com a volta ainda ganhamos para o gasóleo!
Na volta Bairrada! Um velho amigo! Apostas de quem está mais evoluído!
- Eu sou Blogguer! Não digo que tenha dezenas de visitas por dia, mas pelo menos tenho algumas unidades!... Rei dos Leittões com dois tês.
- Com dois tês!? Compro-te um T!
Neste momento perdi o fio ao post! Perdi também o argumento para esta extensão! A ideia que determinou esta abordagem estava relacionada com direitos de marca, pesquisa em portais e um restaurante de seu nome Rei dos Leitões. Acontece que pelo caminho meteu-se um velho amigo querendo comprar um dos tês e eu perdi o foi à meada. Resta-me uma saída, sair e…
Não teríamos um país diferente se Sócrates se escrevesse com dois tês?
- Sócrattes! Sócrattes! Sócrattes!
Repito até à exaustão! Pois não é verdade que a minha teoria se confirma! Nos últimos dias tem descido desesperadamente o número de visitas ao Rei. Será que é porque eu não tenho tratado o dossier Sócrates? Isto é, não tenho trabalhado pelo país e tenho-me espraiado nas minhas imberbes divagações.
quarta-feira, 25 de abril de 2007
25 de Abril de 2007
Vou almoçar sardinha assada e beber vinho!
domingo, 22 de abril de 2007
Bagdade, música e blogosfera
Um dia Abdul Nawaf, fez-se às ruas transformando todos os medos em receios, e foi verificando como a cidade era feita de abrigos iguais aos seus, como eram iguais os métodos de sobrevivência dos seus semelhantes e como continuava igual a sua razão de existir! À medida que ia caminhando, ia perdendo a identidade, ia sentindo que não valia a pena viver em lado algum mas, pior que isso, que também não valia a pena morrer! Encontrou um meio-termo, deixou de falar! Continuou deambulando, entretido a observar os outros, evitando despertar olhares e foi neste passo que o narrador lhe perdeu o rasto …
Na idade dos “deza” – em inglês dos “teen” – toquei bateria num quarteto de baile! Aquilo é que era rasgar! A malta curtia com a nossa potência e houve um baile de inspecção em que até nos bateram palmas! Até levarmos a palco o nosso “I Can't Get No Satisfaction” tivemos não sei quantos ensaios. Portanto trabalhávamos muito. Aconteceu que no desenvolvimento da nossa cultura musical começámos a ouvir jazz. Foi o início da nossa decadência e o alívio do medo que tínhamos do sucesso que nos espreitava nas esquinas de cada festa! De ouvir tocar tão bem, sentimos tocar tão mal, que desistimos! Os nossos sonhos, ácidos e húmidos, veiculavam lucidez suficiente para nos receitarem rendição em vez de luta.
Pois estava eu abrigado, com três ou quatro amigos, neste cantinho da blogosfera, jogando pensamentos e coisas, indiferentes aos disparos, disparates e gigabytes da grande world wibe web quando de link em link, de click em click, me vi personagem destas duas histórias que vos contei: perdido, sem razão de escrever, encontrando por toda a parte as minhas ideias, reveladas em formas, que as minhas qualidades não ensejam nem engenham!
Será que vale a pena este blog!? (Não me respondam com a alma pequena do Pessoa! – estou farto de feitas!!)
Sócrates – diminui a auto-estima, traz depressão e desesperança – mas aumenta o número de visitas num blog. Por isso escrevo o seu nome a despropósito.
(Espero um comentário que me esclareça a diferença entre medo e receio.)
quarta-feira, 18 de abril de 2007
Chega! Pobre Sócrates!
Cabisbaixo pelas nódoas negras que o seu Conselho inteiro me tem infligido, há dois anos a esta parte, eu próprio aproveitei a oportunidade e o ritmo para dar uns socos nas suas habilitações mas eis senão quando me bateu a consciência. Quem não tiver uma mancha no seu currículo – um copianço, um exame fácil, um erro administrativo – que atire a primeira pedra!
Definitivamente a blogosfera é um novo poder, a par com outros poderes similares e faz estremecer as gentes do poder. Tenho verificado, nestes últimos dias, que o número de visitas dos blogs que atacam Sócrates é substancialmente superior aos que o ignoram. Com esta despudorada ofensiva corre-se o risco do Poder, ofendido, procurar formas de limitar a liberdade que nos tem alimentado.
Proponho para encerrar o caso e salvar a face, que em vez de Engenheiro Sócrates nos passemos a referir à personagem como o Sócrates engenheiro – desta forma tiramos-lhe o título e salvamos-lhe o engenho.
Imaginem, que o governo cai com os sopros tempestuosos da blogosfera, o que acontecerá a seguir? Haverá eleições no país, e depois?
Sejamos pragmáticos, este é o país que acaba de eleger Salazar num concurso e que em trinta anos de democracia nunca conseguiu experimentar senão tinto ou branco, senão PS com D ou sem D.
Aguentem-me o homem! Agora que lhe começamos a conhecer o jogo e as fraquezas, joguemos com ele a nossa sobrevivência como cidadãos menores, mas não lhe concedamos uma nova vitória que o faria ainda mais Sócrates! Nem sonhem com o Marques Mendes, que para os mesmos propósitos nos obrigaria a estudar novas formas de luta e reacção, novas receitas!
Sócrates foi aluno na Independente – Mendes foi professor!
- Fócrates! Fendes!
A revolução faz-se em cada um, em cada blog!
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Roteiro Cívico para a Inclusão
Não sabemos se quer dizer que têm que ser os pobres por eles próprios a sair da cepa torta se os ricos, por caridade, a devolverem-lhe aquilo que lhes tiraram!
A sua República continua a distinguir-se como aquela onde mais se tem acentuado a diferença "muito pobres-muito ricos"; o governo tem-se esmerado no aniquilamento da classe média e o senhor Presidente vem-nos agora atirar com essa responsabilidade.
Com o andar da carruagem só vejo uma maneira de acabar com os pobres: correr com eles!
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Odete Santos
"Enquanto houver estrada para andar eu vou continuar!"
Não acredito que tenha sido pensada a frase ( duma canção de Jorge Palma com a merecida alteração do "eu" de ocasião em vez do "a gente") e ver Odete Santos citar Jorge Palma no Parlamento é para mim um sinal de esperança em Novos Tempos!
Determinou este registo a visita a este site - vê: dá uma olhadela / carrega nos postes já "pastados" - boas montagens!
quinta-feira, 12 de abril de 2007
A montanha pariu um rato
Para acalmar a ansiedade, no momento anunciado, procedi da mesma forma com que me preparo quando se trata de um jogo de Portugal: fui buscar uma Sagres bem portuguesa ao frigorífico e sentei-me mal acomodado frente ao televisor.
Dois jornalistas, um primeiro-ministro, os primeiros passes, e eis que inesperadamente adormeci com o mesmo embalo com que acompanho as novelas da TVI.
Eu, no lugar do alto réu, teria calado as recomendações de conselheiros e técnicos de marketing político e teria feito simplesmente assim:
Convocava um conferência de imprensa à Paulo Portas, chegava cinco minutos atrasado, subia ao estrado, espalhava um olhar de respeito pelos jornalistas de caneta pronta e sobre as aparelhagens do directo, soprava nos microfones todos e diria num português autêntico:
- Sou engenheiro porra!
Seguidamente retirava-me da sala respondendo repetidamente às insinuações das melgas:
- Não tenho mais nada a acrescentar ao que disse!
Desta forma, o portuguesismo, a autoridade e o desprezo pelos valores mais baixos que se desejam dum primeiro-ministro de Portugal, teriam saído vitoriosos e seriam tema de conversa. Com a metodologia adoptada a coisa foi tão morna que não ouvi, durante todo o dia, um único homem de rua a comentar o acontecimento - apenas o Benfica!
O povo ouvinte tolera bem que haja favorecimentos a tudo o que é graúdo e acha normal que de tal benesse não se faça reconhecimento público. Por outro lado, lá no fundo, toda a gente reconhece que o senhor deve ter estudado o suficiente para não ser só Sócrates ou Senhor José!
Alguém imagina um outdoor e letras gordas: “Sócrates ao Poder!” – não, saberia a Grécia Antiga!
Ou, “Senhor José ao Poder!” – isso, nem para uma Junta de Freguesia. Não, qualquer propaganda para gente com vocação para dedicar a sua vida aos outros terá sempre precedendo o nome da individualidade – Doutor – Dr. – Professor – Engenheiro ou Conde! Nem outra coisa seria de admitir!
Reconheçamos “Engenheiro Sócrates” são duas palavras que acasalam bem.
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Defeitos
Agarra ele na frase do “post” precedente, o da “Inveja”, no lugar comum de se dizer, pior escrever: - “Se algum defeito eu tenho…”
Pensando bem, o meu amigo Zé Que Não Sei Quem É, apanhou-me em flagrante, de tal modo, me pôs a pensar nesse defeito que eu tenho de estar interiormente convencido que não tenho defeitos, embora eu, como toda a gente, assuma o contrário nas conversas fiadas.
É que quando se trata de enunciarmos um qualquer nosso defeito, a circunstância e a forma acabam sempre por lhe deixar um ligeiro aroma a qualidade. Mas é esta contradição entre a nossa interioridade sem culpa maior e a nossa camuflada forma de a verbalizarmos socialmente em defeitos pouco condenáveis que nos mantêm a tão necessária auto-estima.
Visto assim, o facto de eu dizer “se algum defeito eu tenho” deixa de ser defeito porque é tão comum à maioria quanto o auto-elogio dos bons defeitos.
Mantenho contudo a falta de ter escrito e publicado a frase suicida “se algum defeito eu tenho” e reconhecer que o Zé Que Não Sei Quem É terá muitos defeitos, entre eles, os do apelido de família.
Por oportuno deixo uns parágrafos que escrevi há uns anos para não sei que pasquim:
“É comum dizer-se: "eu o que tenho a dizer digo-o directamente às pessoas!"; "eu não sou daqueles que passam a vida a dizer mal dos outros!";"depressa esqueço o mal que me fazem!"; " eu por bem sou o melhor mas por mal ...!"; e outras mais coisas do género que toda a gente diz e com as quais toda a gente parece concordar. Pois eu tenho a impressão que cultivo um pouco de todos esses defeitos, o que confirmo, aliás, pelo facto de ceder à tentação, escondido por detrás destas letras, de dizer mal, de não esquecer o mal que me fazem, de ser mau para os que me são bons e de ser bom para os que me fazem mal”
Oh Zé Que Não Sei Quem É, não te intimides com tão longa resposta, porque não foi defeito teu o teu reparo, defeito foi o meu de não ter reparado na barbaridade que escrevi e que me custa a assumir publicamente embora cá no fundo seja quase uma onania.
terça-feira, 10 de abril de 2007
A Inveja
- Tu tens é inveja!
- Ele tem é inveja!
- Eles têm é inveja!
Inveja de quê?! Desfaz o teu orgulho e decompõe em peças aquilo que te leva a pensar que os outros têm inveja de ti! Eu não te vou sugerir partes, porque acabaria por tocar as tuas partes mais fracas e tu ficarias vazio da tua frágil vaidade, passando, tu sim, a ter inveja!
Eu tenho tristeza por ver que outros mais quietos do que eu se bamboleiam ostentosos, enquanto eu, legítimo cidadão me consumo na triste vida do homem pobre - dizem eles, por minha culpa, minha tão grande culpa!
Se algum defeito eu tenho é o de não suportar a vaidade e de acreditar, por tradição, no mau-olhado! Eu franciscano assalariado por destino e crente no poder dos teus olhos pela sua frieza!
Mas tu! Desatrela-te da tua vaidade e faz-te igual aos outros, “streapa” o teu rabiosque de dentais e convence-te que os teus órgãos são iguais aos de outros - só não têm é feitiço! Convence-te que a tua “invejável” situação não é autêntica, construída por oposição à desgraça de outros.
Se o fizeres, não viverás eternamente convencido que os outros têm é inveja!
A minha marrã pariu hoje sete bácoros, por favor não passes no meu pátio!
segunda-feira, 9 de abril de 2007
2ª feira da Páscoa
A malta da minha terra leva a religiosidade à letra e festeja a ressureição de Cristo na segunda feira da Páscoa! Desde que Sócrates é primeiro ministro a festa deixou de ser o que era: as aulas da pequenada começam na terça feira. Comentam que esta medida tem por objectivo prejudicar o negócio do turismo e da hotelaria da época festiva. Eu não acredito, a intenção é apenas uma, silenciar as festas das terras onde há pessoas que sabem contar até três!
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Páscoa
No domingo vou almoçar com a família e – vá-se lá saber porquê – não tenho afilhados! Na segunda-feira é a festa da minha terra e o primeiro ministro vai falar ao país sobre as suas habilitações académicas! Na terça-feira vou trabalhar!...
A Primavera
Ah! Porque agora já não é tempo nem a paisagem que determinam quando acontece a vossa Primavera: apareceu na TV um homem engravatado, com projectores e telepontos ocultos, que disse por números e palavras que tinha dados que lhe permitiam assegurar que chegou a Primavera! Por isso vós vivereis contentes na vossa falsa Primavera!
Eu que me estou nas tintas para o vosso homem engravatado e que sei que essa Primavera nunca será minha, continuo a acreditar - apesar das alterações de clima determinadas pelo ar condicionado do vosso pinóquio articulado – que esses números e dados não me tirarão também o tempo, nem as flores, com o pretexto que também eles são regalias que eu como cidadão não mereço!
Podeis me levar o salário, o pão, a dignidade, mas não me podereis levar o tempo que aparece, mais cedo ou mais tarde, para trazer uma nova estação! Poderei não poder beber já água em todas as fontes, mas dispenso com força as vossas parelhas de cornos, os vossos montes sem tanques para regar a horta, com piscinas para encolher a pelota! A minha Primavera vai chegar
terça-feira, 3 de abril de 2007
Eternamente Yolanda
Hoje, ao jantar distraí a mastigação com o copo que tinha gravado entre imagens “Eternamente Portugal”. Duas palavras que me são muito caras! Costumo dizer, quando a morte me ronda o prato da vida, que por demais que as agruras da dor me proponham o silêncio da ausência, a morte nunca será a minha escolha porque para ela eu tenho reservada a Eternidade! E entre estas loisas, eu sou português aqui e agora!
Vem tudo isto a propósito, de hoje não ter nada para escrever para o caro leitor, e de o tal copo, me deixar troteando sussurradamente a canção que canta:
Yolanda, Yolanda / eternamente Yolanda / Yolanda, eternamente Yolanda / eternamente Yolanda
Por isso, não tendo mais para oferecer, sugiro ao leitor, que por hábito, acaso ou afecto, ponteou hoje o Rei – dos Leittões – e que quase de certeza conhece a melodia, que a vá troteando sussurradamente enquanto continua a ciberviagem desta hora.
Por cortesia deixo a canção completa – deixo à sua liberdade o som e o cheiro.
Esto no puede ser no mas que una canción
quisiera fuera una declaración de amor
romántica sin reparar en formas tales
que ponga un freno a lo que siento ahora a raudales
te amo, te amo
eternamente te amo
Si me faltaras no voy a morirme
si he de morir quiero que sea contigo
mi soledad se siente acompañada
por eso a veces se que necesito
tu mano, tu mano
eternamente tu mano
Cuando te vi sabia que era cierto
este temor de hallarme descubierto
tu me desnudas con siete razones
me abres el pecho siempre que me colmas
de amores, de amores
eternamente de amores
Si alguna vez me siento derrotado
renuncio a ver el sol cada mañana
besando el credo que me has enseñado
miro tu cara y digo en la ventana
Yolanda, Yolanda
eternamente Yolanda
Yolanda, eternamente Yolanda
eternamente Yolanda
segunda-feira, 2 de abril de 2007
A Engenharia de Sócrates
Sabemos que o caso é antigo na democrática blogosfera e que só agora saltou para as páginas do "Público" como resultado duma desavença entre comadres! Sobre isso já posso escrever.
Belmiro e Sócrates abraçaram-se ao falo do poder mutuamente apaixonados. O rico pagava ao ministro com financiamento de campanhas, com jornalistas de bajulo, com elogios de conduta e este retribuia com medidas de feição. Uma dupla poderossíma engolia o país num harmonioso romance. Só que ambos subestimaram outros poderes e a paixão desmoronou-se por uma simples OPA.
Pela primeira vez estou do lado do Primeiro. O Belmiro está a ser muito injusto com o seu rapaz! Se ele não fez mais foi porque não tinha poder para isso! Um bom cristão nunca se atreverá contra o espírito santo!
Por outro lado, dá-me prazer e regalo ver o coito do Azevedo interrompido por manifesta impotência!
Eu quero lá saber quem são os donos da PT! O importante é ter um sinal de que o país ainda não é todo de um Homem e de que
há gente que está acima do poder político!
(Imagem -Constantin Brancusi, Princess X 1916)
quinta-feira, 29 de março de 2007
Blogs e trabalho
Vale também a pena ler, no mesmo sítio, um comentário intruso "Rainha da Sucata" sobre bloggers. Muito a propósito do post que precedo - liguem:
http://a-bomba.blogspot.com/2006/04/agostinho-da-silva.html
Porque blogo
O voto é determinado em função de técnicas de propaganda, de preconceitos, de impulsos de crença, aplauso ou rejeição.
Ler e escrever na blogosfera é um acto de cidadania acessível por enquanto só a alguns. Mas do voto ao acto de estar presente no ciberespaço vai um salto histórico que determinará profundas alterações políticas e sociais. Elas estão aí, podemos conhecer todas as opiniões e não só aquelas que os meios de comunicação nos querem mostrar, podemos cantar com todos os poetas e não só com aqueles que respeitam a gramática e a moral, podemos manifestar a nossa achega e não nos limitarmos à singeleza do boletim de voto.
Na blogosfera gritam agora as vozes da maioria silenciosa, viajam diariamente os que acordaram do tédio das leituras de cordel ou da televisão feita à medida de compulsivas audiências.
Tomara que não acordem os atingidos e que não descubram desejadas censuras electrónicas. Nós aqui estamos, nem de lá nem de cá, estamos no meio!
Confesso que me dão um gozo incrível a fluidez destas andanças! Todos os dias descubro novos blogs inocentes e desinteressantes, de clique em clique encontro blogs de registo e de eleição! Sempre que posso escrevo coisas inocentes e desinteressantes que para mim, contudo, não o são!
Aqui estou, abrindo a mão, levantando o dedo, distinguindo o dedo médio,
apontando o dedo, deixando uma impressão!
Ah! Já me esquecia da minha obsessão! Será que esta coisa dos bloggers terem levantado a questão da habilitação do Fócrates irá provocar nova eleição? Rei dos Leittões gostava e iria falar disso e votar, Não!
quarta-feira, 28 de março de 2007
Salazar 1 - Sócrates 1
O formato do entretenimento terá tido uma parte de audiências ávida de tudo o que é competição e terá acomodado o silêncio daqueles que o viram pela componente documentário de valores portugueses, coisa tão rara na televisão portuguesa!
O resultado final porém, traduz uma inevitável mensagem:
- Agora sabemos porque é que José Sócrates consegue tão bons resultados nas sondagens!
terça-feira, 27 de março de 2007
Não se pode servir a dois senhores
Serrados, os punhos transformaram-se em rosas e as hostes têm servido a ideologia enjeitada dum lado e outro do poder.
Entendem muitos entendidos e seguidores de opinião que a salvação do país passa pela empreitada de retirar direitos, vistos regalias, aos povos deste povo, às pessoas que por aqui trabalham e coabitam. Acham, os mesmos, legítimo e natural que na rua os ofendidos reclamem desesperadamente as suas históricas conquistas.
O que custa a aceitar é que alguns dos que erguem as faixas de protesto pela Avenida da Liberdade tragam aconchegado na carteira o cartão da sigla do opressor.
Não se pode servir a dois senhores! O protagonista que serve para os dois lados da barricada cheira a falso!
terça-feira, 20 de março de 2007
Solteiros casados casamentos e baptizados
in Diário Notícias 20/03/07
O caso mereceu ser manchete. Não é para menos. Trata-se de uma medida emblemática que, só por si, é uma demonstração clara de que o governo tem um rumo e uma estratégia para o problema da Educação em Portugal.
Para os mais leigos poderá, à primeira vista, parecer tratar-se apenas de uma decisão lateral para recolher mais uns cobres e seduzir um povo que, por natureza, reserva para estes acontecimentos a exteriorização da alegria contida nas lamechices do seu quotidiano. Reconhecerão, contudo, que o facto de ter sido a ministra e o seu primeiro a anunciar a medida nas duas principais cidades do país é revelador da importância que a mesma poderá vir a ter no financiamento das nossas escolas e no sucesso dos nosso alunos.
Como cidadão atento e preocupado com o estado do nosso sistema educativo, desnorteado pelo absentismo irresponsável dos professores, pela gestão incompetente dos vultuosos orçamentos da escolas, pela inexplicável desmotivação dos alunos, não posso de deixar de levantar algumas questões/sugestões/cautelas a bem do necessário sucesso desta corajosa iniciativa.
- Terá autenticidade um jogo solteiros casados (vulgo jogo do garrafão) sem que o guarda-redes fume um português suave nos tempos mortos da jogada ou o massagista se faça acompanhar de cinco litros de tinto para acudir a lesionados? Terá boas “visitas” um noivo que não oferece aos convivas um charuto tipo cubano ou em que a tia solteira não apanha uma de caixão à cova? É que nas escolas são proibidas as bebidas alcoólicas e o tabaco!
- Poderão as escolas, que não podem cobrar IVA, reaver esse imposto para o estado em géneros e no dia seguinte à boda os utentes do refeitório comerem a cabeça do leitão que andou pendurada na gravata do padrinho da noiva durante o baile?
- Os professores não podem usar calções no serviço de vigilância a exames. Poderá a noiva subir à mesa e mostrar o atarraxo das ligas ao tios-avós do noivo?
- A escola é uma entidade de formação. A que entidades de formação se refere a notícia? Aos cursos de preparação para o património ou a outras escolas concorrentes?
- Sabido que o que mais há neste país são salões de casamentos e baptizados, pronunciará esta medida outra intenções do estado em competir com a tão sagrada iniciativa privada? É que não se percebe o porquê desta alusão particular aos jogos casados-solteiros e aos casamentos e baptizados. Então e as festas de despedida de solteiro, o jantar das divorciadas, o campeonato de sueca, as vendas de tachos e de férias, os jantares de apoio a políticos arguidos?
Trata-se de facto de uma medida de coragem porque até agora, vá-se lá saber porquê, estes serviços eram expressamente proibidos. Mas já que estamos com as mãos na massa deviam ter sido mais concretos no que toca a outras modalidades e mais explícitos no que toca a comportamentos e promiscuidade permitidas. O “tudo pode ser feito” da notícia assusta-me porque os jovens têm tendência a fazer escola de tudo o que é excesso e o excesso é sempre demais!
sexta-feira, 16 de março de 2007
quinta-feira, 15 de março de 2007
Da chamada Cultura de Crise
Não está subentendido no termo, o criar criativo, o criar filhos, o criar gado ou o criar abóboras. É nu e cru: o criar capital!
O problema do país é que se produz pouco.
- Na escola do teu filho não há papel higiénico!
Tens que te sujeitar a dar mais umas horas à empresa!
- Ontem deslocalizou-se sem aviso mais uma para a Tailândia!
Subiu novamente o imposto sobre os combustíveis.
- O Centro de saúde vai fechar para a semana!
O número de funcionários públicos tem que diminuir.
- O escrivão deixou de ser meu freguês!
Investimento em novas tecnologias.
- Ainda ontem comprei um rato sem fios!
Os juros têm que aumentar para diminuir o consumo.
- Tens que te desfazer do teu velho carro poluidor!
As rendas têm que aumentar porque os senhorios não aguentam!
- Olha! Subiu outra vez a prestação da casa!
É preciso criar riqueza!
- O dinheiro não chega já nem para a conta do pão!
Os impostos têm que subir e têm que se inventar novas taxas! O princípio do utilizador pagador: o Estado não tem nada que pagar a saúde de quem comeu toucinho, a educação de quem não quer saber de Platão, a segurança de quem não pede factura, a recolha do lixo de quem não tem vidrão. O Estado tem que emagrecer!
- O governo fez mais umas nomeações!
Não há dinheiro para as reformas!
- Foi três meses vice vice vice duma assembleia duma coisa pública e ficou com…
- Mas esta gente nunca mais percebe que para as coisas melhorarem tem que se criar riqueza!
- Não faltar ao trabalho, nem com febre de quarenta, nem por acidente de viação ou por morte do pai!
- Ir mais cedo para o trabalho e sair do emprego noite fora!
- Uma escola que fique com os filhos a tempo inteiro!
- Trabalhar mais!
- Trabalhar mais horas!
- Ter menos férias! Não ter tempo para nada!
- Agarrar-se ao trabalho ou à carreira!
- Mas porra! Eu não tenho tempo para nada! Aumentaram-me o horário de trabalho! Devem-me as férias do ano passado e o subsídio de turno, já posso ser despedido sem causa justa e faço a limpeza em casa da amante do administrador e a porra da riqueza nunca mais aumenta!?
- Meu pobre trabalhador! O termo “criar riqueza” é uma nova fórmula de dizer “temos que ser pobres se queremos ter ricos! Nem que seja só para falar das suas casa muradas, dos vestidos das suas acompanhantes, ou dos seus brilhantes filhos!
A cultura de crise foi uma coisa que os políticos e ricos do regime inventaram para te exigiram tudo em troca de quase nada!
Tens criado tanta riqueza!.. Não a vês nos bairros fechados que crescem nas encostas viradas ao mar, nos carros de vidro esfumado do parque privado, nos aviões que abanam a tua assoalhada!?... É claro, que tens criado muita riqueza!
A cultura da crise foi uma coisa que eles inventaram para te convencer que as coisas estão tão mal que só te resta a escravidão! Mas se fizeres bem as contas verás que alguém se anda abotoar com a riqueza que tu produzes enquanto te convencem que não produzes nada!
- E que é que posso fazer na minha insignificância? A globalização, a China, os computadores, a democracia dos mesmos de sempre, o melhor dos piores sistemas!?
Faz a revolução dentro de ti e tosse-a para cima dos teus que ela espalhar-se-á como um vírus! Depois dela, a natureza humana trará de novo novas escravidões, mas ninguém te roubará a sensação de a sonhares e quem sabe de a poderes viver uns dias! É sempre bom ter um Maio para cantar ou um Abril para vir à rua! É bom sonhar!
terça-feira, 13 de março de 2007
Fechadura ou Abertura?
Depois fecharam a escola, o centro de saúde, a esquadra da polícia e uma multinacional.
Até o padre se foi!
Ah! Mas não pensem que a minha aldeia deixou de ser cidade: abriu entretanto um mini-hiper-marché, um banco espanhol, um centro de inspecções, e uma empresa municipal!
As pessoas vão emigrando mas mandam para cá algum dinheiro e por isso continua-se a comprar, a ir ao banco, a andar de carros e a rezar pela nossa grande empresa municipal.
A ter fé no nosso presidente fala-se até em construir um grande centro comercial, um teleférico para o castro e uma IC de ligação à capital!
É claro que eu conheço o nosso autarca e sei que as suas promessas nos dão esperança mas não são de fiar!
Em quem acredito mesmo é no governo de Lisboa! Depois da IGV, vão-nos oferecer um TGV, um OTA e baixar o IVA aos patins em linha para mais facilmente sairmos daqui!
Só um homem com nome de filósofo podia ter uma ideia tão genial:
- Fechem as portas das casas desses provincianos para que impedidos de entrar se abram ao mundo e procurem a cidade dos nossos empreendimentos ou um emprego nas longínquas instâncias do nosso esquiar!
Conclusão: vou aguentando por aqui mas talvez um dia arranje emprego nos Alpes num hotel, que atenda portugueses, e tenha que comprar um T2 em Lisboa para os filhos estudarem, a mulher ir ao médico, fazer limpezas e quiçá me trocar!
sexta-feira, 9 de março de 2007
Abaixo os Professores
... Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores. Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares. O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-la-iam usado em proveito próprio. É sensato entregar a educação dos nosso filhos a pessoas com esta capacidade de discernimento?
... Ser professor, hoje, não é uma vocação, é uma perversão. Antigamente havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora há os professores masoquistas, que são espancados por eles.
quinta-feira, 8 de março de 2007
quinta-feira, 1 de março de 2007
Escuta Zé Ninguém
Wilhelm Reich
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
Mais um imposto para os pobres
Os grandes do comércio automóvel batem palmas: os carros novos ficarão mais baratos e por isso eles ficam não só com uma margem para encaixar novos aumentos mas também venderão mais porque será mais caro andar nos carros velhos.
Os ambientalistas acenam que sim porque teoricamente o número de carros mais velhos a circular diminui e por isso diminui também a poluição.
O governo e a burguesia que ele representa contam afastar das estradas alguns dos chaços dos pobres que só estorvam o trânsito e transferir um imposto que até agora era pago pelos que tinham potencial financeiro para comprar carro novo para os desgraçados que nunca na vida vão ter dinheiro para comprar um carro com menos de 10 anos.
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Sempre a mesma história
Eça de Queirós em "As Farpas"
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Sempre Actual 6
Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo,burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro [.]
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. [.]A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas;
Dois partidos [.] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, [.]vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,e não se malgando e fundindo, apesar disso,pela razão que alguém deu no Parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro
As palavras
Cada palavra é um pedaço do universo. Um pedaço que faz falta ao universo. Todas as palavras juntas formam o Universo.
As palavras querem estar nos seus lugares!
Nós não somos do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.
José de Almada Negreiros
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
A propósito de leittões
e certamente tu também não!
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Professora do Porto
Uma professora universitária acabava de dar as últimas orientações aos alunos acerca do exame que ocorreria no dia seguinte. Finalizou alertando que não haveria desculpas para a falta de nenhum aluno, com excepção de um grave ferimento, doença ou a morte de algum parente próximo.Um engraçadinho que estava sentado no fundo da sala, perguntou com aquele velho ar de cinismo:"De entre esses motivos justificados, podemos incluir o de extremo cansaço por actividade sexual??"A turma explodiu em gargalhadas, com a professora a aguardar pacientemente que o silêncio fosse restabelecido.
Assim que isso aconteceu, ela olhou para o palhaço e respondeu: "Isso não é um motivo justificado." - e continuou serenamente - "Como o exame será de escolha múltipla, pode vir para a sala e escrever com a outra mão... ou se não se puder sentar, pode responder de pé."
A Notícia
Por outro lado, ao estreitar este núcleo duro, o Governo está a dar um sinal político sobre o que considera ser as funções exclusivas do Estado. Isto é, as que não podem ser desempenhadas por privados.”
Manuel Esteves – “Diário de Notícias” (09.02.2007)
Ninguém de esquerda deixará de ficar incomodado com esta notícia, ninguém de direita hesitará em apoiá-la!
Já nos tínhamos apercebido há muito tempo que o papel do Estado se estava a desvanecer em favor dos interesses dos homens do capital. Esperávamos que um ano destes, um Paulo Portas qualquer viesse anunciar a secundarização do papel do Estado nas questões da Saúde e da Educação.
Reconhecemos que não esperávamos que fosse tão depressa! A notícia apanhou-nos desprevenidos, um silêncio de morte põem-nos de olhos uns nos outros e sem reacção!
Se de facto a esquerda das pessoas não tem meios para vencer as máquinas eleitorais que conduzem ao poder, se o tempo histórico não permite o florescer de novas revoluções, eu prefiro a direita do PSD-PP à direita do PS: os primeiros assumem o que são, os segundos não!
O PS está minado por uma avalanche de infiltrados de direita que a pouco e pouco foram tomaram conta do partido! Alguns históricos, terão eles também sido apanhados desprevenidos e recolhem-se em silêncio!
Hoje ninguém desmente: será mais fácil um camelo passar por um buraco de uma agulha de que encontrar um socialista no PS. O P serve para muita coisa, o S é de Sócrates!
Dizem que um dia o rapaz da Covilhã, então militante da JSD, confidenciou a um amigo: só há uma maneira de os vencermos, é infiltramo-nos no meio deles!
Fê-lo e venceu!...
Sócrates Salazar
Mas não é este devir que me atormenta, que a História que calha a cada geração não vem a votos! O que me assu
Alguns conformados com a natureza do regime deste Novo Estado Novo rematam sempre que a comparação é ilegítima porque agora há liberdade de expressão. Pois é, só que os “neo” aprenderam com os erros do passado, deixar falar e passear o pessoal à vontade não machuca patavina a consecução dos seus objectivos. Recordem a altivez e o gozo com que comentam declarações e manifestações de oposição:
- Vivemos em democracia, as pessoas são livres de se manifestarem e nós aceitamos a liberdade de opinião, só que estamos determinados e não vamos recuar uma vírgula, a medida vai ser tomada! Os portugueses sabem…
A limitação não se fica por aqui: a liberdade de expressão só pode ser exercida se for concedida aos cidadãos a capacidade de se saberem exprimir, sem ser através de cortes de via ou de boicote a urnas de voto.
Sócrates é o Salazar dos novos tempos, mergulhámos novamente num Portugal de cinzentos, belmiros batem notas de contentes, a desesperança do peão de rua cobre-lhe o rosto!
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Dia Alegre
Querem alegrar o dia?
Sigam estes pequenos passos...
1. Criar um ficheiro qualquer (word, excel); 2. Guardá-lo com o nome "José Socrates";3. Enviá-lo para a reciclagem; 4. Clicar em "Esvaziar Reciclagem" 5. Aparece uma mensagem de confirmação no ecrã, com a seguinte pergunta:"Deseja eliminar "José Socrates"?" 6. Responder: "SIM".
Digam lá se o dia não parece mais bonito agora.
domingo, 4 de fevereiro de 2007
Badajoz
dava para a escola, não tinha jeito para o gado, tinha uma voz que nem um padre. Além disso era menos uma boca lá em casa e um padre na família aliviava os encontros com o Além, além do prestígio que criava entre a vizinhança.
Mas mal que as carnes me começaram a incomodar, a vocação começou a dar sinais de resvalo. Para mim a castidade era um pecado porque impedia a vida.
Os nãos da freira afinal, disse a sentença, não eram de prazer mas de recusa pelo que fui preso por violação e foi feito desmancho por ordem do bispado.
Pena cumprida e ex-seminarista, procurei no mocebo da Serra aliviar a minha culpa, mas quanto mais se me erguia o entusiasmo de consumar os actos, maior era a culpa e a onania de recurso ainda mais a acentuava.
Quando a insistência e a prática me começaram a dar sucesso, eis que as sabidas pecadoras, começaram a reclamar métodos de temperaturas e borrachas que para mim não eram mais que armas mortíferas.
Cópulas e cópulas tentadas eis que a primeira vingou. Mas, quando se soube que era certo que a criança ia nascer com os dentes tortos, com o aval do abade, concordou-se que era melhor não dar vida à imperfeição.
Longe de nós recorrer a médicos pagos pelo estado, a curiosas, ou a pílulas:
Badajoz é uma cidade maravilhosa!
A minha história é uma história de Vida. Sou pela Vida, se eu mandasse por cada espermatozóide que se cria teria que nascer uma criança. Abaixo a contracepção e todos os que não procriam! Abaixo as mulheres que recusam o coito aos transeuntes! Abaixo as famílias com menos de dez filhos!
Parece que no próximo Domingo vai haver um referendo. Para quê? A lei actual é suficiente para garantir que ninguém nasça com os dentes tortos ou com pai violador e além disso Badajoz fica aqui tão perto.

